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Inovação no campo

Sistemas de integração revolucionam a produção no campo

Produtores estão apostando em alta tecnologia para produzir mais, combinando o cultivo de grãos com a criação de gado em uma mesma fazenda.

26.03.2020 - Por Bayer Jovens

Qual é o futuro do agronegócio? Uma palavra-chave que consegue sintetizar as perspectivas do setor é “integração”. Os agricultores já não enxergam a produção agrícola de forma estratificada, pensando em cada safra de forma independente. O negócio agora é buscar soluções cada vez mais integradas e avaliar a propriedade rural em sua totalidade, buscando oportunidades e novas tecnologias para atingir o máximo potencial da fazenda.

Essa mentalidade disruptiva até mesmo elimina barreiras sobre o que produzir. Por que o produtor deve ficar limitado a plantar safras sucessivas de soja por toda a vida, se ele pode inovar e apostar em um mix de cultivos que traga melhores resultados? Diversificar culturas proporciona benefícios agronômicos e maior rentabilidade. Os agricultores brasileiros já alcançaram o sucesso, produzindo de duas a três safras anuais, criando diferentes combinações de cultivos de soja, milho, algodão, feijão, aveia, trigo, entre outros. Leia também: Por que o Brasil é uma potência do agronegócio?

Agricultura e pecuária

Porém, o produtor rural pode ir muito além da diversificação de culturas e acrescentar um elemento surpresa a essa combinação: o gado bovino. O agricultor pode se tornar um pecuarista e vice-versa. É possível combinar o cultivo de soja com a criação bovina, por exemplo. Esse tipo de aposta tem como base os sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta, que representam uma forte tendência no Brasil. Esses sistemas permitem maximizar a produção da fazenda, melhorar o manejo do solo e aumentar o lucro – sem ampliação de área.

Existem inúmeros exemplos de sucesso com a integração no Brasil, entre eles, o da fazenda do produtor Luciomar Machado Filho, em Pontes e Lacerda (MT). O sistema de integração lavoura-pecuária promoveu um aumento de produtividade de três sacas de soja por hectare. Além disso, o gado está engordando mais rapidamente, e o rebanho registrou um adicional de peso de 30%. A integração deu certo e melhorou os resultados da propriedade. “A situação financeira da fazenda melhora, porque ora você tem o dinheiro da soja, ora, da pecuária. É uma soma muito interessante”, afirmou o engenheiro-agrônomo Euder Redivo Junior, em notícia do Canal Rural.

No entanto, esses sistemas requerem apoio técnico e muita informação para darem certo. Quando um sojicultor decide se aventurar na criação de gado bovino, a pecuária significa um novo ramo de atividade. Como em todo negócio, para ter sucesso, o empreendedor deve se especializar. Então, o agricultor precisa buscar informações sobre a raça bovina mais indicada para criação na região da fazenda, detalhes da nutrição desses animais, vacinação, instalação de curral e cercas, entre outros detalhes de manejo. O mesmo ocorre quando um tradicional pecuarista vai se aventurar na agricultura. Ele precisa aprender sobre a genética de sementes, adubação, manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, investir em maquinário de plantio e colheita, entre outras questões.

Embora a adoção dos sistemas de integração exija aprendizado e investimentos, o resultado, com certeza, é recompensador. Há relatos de uma fazenda de gado leiteiro em que a produção aumentou de 400 para 1.000 litros por dia. Em outra propriedade de gado de corte, o ciclo dos animais foi acelerado e, em vez de serem abatidos com idade entre 24 e 36 meses, com o aumento da produtividade, os animais passaram a ficar prontos para o abate entre 18 e 24 meses. Esses cases de sucesso foram reunidos pela Embrapa em um livro escrito por 144 especialistas, com o objetivo de orientar sobre a implementação dos sistemas de integração.

Sustentabilidade é tendência

Os sistemas de integração já estão presentes em mais de 11,5 milhões de hectares no Brasil e devem registrar um crescimento exponencial. Para o pesquisador Flávio Wruck, da Embrapa Agrossilvipastoril, em Mato Grosso, por exemplo, ele prevê o avanço dos sistemas em ritmo constante nos próximos 10 anos. “Deve continuar aumentando na taxa que cresce atualmente. Há regiões, como o sudoeste do estado, que é tradicionalmente uma área de pecuária, em que a lavoura está vindo com tudo, por meio da ILP. O potencial de crescimento é muito grande”, afirmou em comunicado.

Os sistemas de integração lavoura-pecuária e integração lavoura-pecuária-floresta promovem uma produção mais sustentável, implantando práticas agrícolas resilientes que fortalecem a capacidade de adaptação da agricultura às mudanças climáticas. Além disso, um diferencial é que melhora progressivamente a qualidade do solo, segundo avaliação da Embrapa. Um estudo recente da Embrapa também demonstrou que, integrando lavoura-pecuária-floresta em apenas 15% da propriedade, é possível neutralizar as emissões de gases de efeito estufa de toda a propriedade rural. Com tantos benefícios econômicos e para o meio ambiente, sobram motivos para os produtores apostarem nessa tendência.

Bayer Jovens