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Saúde ocular: os impactos da perda de visão

Saiba mais sobre as principais doenças que levam à perda de visão

10.10.2019 - Por Bayer Jovens

Alertar as pessoas para o risco da perda de visão foi um dos motivos pelos quais a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o Dia Mundial da Visão, celebrado na segunda quinta-feira de outubro, que neste ano cai no dia 10.

Saúde ocular: os impactos da perda de visão

A deficiência visual é definida como a perda total ou parcial da visão. O nível de gravidade visual pode variar, desde deficiência leve até a cegueira. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem atualmente no mundo 2,2 bilhões de pessoas com algum grau de deficiência visual ou cegueira, sendo que pelo menos 1 bilhão dos casos poderia ser prevenido ou não foi tratado adequadamente. Estimativas indicam que o número de pessoas com baixa visão irá aumentar como resultado do envelhecimento da população mundial.

Entre as principais causas de perda visual estão os erros de refração (miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia) não corrigidos, catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética.

A maior parte dos casos de cegueira ocorre nos países em desenvolvimento, além disso, causas tratáveis de cegueira, como catarata, também acontecem com maior frequência nestes países.

A cegueira tem importante impacto socioeconômico e à qualidade de vida. Os custos com perda de produtividade, reabilitação e educação de pacientes com deficiência visual grave são significativos, tanto para o indivíduo, a família e a sociedade. Na população economicamente ativa, os custos da perda de produção chegam a superar em cinco vezes o custo com os cuidados de saúde diretos, de acordo com estimativas de 25 países latino-americanos.

A realização de exames de rotina com um oftalmologista é fundamental para a prevenção. Conheça algumas das principais condições que podem levar o paciente a perder a visão:

Erros de Refração: é uma importante causa de perda de visão tratável (miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia). Óculos são o método mais simples, barato e mais amplamente utilizado para o tratamento, mas outras opções são a lente de contato ou cirurgia.

Catarata: junto com os erros de refração não corrigidos são as duas principais causas de deficiência visual reversível, representando 75% de toda deficiência visual, e são mais frequentes entre os idosos. A cirurgia para o tratamento da catarata é altamente eficaz, resultando em quase imediata recuperação da visão.

Glaucoma: doença caracterizada por danos ao nervo óptico e causada pelo aumento da pressão ocular. É a maior causa de cegueira irreversível no mundo. Como inicialmente o paciente pode não apresentar sintomas, muitas vezes o diagnóstico é tardio. Uma vez que a visão foi perdida, ela não pode ser restaurada. O tratamento inclui colírios ou cirurgia.

Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI): é a causa mais comum de cegueira irreversível em idosos nos países industrializados. O tratamento inclui injeções intraoculares, que possibilitam manter ou restaurar a visão com a forma úmida.

Retinopatia diabética: A retinopatia diabética é uma complicação frequente do diabetes mellitus, sendo a maior causa de cegueira na população economicamente ativa. Apesar da gravidade da enfermidade, um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), citado em matéria publicada no site da revista Saúde, mostrou que muitos indivíduos com glicemia elevada não têm consciência dos riscos à saúde ocular. Das 932 pessoas com diabetes que participaram da pesquisa, 69% desconheciam o problema e 89% não tinham conhecimento dos tratamentos adequados– números muito elevados, segundo os especialistas.

Conheça a seguir outras informações a respeito da retinopatia diabética e, caso você tenha diabetes ou conheça alguém nessas condições, veja como prevenir a progressão da doença e evitar problemas de visão.

  • O que é
    A retinopatia diabética é uma complicação vascular do diabetes que ocorre quando a elevação da taxa de açúcar no sangue provoca danos ou fragiliza a parede dos vasos sanguíneos que irrigam a retina. “Essa condição permite a passagem de sangue, gordura e líquido para dentro da retina, o que, aos poucos, vai destruindo suas células”, explicou Marcos Ávila, ex-presidente do CBO e professor de Oftalmologia da UFG, em matéria publicada no site da BBC Brasil.
  • Sintomas
    Nos estágios iniciais o paciente pode não apresentar sintomas. Visão embaçada, dificuldade de ler e aparecimento de flashes ou de pequenas manchas no campo de visão são os sintomas que podem indicar um quadro de retinopatia.
  • Diagnóstico
    Portadores de retinopatia diabética chegam a apresentar um risco 25 vezes maior de perder a visão, segundo o CBO. A boa notícia é que dá para reverter eventuais falhas na visão quando o problema é diagnosticado precocemente. Para isso, consultas anuais ao oftalmologista são de extrema importância para quem apresenta diabetes, mesmo na ausência de sintomas. Segundo a endocrinologista Solange Travassos, “quem tem diabetes tipo 2 precisa o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano desde o diagnóstico da elevação da glicemia, já que não sabemos quando a doença realmente se iniciou”. Para os portadores do tipo 1, a consulta também deve ser anual, a partir do quinto ano do diagnóstico, momento em que a retina pode começar a apresentar danos.

    O exame para detectar alterações na mácula ou na retina de forma precoce é o de fundo de olho, que pode ser complementado com outros testes, caso seja necessária uma investigação mais detalhada. A porcentagem de pacientes diabéticos com algum grau de retinopatia diabética aumenta em função do tempo de instalação da doença: estima-se que após 25 anos, 80% dos pacientes apresentarão algum grau de retinopatia diabética
  • Tratamento
    O controle constante do diabetes é essencial durante o tratamento. O tratamento da retinopatia diabética requer cuidados profissionais específicos (oftalmologistas com especialização em retina e vítreo). Nos estágios iniciais, a terapia se dá, principalmente, por fotocoagulação, uma aplicação de raio laser que, ao queimar as áreas lesadas no olho, impede que a retinopatia se alastre. O especialista também pode prescrever uma injeção intraocular de medicamentos antiangiogênicos, que bloqueiam a formação de novos vasos, ou o implante intravítreo com corticóide de liberação lenta.
  • Como prevenir
    A melhor maneira de evitar a doença é manter os níveis de glicemia dentro dos parâmetros adequados. Aguardar a baixa da visão para encaminhar o paciente ao oftalmologista pode causar perda irreversível e impacto significativo na qualidade de vida do paciente portador de diabetes. A avaliação oftalmológica periódica é essencial para o diagnóstico e tratamento precoces.

A retinopatia diabética é apenas uma das consequências do diabetes, que também pode favorecer o aparecimento de glaucoma e a catarata. Saiba mais a respeito desses problemas oculares na matéria "Como o diabetes afeta a visão", publicada aqui em Bayer Jovens.

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