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Rumo à Lua

Centro de pesquisas japonês começa a projetar as colônias que receberão os desbravadores do satélite

11.05.2018 - Por Bayer Jovens

O Japão não apenas acredita na exploração espacial: quer largar à frente nessa corrida e já investe em um ambicioso projeto de criação das primeiras colônias lunares, capazes de abrigar humanos mesmo em um satélite em que o ambiente é irrespirável, com temperaturas extremas e um campo gravitacional equivalente a um sexto do da Terra. Os estudos estão sendo desenvolvidos no Centro de Pesquisa de Colônias Espaciais (RCSC), ligado à Universidade de Tóquio, e a expectativa é ter tudo pronto até 2030.

Os desafios, no entanto, são imensos. Os cientistas terão de encontrar respostas para várias questões fundamentais, considerando que o objetivo é o estabelecimento de colônias autossustentáveis, que não dependam da Terra. Para isso será preciso, por exemplo, descobrir como produzir energia suficiente para reciclar o ar e a água indispensáveis aos futuros habitantes da Lua. Também será necessário cultivar alimentos e criar espaços habitáveis por longo tempo.

À frente das pesquisas está Chiaki Mukai, uma médica de 65 anos que, em 1994, se tornou a primeira astronauta japonesa a ir ao espaço, quando viajou na nave Columbia em uma missão da NASA que investigou o funcionamento do sistema cardiovascular e as mudanças que ocorrem no organismo fora da atmosfera terrestre. “Se vamos para a Lua, precisaremos usar os recursos disponíveis lá e fazer com que tudo seja eficiente e reciclável. Não é como a Estatação Internacional Espacial, que mais parece um camping ao qual temos de levar água, comida, roupa e tudo mais, exceto os painéis solares”, disse Mukai em entrevista à agência de notícias espanhola EFE.

A ideia inicial do centro de pesquisa japonês consiste em construir módulos que seriam instalados nos túneis existentes na Lua, a fim de proteger as colônias dos efeitos da radiação. “Para o futuro, imaginamos que poderá haver vários módulos acoplados uns aos outros, além de instalações na superfície para estadias curtas de turistas”, prevê Mukai.

Chiaki MukaiChiaki Mukai, líder do Centro de Pesquisa de Colônias Espaciais, na época em que participou da missão da NASA/Divulgação NASA

Para produzir energia, os cientistas estão desenvolvendo novos sistemas termoelétricos, em que a eletricidade é gerada pelo calor, contando com a diferença de temperatura que haverá no interior dos módulos e no exterior lunar. Também começaram a fazer testes com alimentos como batata, tomate e alface cultivados embaixo da água e a desenvolver novos métodos de reciclagem de líquidos, tanto para beber como para fertilizar as plantas.

O mais importante no projeto japonês, contudo, é a certeza de que, em algum momento não muito distante, a humanidade terá de buscar lugares para viver além da Terra. Não se trata mais de saber se isso é ou não possível, mas de quando acontecerá. Com surpreendente naturalidade, Chiaki Mukai disse que “a Lua é um destino muito promissor e realista, pois a viagem até lá leva apenas três dias”.

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