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Trabalhando demais? Saiba que isso pode afetar a sua produtividade

Estudos mostram que o excesso de dedicação profissional reduz a produtividade e aumenta os níveis de estresse e fadiga

29.01.2019 - Por Bayer Jovens

Em um mercado de trabalho retraído e cada vez mais competitivo, parece natural que cada um se esforce o máximo possível, leve serviço para casa, reduza as horas de lazer, fique o tempo todo conectado e produza acima do que seria razoável. Essa receita é amplamente divulgada e há quem a defenda, mas existe também uma corrente contrária, que prega a moderação e afirma que, para ser mais produtivo e ter mais saúde, deve-se reduzir o ritmo de trabalho.

Conversa de preguiçosos e acomodados? Nada disso. Essa ideia está amparada em pesquisas sérias que indicam que o excesso de trabalho pode prejudicar a carreira e a disposição física e mental das pessoas. Um desses estudos, divulgado recentemente pela City University of London, na Inglaterra, realizada com base na análise de microdados de quase 52 mil pessoas de 36 países europeus, entre 2010 e 2015, constatou que muitas horas de trabalho, com poucos períodos de descanso, podem aumentar as chances de quadros de estresse e fadiga, o que afeta a produtividade.

De acordo com os pesquisadores, todos precisam de descanso físico e mental para recuperar as energias. Por isso, devemos reservar algumas horas do dia para momentos de lazer e relaxamento. O relatório da pesquisa conduzida na Universidade de Londrina, divulgado no site do Fórum Econômico Mundial, afirma que “os funcionários mais ponderados relatam níveis mais baixos de estresse e maior satisfação no trabalho e bem-estar e tendem a ser mais envolvidos e comprometidos”. No que diz respeito à carreira, o estudo identificou menor rotatividade de pessoal entre as equipes que não exageram nas horas de trabalho.

Outra pesquisa, realizada pelo Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, com quase 8 mil profissionais acima de 45 anos em jornada média de trabalho de 12 horas diárias, corrobora o estudo da universidade londrina. A pesquisa constatou que os profissionais que passam mais de 13 horas sentados diariamente têm o dobro de risco de morrer prematuramente do que aqueles que ficam 11 horas e meia na mesma posição. A diferença, de uma hora e meia, pode parecer pequena, mas em um mês significa um acréscimo de mais de 30 horas de trabalho.

A correlação entre excesso de trabalho e problemas de saúde também foi tema de um estudo produzido na University College London com 85 mil trabalhadores, principalmente de meia idade. A equipe de pesquisadores concluiu que trabalhar por horas a fio, exageradamente, aumenta a probabilidade de uma pessoa vir a ter problemas cardiovasculares, especialmente batimento cardíaco irregular ou fibrilação atrial, que aumentam em cinco vezes o risco de um acidente vascular cerebral.

Se trabalhar demais não faz bem, qual seria então a carga horária ideal? De acordo com Alex Soojung-Kim Pang, pesquisador norte-americano e autor de Descansar, da editora Temas e Debates, trabalhos modernos são produtivos por aproximadamente quatro horas diárias, e o restante do tempo é preenchido por preocupações improdutivas. Pang acredita tanto no que prega – que é possível fazer mais quando se trabalha menos – que fundou a The Restful Company, uma empresa de consultoria que ajuda as empresas do Vale do Silício a oferecer aos funcionários uma melhor combinação de trabalho e descanso.

Mas, se ainda não dá para sonhar com uma carga horária de apenas quatro horas diárias, um experimento criado pelo governo da Suécia provou que menos horas de trabalho, sem alteração na remuneração, pode trazer bons resultados. A tese foi confirmada por enfermeiras de asilos que passaram a trabalhar seis horas por dia, pelo mesmo salário de oito horas. O resultado? Menor nível de ausências por doenças, índices mais baixos de estresse e aumento de produtividade.

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