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Um Nobel dedicado às mulheres

Vencedora do prêmio em 1995, Christiane Nüsslein-Volhard criou uma fundação que oferece bolsas a pesquisadoras em início de carreira

25.11.2019 - Por Bayer Jovens

Christiane Nüsslein-Volhard, cientista alemã que desvendou o desenvolvimento do embrião a partir de pesquisas com mosquinhas de frutas

Quando começou a trabalhar com pesquisa científica, no final dos anos 1970, Christiane Nüsslein-Volhard era uma estranha no ninho. Numa época em que havia pouquíssimas mulheres nos laboratórios, tudo se tornava mais difícil e desafiador. “Éramos uma exceção. As pessoas não sabiam lidar conosco. Isso complicava a vida porque o fato de eu ser mulher era algo incomum”, contou a pesquisadora ao site Podemos viver melhor?, da Bayer.

Porém, depois de estudar biologia na Universidade de Tübingen e obter o doutorado em bioquímica, Christiane não se deixou abater pelas dificuldades. Acreditou no seu potencial, venceu obstáculos, driblou adversidades e, em 1981 mergulhou de cabeça no projeto que iria desvendar, a partir do estudo dos genes das drosófilas, os mistérios do desenvolvimento do embrião. Sua pesquisa seria reconhecida no mundo todo, e em 1995 ela entrou para o seleto grupo de mulheres que ganharam o prêmio Nobel – apenas 53, entre as 923 pessoas laureadas entre 1901 e 2019, segundo o site oficial da premiação.

O Nobel em Fisiologia ou Medicina, dividido entre a cientista, seu colega Eric Wieschaus e Edward B. Lewis, foi resultado da pesquisa realizada com os genes da Drosophila melanogaster, as mosquinhas de frutas. Essenciais para diversos estudos científicos, entre 1933 e 2017, esses insetos fizeram parte de seis pesquisas laureadas com o prêmio Nobel.

Para a experiência, a dupla criou quase 40 mil drosófilas. Apesar de possuir apenas quatro cromossomos – enquanto os seres humanos têm 23 –, os genes dessas moscas são surpreendentemente similares aos dos humanos. A partir de um processo de triagem genética desenvolvido por Christiane e Eric, que promoveu mutações do genoma do inseto para verificar qual delas afetavam o processo embrionário, a dupla chegou a um número de 120 genes, que controlavam diretamente o desenvolvimento dos embriões e, por extensão, o de outros organismos multicelulares.

“Acontece que os genes que identificamos nas moscas também desempenhavam um papel muito importante nos vertebrados. Esse foi um avanço revolucionário que fez as pesquisas com moscas afetarem o desenvolvimento humano”, explicou a cientista, para quem um Nobel parece não ter sido suficiente. Christiane queria mais.

Ela queria, sobretudo, ver um número maior de mulheres atuando nas ciências, abrir mais espaço para elas, criar oportunidades e, principalmente, ajudá-las a equilibrar a carreira e a criação dos filhos. Para isso, criou, em 2004, a CNV Stiftung, uma fundação que oferece bolsas para que pesquisadoras no começo de suas carreiras em ciências naturais possam dar continuidade às suas pesquisas.

“A ideia da fundação veio quando eu comecei a me perguntar sobre o pequeno percentual de mulheres na ciência e como isso poderia ser melhorado. A diferença mais importante e evidente entre homens e mulheres é que as mulheres têm filhos. Quando você tem uma família, sobra menos tempo para se dedicar a uma pesquisa. É inevitável que isso requeira tempo e energia”, explicou Christiane, que deixou bem claro que os critérios de seleção são puramente científicos. “Escolhemos as bolsistas com base em suas conquistas e no que elas nos dizem sobre suas pesquisas. Não é um projeto social. Foi criado para dar suporte à carreira de mulheres talentosas”, explicou.

Iniciativas como a de Christiane podem de fato fazer a diferença para as mulheres que se dedicam à pesquisa e às ciências, mas é preciso estimular desde cedo, o interesse das meninas pelas chamadas disciplinas STEM (science, technology, engineering and mathematics). Para entender por que isso é necessário, leia a matéria ”Faltam mulheres na ciência”, aqui em Bayer Jovens.