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Sustentabilidade

Vítimas da radiação

Estudos indicam que outros acidentes nucleares podem acontecer antes do que se espera; entre as vítimas estão as pessoas e o meio ambiente

03.05.2017 - Por Bayer Jovens

Chernobyl e Fukushima: dois gravíssimos acidentes nucleares de grandes proporções em um intervalo de 25 anos. O primeiro ocorreu na Ucrânia, o segundo no Japão e, em ambos os casos, entre os motivos apontados para a ocorrência, estavam erros de projeto e negligência nas operações. Apesar de serem os mais conhecidos, esses são apenas dois na lista de mais de 200 eventos nucleares analisados por pesquisadores da Universidade de Sussex, na Inglaterra, e do instituto ETH de Zurique, na Suíça.

De acordo com o estudo publicado pela equipe de especialistas em análise de risco, outro desastre na escala de Chernobyl ou Fukushima pode acontecer muito mais cedo do que se espera.

Estimativas dos cientistas indicam que catástrofes parecidas com as de Chernobyl ou Fukushima têm “mais chance de ocorrer do que de não ocorrer”, de uma a duas vezes a cada século. Isso porque, adverte o estudo, dados poucos confiáveis e incompletos da indústria nuclear estão gerando excesso de confiança em quem devia se preocupar com a segurança e o desenvolvimento do setor.

Um fato curioso é que o mesmo órgão que reúne os dados da indústria nuclear, a Agência Internacional de Energia Atômica, também é responsável pela regulação do setor e por sua promoção. Ou seja, é a raposa tomando conta do galinheiro, na visão dos especialistas. Em sua análise independente, a equipe de pesquisadores europeus reuniu três vezes mais dados do que os disponibilizados publicamente pela própria indústria. Daí as conclusões do estudo.

E se a equipe estiver certa, o meio ambiente irá sofrer. E muito. Artigo escrito pelo professor de ciências biológicas Timothy A. Mousseau, da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, afirma que passados mais de 30 anos de Chernobyl animais, plantas e cogumelos ainda estão contaminados. Segundo Mousseau, o césio radioativo da usina ucraniana ainda pode ser detectado em alguns produtos alimentícios em regiões do centro, do leste e do norte da Europa.

“A exposição à radiação vem ocasionando danos genéticos e taxas mais altas de mutações em muitos organismos da região de Chernobyl. Até agora encontramos pouquíssimas evidências de que os seres vivos locais tenham se tornado mais resistentes à radiação”, disse o professor no artigo publicado na revista acadêmica The Conversation e reproduzido pelo site Motherboard, da Vice.

Entre os problemas ocasionados pela radiação em animais, Mousseau aponta catarata nos olhos e cérebros menores em mamíferos e aves, esterilidade e tumores cancerígenos em aves, desenvolvimento anormal de plantas e insetos e diminuição do número e da diversidade de aves e insetos.

O ser humano também sofre: numa área próxima a Fukushima, conforme matéria do site do jornal O Globo, 190 pessoas apresentam índices radioativos acima do aceitável. Entre os riscos da radiação estão queda de cabelos, catarata, dificuldade de respirar, produção inadequada de hormônios, hemorragias, desidratação, problemas de reprodução, modificações do código genético e problemas na medula óssea, que deixa de produzir defesas contra infecções.