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Soja transgênica combate o HIV

Pesquisa com a participação da Embrapa recebe prêmio internacional e abre um caminho surpreendente na luta contra a Aids

14.03.2018 - Por Bayer Jovens

A soja lidera, de longe, a produção agrícola brasileira, com mais de 111 milhões de toneladas colhidas em 2017, bem à frente do segundo lugar, o milho, que registrou uma safra de 88 milhões de toneladas. Portanto, é mais do que conhecida a importância do grão para a economia e as exportações do Brasil. Mas o que quase ninguém sabia é que a soja pode ser, também, um importante aliado no combate ao HIV.

Pois foi exatamente isso o que demonstrou um estudo que teve a participação de um grupo de pesquisadores da Embrapa, a instituição pública brasileira dedicada à pesquisa agropecuária, de excepcional importância para o Brasil. O estudo ganhou o prêmio de 2017 do FLC, sigla do Federal Laboratory Consortium for Technology Transfer, ou Consórcio Federal de Laboratórios de Transferência de Tecnologia, dos Estados Unidos. O FLC reúne mais de 300 laboratórios de ciência e instituições como o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e as universidades de Cornell, Carolina do Norte e Maryland.

O estudo comprovou que sementes de soja geneticamente modificadas podem se tornar uma eficiente biofábrica para a produção em larga escala de cianovirina, uma proteína utilizada no combate ao vírus causador da Aids. A participação brasileira no estudo foi coordenada por Elibio Rech, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que destacou a importância da cooperação técnica e do reconhecimento científico proporcionado pelo prêmio: “Essa homenagem coroou uma pesquisa de mais de uma década, que obteve excelentes resultados graças à parceria com os institutos internacionais”, disse em entrevista ao site da Embrapa.

A Embrapa destaca, particularmente, o caráter humanitário da pesquisa, ao lembrar que são justamente os países mais pobres que precisam de novas armas contra o HIV, por concentrarem um índice maior de incidência da doença. As nações africanas, por exemplo, não precisarão pagar royalties para utilizar a tecnologia inédita de produção de cianovirina. A descoberta também é importante para o Brasil, onde o número de novos casos de Aids vem crescendo, de acordo com levantamento da ONU, que registrou uma expansão de 3% entre 2010 e 2016, o que vai no sentido contrário da queda de 11% que se verifica na média mundial.

O trabalho dos pesquisadores se iniciou em 2005, com um objetivo ambicioso: introduzir em sementes de soja transgênica a cianovirina, uma proteína presente na alga azul-verde (Nostoc ellipsosporum). A cianovirina consegue impedir a multiplicação do HIV no corpo humano e sua produção se torna mais simples, eficiente e de custo mais baixo ao ocorrer no interior das sementes de soja, que atuam como uma biofábrica da proteína. Para isso, as sementes de soja são cultivadas em condições controladas, em estufas, e não no campo.

Elibio Rech diz que o objetivo da Embrapa é ajudar a criar medicamento de baixo custo, produzidos diretamente em plantas, em bactérias ou até no leite. Ele explica que a utilização dessas biofábricas pode reduzir em até 50 vezes os custos de produção de proteínas recombinantes e resulta em produtos seguros para o consumidor.

Bayer Jovens