Home > Mundo Agro > Transgênicos: realidade e mitos
Mundo Agro
12.07.2017 por Bayer Jovens

Transgênicos: realidade e mitos

Muito se fala nos alimentos geneticamente modificados, mas em geral as discussões são mais emocionais do que lógicas, sem informação objetiva

Afinal, o que são alimentos transgênicos e o que eles representam de risco? A primeira resposta está diretamente ligada à tecnologia do DNA recombinante, uma grande descoberta da ciência, que tornou possível o cultivo de plantas transgênicas a partir da década de 90. A primeira foi uma soja resistente a alguns tipos de herbicida, aprovada para comercialização nos Estados Unidos em 1996 e no Brasil em 1998. Depois de um intervalo de sete anos, dedicados ao aperfeiçoamento da legislação específica, em 2005 chegaram ao mercado as sementes de um algodão transgênico, resistente a insetos, e de um milho, em 2007.

Na área de alimentos, é só isso o que existe de fato, além da aprovação de um feijão e de um tipo de eucalipto que ainda não estão sendo comercializados. Fora da agricultura, existem vacinas, medicamentos e até um mosquito transgênico, utilizado para combater o Aedes aegypti. No Brasil, portanto, apenas três alimentos transgênicos são cultivados fora dos laboratórios e das lavouras experimentais: a soja, o algodão e o milho. Pouca coisa, mas suficiente para provocar muito barulho e controvérsias.

Em relação à segurança, o cultivo de alimentos geneticamente modificados no Brasil é regulado pela Lei 11.105/05, conhecida como Lei de Biossegurança, promulgada em 1995, e a fiscalização cabe principalmente à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), um órgão colegiado multidisciplinar que faz parte do Ministério da Ciência e Tecnologia. Os especialistas afirmam que se trata de uma legislação rigorosa, no mesmo nível dos regulamentos dos países desenvolvidos, mas ainda assim há dúvidas quanto à segurança dos transgênicos.

Mesmo nos meios científicos existe quem não concorde com o cultivo de alimentos transgênicos, e entre a população em geral percebe-se que predomina a falta de informação. No ano passado, o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) e o Ibope divulgaram a pesquisa Estudo de Percepção sobre Transgênicos na Produção de Alimentos, que confirma esse desconhecimento.

No universo de mais de 2 mil pessoas que responderam ao questionário, nenhuma soube dizer com exatidão quais são as culturas geneticamente modificadas que existem no país. Em relação à segurança, 44% acham que os transgênicos são pouco testados, 33% imaginam que façam mal à saúde e 29% prensam que causam reações alérgicas. Por outro lado, a maioria (73%) disse que já consumiu alimentos transgênicos e, entre os restantes, 59% se mostraram dispostos a experimentar.

O fato é que o Brasil já é o segundo país com maior área plantada de soja, milho e algodão transgênicos no mundo, depois dos Estados Unidos, e esses produtos compõem parte significativa do total de nossas exportações. Só esse dado já deveria ser suficiente para que as informações a respeito dos transgênicos fossem mais difundidas e confiáveis e não houvesse tantos mitos, como os cinco que você verá a seguir.

  • Mito 1: transgênicos não têm utilidade
    Essa tecnologia não existe simplesmente por existir. A introdução de genes de organismos diferentes em um alimento serve para tornar as culturas mais resistentes a pragas, herbicidas, seca e excesso de salinidade no solo, entre outras condições adversas, e com isso se consegue aumentar a produtividade sem necessidade de expansão da área utilizada. Atualmente, a população mundial está chegando aos 7,5 milhões de pessoas, e a tendência é de aumento constante, o que significa uma demanda cada vez maior de alimentos.
  • Mito 2: tudo é muito novo para confiar
    Na verdade, há milênios os agricultores praticam a modificação genética entre as mesmas espécies, por isso há tanta variedade de tipos de legumes e frutas. O que surgiu recentemente foi a possibilidade de recombinar os genes de seres de espécies diferentes, para a introdução de características que não existiam originalmente. Biotecnologia e manipulação de genes são coisas muito antigas.
  • Mito 3: transgênicos exigem mais pesticidas e herbicidas
    Um dos alvos das pesquisas de recombinação genética é justamente a resistência a pragas, para evitar o uso de alguns pesticidas e inseticidas. De acordo com estudo da consultoria britânica PG Economics, divulgado no Brasil pelo CIB, a biotecnologia agrícola fez cair em 8,8% a utilização de defensivos químicos entre 1996 e 2012. “Como resultado, o impacto ambiental associado ao uso de herbicidas e inseticidas sobre a área plantada com culturas transgênicas foi reduzido em 18,7%”, afirma o CIB.
  • Mito 4: ainda existem poucos testes de segurança
    Em pouco mais de 20 anos, desde que surgiram as primeiras plantas transgênicas, já foram publicados quase 2 mil estudos científicos respeitáveis, muitos dos quais feitos por pesquisadores independentes, para avaliação dos efeitos causados nos seres humanos e no meio ambiente. A conclusão geral é que os alimentos geneticamente modificados são tão seguros quanto os cultivados na forma convencional e oferecem riscos semelhantes.
  • Mito 5: transgênicos provocam doenças
    Esse é o principal receio de algumas pessoas. A preocupação se justifica, e a referência mais sólida nesse sentido vem da Organização Mundial da Saúde (OMS), subordinada à ONU, que, oficialmente, declarou que os alimentos transgênicos são seguros e não representam risco. É a mesma conclusão de um relatório da Academia de Ciências dos Estados Unidos divulgado em maio de 2016, depois que 50 pesquisadores revisaram mais de 900 estudos relacionados ao tema. Tanto a OMS quanto outros órgãos de saúde lembram, porém, a necessidade de novos estudos para a avaliação dos efeitos em prazos mais longos.