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Saúde e bem-estar

Uma DST muito perigosa

Bactéria Mycoplasma genitalium ataca o sistema reprodutivo, pode causar inflamação no útero e na uretra e é de difícil diagnóstico

06.11.2018 - Por Bayer Jovens

Um motivo a mais para usar camisinha: uma doença sexualmente transmissível (DST) pouco conhecida começa a mostrar resistência a antibióticos e, por isso, causa preocupação entre os médicos, principalmente no Reino Unido e em outros países europeus. A causa é a bactéria Mycoplasma genitalium, ou MG, que pode ser contraída em relações sexuais e ataca homens e mulheres. A existência da MG já havia sido detectada ainda na década de 1980, mas a preocupação dos médicos cresceu nos últimos anos, quando se percebeu o aumento de sua resistência aos medicamentos utilizados no tratamento. Há temor de que surja uma superbactéria, capaz de provocar um problema de saúde pública.

O alerta foi feito pela Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV, que trabalha para o desenvolvimento de novas diretrizes para o combate à doença. De acordo com especialistas da associação, as taxas de erradicação da Mycoplasma genitalium com os antibióticos usuais estão dimuindo gradativamente. “Até 2009, quase todas as infecções causadas por essa bactéria eram sensíveis ao tratamento com o grupo de antibióticos chamados macrolídeos, mas hoje a resistência da MG a esses medicamentos subiu para cerca de 40% no Reino Unido”, disse o médico Paddy Horner, da Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV, em entrevista à BBC.

No Brasil, a notificação de casos de pessoas contaminadas pela bactéria não é obrigatória, por isso não se sabe a extensão da doença, cujos sintomas podem ser confundidos com outras infecções mais comuns, como clamídia e gonorreia. Em geral, a pessoa infectada sente dor e ardor ao urinar, e o homem pode ter secreção no pênis. Nas mulheres, a MG pode causar inflamação dos órgãos reprodutivos, que provoca dor, febre e sangramento. O ideal é que o tratamento seja iniciado imediatamente, para evitar consequências como infertilidade e inflamação da próstata, mas a MG nem sempre apresenta sintomas.

A principal recomendação das autoridades de saúde é o uso da camisinha, distribuída gratuitamente nas unidades de saúde de todo o país. Esse cuidado é indispensável principalmente entre os jovens, que hoje lideram as estatísticas de incidência de doenças sexualmente transmissíveis. Em relação à AIDS, por exemplo, o Ministério da Saúde já define o problema como uma “epidemia entre os jovens”. Em dez anos, de 2006 a 2015, a incidência de infecções por HIV na faixa etária entre 15 e 19 anos quase triplicou, passando de 2,4 casos por 100 mil habitantes para 6,9 casos. Na faixa entre 20 e 24 anos, o crescimento foi de 15,9 para 33,1 casos por 100 mil habitantes.

Também a sífilis vem crescendo bastante no Brasil, com mais de 65 mil casos notificados em 2015, um número 52 vezes superior aos 1.249 casos registrados em 2010. Também em relação a essa doença, o aumento maior ocorreu entre os jovens entre 13 e 29 anos.

HIV, sífilis, gonorreia, clamídia e agora essa tal de Mycoplasma genitalium. Cada vez surgem mais problemas para os jovens, que precisam ficar muito espertos para não pegar nenhuma dessas DSTs. O que consola é o fato de que um único e simples cuidado é capaz de evitar a maioria delas: o uso da camisinha.

Publicado em Saúde e bem-estar