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Soja: ouro em grãos

Entenda por que essa cultura é tão importante para o Brasil, hoje o maior exportador mundial, prestes a se tornar também o principal produtor

05.02.2019 - Por Bayer Jovens

De acordo com as estimativas mais recentes, o Brasil deverá produzir 120,21 milhões de toneladas de soja na safra 2018-2019, o que representa 2,75% a mais do que a safra anterior e um novo recorde. Esse total equivale a mais de um terço de toda a soja colhida no mundo e, ainda mais impressionante, fará com que o país tire os Estados Unidos do posto oficial de maior produtor do planeta. É isso mesmo: além de já ser o maior exportar global, o Brasil se tornará também o maior produtor, de acordo com a previsão do próprio USDA, sigla em inglês do Departamento de Agricultura Norte-Americano, equivalente ao nosso Ministério da Agricultura.

Mais do que um valor simbólico, essa troca de posições no topo do ranking dos maiores produtores mundiais tem um grande peso econômico e reflete a importância da soja para o agronegócio brasileiro. E o Brasil ainda pode evoluir mais nesse setor.

A soja é o principal produto de exportação brasileiro, com receita de 31,7 bilhões de dólares na safra 2017-2018, segundo dados do AgroStat, o sistema de estatística de comércio exterior do agronegócio do Ministério da Agricultura. Esse foi o resultado da venda de 68,1 milhões de toneladas de soja em grão, 14,2 milhões de toneladas de farelo e 1,3 milhão de toneladas de óleo de soja.

No Brasil, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) computados pela Embrapa Soja, a área plantada no Brasil atingiu 35,1 milhões de hectares em 2018, com produtividade de 3.333 kg por hectare. Isso significa que a soja ocupa mais da metade de toda a área plantada no país, de 63,9 milhões de hectares, somadas todas as culturas, segundo dados da Nasa, que confirmam as estimativas da Embrapa.

Nos Estados Unidos, a área plantada com soja chega a 36,2 milhões de hectares, com produtividade de 3.299 kg por hectare, enquanto no mundo são 124,5 milhões de hectares, que produzem 336,6 milhões de toneladas. Portanto, o Brasil já conseguiu obter um índice de produtividade maior dos que o registrado nos Estados Unidos.

Em relação à produção por estado, em primeiro lugar está o Mato Grosso, que colheu 31,8 milhões de toneladas na safra 2017-2018, seguindo-se o Paraná, com 19 milhões de toneladas, e o Rio Grande do Sul, com 16,9 milhões. A melhor média de produtividade foi obtida no Paraná, com 3.503 kg por hectare, enquanto a média no Mato Grosso foi de 3.350 kg por hectare. Do total colhido no país, praticamente metade (59 milhões de toneladas) se destinou ao consumo interno e o restante foi exportado.

O maior comprador da soja em grão brasileira é, de longe, a China, que no ano passado importou 54 milhões de toneladas do produto – ou seja, quase o total dos 68 milhões que o Brasil vendeu ao exterior. Depois da China, os outros países que mais importam nosssa soja em grão são Espanha, Reino Unido, Holanda, Irã, Rússia, Turquia, Paquistão, Tailândia, Noruega e Tunísia. Em relação ao farelo de soja, o principal destino em 2017 foi a União Europeia.

Tudo indica que o Brasil manterá por muito tempo o posto de maior produtor mundial, prestes a ser conquistado. O motivo óbvio é o fato de que, teoricamente, o país ainda possui aproximadamente 50 milhões de hectares de áreas agriculturáveis. Somam-se a isso os estudos desenvolvidos pela Embrapa Soja, uma das 42 unidades de pesquisa da Embrapa, que se tornou uma referência mundial no setor e responde por boa parte do aumento da produtividade média brasileira.

Publicado em Mundo Agro