Home > Saúde > Saúde masculina sem tabus
Saúde

Saúde masculina sem tabus

O câncer de próstata mata cerca de 15 mil homens por ano no Brasil, mas ainda há quem resista ao exame – e isso explica a importância do Novembro Azul

04.11.2019 - Por Bayer Jovens

Em pleno século 21, mesmo com tanta informação disponível, ainda ocorrem mortes que poderiam ser evitadas por meio da prevenção. É o que acontece, por exemplo, com o câncer de próstata, que no ano passado registrou 68.220 novos casos no Brasil, o que representa 31,7% de todos os tipos de câncer que atingiram homens, exceto o de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Porém, embora tenha sido responsável por mais de 15 mil mortes no país em 2017, o câncer de próstata é tratável e tem cura em 90% dos casos quando diagnosticado na fase inicial, de acordo com o Instituto Oncoguia, com base em dados do Inca.

E bastam esses dados para justificar a existência do Novembro Azul, um movimento internacional que surgiu na Austrália em 2003 e ganhou o mundo, com o objetivo de conscientizar as pessoas para a necessidade de cuidados preventivos e arrecadar recursos para pesquisas na área da saúde masculina. Acima de tudo, o Novembro Azul destaca a importância dos exames iniciais que detectam o câncer de próstata – o PSA e o toque retal.

PSA são as iniciais de Prostate-Specific Antigen, ou antígeno prostático específico, um exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata. O nível de PSA geralmente é relatado por nanogramas por mililitro (ng/ml) e quando está elevado pode ser um sinal de alguma doença benigna na próstata ou de câncer. Quando surge a suspeita, é recomendável o exame de toque retal para avaliar o tamanho, a forma e a textura da próstata.

Quando o PSA está alterado e o toque indica alterações de formato ou textura da próstata, geralmente são solicitados outros exames laboratoriais ou uma biópsia, para investigar a causa e, se levantada a hipótese da presença de um tumor, determinar se é ou não maligno. Depois que o homem chega à idade madura, os médicos costumam recomendar que sejam feitos periodicamente tanto o PSA como o exame de toque retal, na tentativa de buscar o diagnóstico correto o mais precocemente possível para buscar uma chance de cura maior.

Apesar da importância dessa prevenção e cuidado com a própria saúde, alguns homens ainda resistem ao exame por conta de um tabu alimentado por estereótipos, preconceitos, mitos e questões sociais de masculinidade tóxica, que podem colocar muitas vidas em risco. O exame de toque não dura mais do que alguns segundos e não provoca nenhuma dor. Da mesma maneira, não há nenhuma relação entre o toque e disfunção erétil, como algumas pessoas imaginam e, ainda pior, divulgam essa possibilidade. Porém, o que importa de fato é que esses exames podem representar, simplesmente, a diferença entre viver ou morrer.

Esse é o alerta feito pelo Novembro Azul, que, embora destaque o câncer de próstata, não se limita a essa doença. O objetivo amplo da iniciativa é incentivar os cuidados com a saúde dos homens, parte dos quais costuma negligenciar a prevenção e se afastar o máximo possível da consulta médica e do check-up periódico.

Por vários motivos, entre os quais o tabagismo, o sedentarismo, a hipertensão, o diabetes, a obesidade e o alcoolismo, os homens são mais suscetíveis do que as mulheres a contrair algumas doenças. De acordo com o relatório Perfil da Situação de Saúde do Homem no Brasil, editado pelo Ministério da Saúde, “as diferenças de morbi-mortalidade entre homens e mulheres são amplamente conhecidas: os homens morrem mais cedo, morrem principalmente por causas externas (acidentes e violências), são mais suscetíveis às doenças cardiovasculares, possivelmente pelos comportamentos de risco mais frequentes, e procuram menos os serviços de saúde, por limitação de tempo e, principalmente, pela falsa autopercepção da sua infalibilidade física e mental”. O relatório constatou também que a taxa de mortalidade geral no Brasil na faixa etária de 20 a 59 anos de idade “é 2,3 vezes maior entre os homens do que entre as mulheres”.