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Ciência

Um passo além da imaginação

O congelamento de humanos para reanimação no futuro já inspirou livros, HQs e filmes; na vida real, há quem acredite e invista seriamente nessa ideia

24.04.2016 - Por Bayer Jovens

O termo correto é “criônica”, mas o mais popular é “criogenia”. Pode-se dizer que são parentes próximos, ambos com a mesma raiz derivada do grego krios, que significa frio, gelo. O primeiro se refere à preservação de pessoas a temperaturas baixíssimas, para futura reanimação, e o segundo é o ramo da física que estuda a utilização geral das temperaturas baixas. Aqui, o tema é o primeiro termo: gente congelada.

Na ficção, a criônica é uma ideia irresistível e foi utilizada, por exemplo, no filme Vanilla Sky, de Cameron Crowe, em que o personagem David, interpretado por Tom Cruise, é posto num estado de animação suspensa. O congelamento de pessoas também é parte do enredo do clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, de 1968, e de produções como Eternamente Jovem, de Steve Miner, e A.I. Inteligência Artificial, de Steve Spielberg, entre outros.

Na vida real, o livro que melhor simboliza essa esperança é The Prospect of Immortality (uma perspectiva de imortalidade, sem tradução no Brasil, mas sucesso em vários países), de Robert Ettinger, tido como fundador do movimento criogênico. Ettinger morreu em 2011, aos 92 anos, e imediatamente seu corpo foi congelado no Cryonics Institute, que ele havia fundado em 1976 em Clinton Township, Michigan.

Capitão AméricaCapitão América: bem, obrigado, depois de décadas congelado

Quando Ettinger morreu, 108 corpos estavam congelados em seu instituto, mergulhados em hidrogênio líquido a 200 graus negativos. Na época, o custo da conservação de uma pessoa era de 28 mil dólares, além das taxas de manutenção. Físico e matemático, mas sobretudo idealista, Ettinger acreditava que “haverá um dia em que nossos amigos do futuro poderão nos fazer reviver e nos tratar”.

Como será esse futuro é a grande incógnita da criônica. Além dos desafios de reviver um corpo congelado, ainda restam muitas dúvidas a respeito da situação da humanidade daqui a mais ou menos 100 anos. Uma possibilidade - repleta de humor negro - foi sugerida por Warren Ellis na série em quadrinhos cyberpunk Transmetropolitan, publicada no Brasil pela Panini, que conta as desventuras de um grupo de “revividos” cheio de problemas, marginalizado e sem dinheiro - veja a capa genial de uma das revistas aqui.

A verdade é que o congelamento de pessoas existe de fato, com pelo menos duas empresas dedicadas ao ramo – além do Cryonics Institute, há a Alcor em Scottsdale, Arizona. Já houve experiências bem-sucedidas com pequenos mamíferos, mas ainda não se sabe o que acontecerá com os humanos congelados. Calcula-se que hoje cerca de 250 pessoas estejam congeladas, além de 2 mil na fila de espera. Por enquanto é um sonho, mas um sonho realmente grandioso: driblar a morte e o tempo.

Bayer Jovens