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Transgênicos: o que há para saber

Entenda a importância dessa tecnologia para o fortalecimento da agricultura brasileira

18.01.2019 - Por Bayer Jovens

Quando se trata de alimentos transgênicos, na maioria das vezes a discussão fica no campo da opinião, sem fundamentos objetivos, o que gera uma predominância do desconhecimento de algumas questões básicas a respeito da tecnologia do DNA recombinante.

Você sabe, por exemplo, quantas culturas transgênicas são plantadas no Brasil? São apenas três: soja, algodão e milho. A cultura pioneira foi um tipo de soja resistente a alguns defensivos agrícolas, aprovada inicialmente nos Estados Unidos, em 1996, e, dois anos depois, no Brasil. Em 2005, foram aprovadas as sementes de um algodão resistente a insetos e, em 2007, chegou ao mercado o milho transgênico. Os transgênicos significam muito para a agricultura do país. No mundo, o Brasil só perde para os Estados Unidos no ranking das maiores áreas plantadas com soja, milho e algodão transgênicos, produtos que representam boa parte do total das exportações nacionais.

No entanto, tudo isso se refere apenas à moderna biotecnologia aplicada aos alimentos a partir da década de 1990, que envolve a manipulação de genes em laboratório, mas a utilização da biotecnologia, de fato, é bem mais antiga. Por volta de 6 mil anos antes de Cristo, por exemplo, quando povos antigos como os sumérios e babilônios perceberam que a fermentação de grãos de cereais resultava em uma bebida alcoólica, eles estavam praticando biotecnologia, na medida em que, mesmo sem saber, combinavam genes de espécies diferentes.

De acordo com a bióloga Adriana Brondani, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CBI), mestra e doutora em bioquímica e biologia molecular: “Os transgênicos geraram uma grande discussão dentro da própria academia, no sentido de como se deve trabalhar com segurança. Mas houve um exagero nessa discussão, porque hoje temos uma super-regulamentação para transgênicos”.

Em entrevista a Bayer Jovens, a bióloga destacou o amplo alcance da Lei 11.105/05, fruto da revisão da primeira legislação de biossegurança brasileira, em 1995. Para Adriana Brondani, o marco regulatório brasileiro é abrangente e proporciona segurança jurídica para as atividades que envolvem organismos geneticamente modificados, no mesmo nível dos países mais avançados.

Além disso, nas duas últimas décadas foram publicados aproximadamente 2 mil estudos científicos para avaliar os efeitos causados pelos alimentos transgênicos nas pessoas e no meio ambiente, e a maioria absoluta concluiu que a segurança é equivalente à oferecida pelos produtos cultivados da forma convencional.

As correntes de pesquisadores que defendem a modificação genética, por sua vez, lembram que a introdução de genes de outro organismo em um alimento pode tornar as culturas mais resistentes a pragas e doenças, alterações climáticas, excesso de salinidade no solo e herbicidas. Dessa maneira, torna-se possível produzir mais sem necessidade de aumentar a área plantada, o que será fundamental para alimentar uma população mundial em constante crescimento.

Além do setor de alimentos, graças a essa tecnologia também foram criadas vacinas, medicamentos como insulina e até mesmo um mosquito transgênico desenvolvido no Brasil para combater o Aedes aegypti, transmissor da dengue, zica, chikungunya e febre amarela.