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SUS já oferece pílula anti-HIV

O tratamento se chama PrEP e está disponível desde dezembro último para os grupos mais expostos ao risco de contaminação

02.03.2018 - Por Bayer Jovens

O combate ao vírus HIV ganhou mais um forte aliado, um medicamento que reduz o risco de contrair a doença por meio de relações sexuais. Denominada PrEP, sigla de Profilaxia Pré-Exposição, a terapia não barra a entrada do vírus no organismo, mas impede sua multiplicação nas células de defesa, caso haja a contaminação pelo HIV. Disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde dezembro de 2017, a medicação é oferecida, principalmente, a pessoas saudáveis que mantêm relações de risco, ou seja, com mais chances de contrair a doença: profissionais do sexo, transexuais, casais sorodiferentes - quando apenas um deles possui o vírus - e etc.

O tratamento se dá pela administração diária de um comprimido do antirretroviral Truvada, uma combinação de outras duas drogas já usadas no tratamento do HIV, o tenofovir e a emtricitabina. Quando tomado sem interrupção, o medicamento bloqueia a enzima transcriptase reversa e, com isso, quebra o processo de reprodução do vírus dentro das células.

A ação do medicamento, porém, não é imediata. Demora, em média, sete dias para fazer efeito nos homens e vinte dias nas mulheres. Sexo sem proteção com uma pessoa infectada nesse espaço de tempo pode gerar contaminação. Indivíduos que fazem parte do grupo prioritário têm mais chance de conseguir a medicação gratuitamente, mas isso não é garantido, uma vez que o governo federal disponibilizou o tratamento, neste primeiro ano do programa, para cerca de apenas 7 mil pessoas.

Para ter acesso à PrEP, o paciente passa por uma avaliação com profissionais de saúde, que verificam o compromisso em aderir ao medicamento, o comportamento sexual (número de parceiros e práticas) e o estilo de vida, entre outros fatores. Alguns exames também são necessários antes do início do tratamento. Três são obrigatórios: teste de HIV, teste para hepatite B e avaliação da função renal.

Quem adere à terapia, deve, além de tomar o comprimido diariamente, fazer visitas regulares ao serviço de saúde para ver como o organismo está reagindo aos medicamentos - o Truvada pode causar problemas renais, além de perda de massa óssea - e realizar exames, como o teste para o HIV, a cada três meses. Caso haja infecção durante o período, a medicação é interrompida, e antirretrovirais passam a ser ministrados a fim de evitar que o vírus fique resistente às drogas do tratamento.

“Ao buscar o SUS para utilização da PrEP, a pessoa é acolhida pelo serviço de saúde de uma forma mais ampla, recebendo todas as orientações sobre a importância de se prevenir de todas as infecções sexualmente transmissíveis, além do HIV”, disse o Ministério da Saúde, em nota. Isso é importante, pois a PrEP não atua sobre outras doenças sexuais como sífilis, gonorreia, HPV e hepatite B. A camisinha, portanto, segue sendo o principal meio de prevenção de DSTs.

Para o primeiro ano do programa foram investidos pouco mais de R$ 6 milhões. O tratamento está disponível em serviços do SUS que já trabalham com prevenção do HIV, como Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) ou Serviços de Assistência Especializada em HIV (SAE). Atualmente está acessível em 22 cidades: Manaus (AM), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora e Passos (MG), Recife (PE), Curitiba (PR), Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias (RJ), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), São Paulo, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto (SP). De acordo com o Ministério da Saúde, gradativamente, o serviço será expandido a todo o país.

Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido também adotaram a PrEP, mas o Brasil é um dos poucos países que oferecem o tratamento na rede pública. O medicamento também será comercializado na rede privada ao custo de R$ 290,00 o frasco com 30 comprimidos. Nesse caso, será preciso apresentar uma receita médica.

O Brasil registra atualmente 827 mil pessoas com HIV, com 40 mil novos casos a cada ano, conforme dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. A terapia é mais uma tentativa de baixar esses números, que voltaram a crescer entre diferentes grupos, de jovens a idosos.

Maria Clara Gianna, coordenadora-adjunta do Programa Estadual de DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, acredita que esse tipo de prevenção ajudará o governo a reduzir custos futuros. “Não tenho dúvidas de que iremos evitar várias infecções. E o custo de proteger alguém agora é muito menor do que ter pessoas infectadas depois. É muito mais vantajoso para o SUS”, afirmou a coordenadora em entrevista à BBC Brasil.

Bayer Jovens