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Robôs que identificam plantas

Cientistas brasileiros desenvolvem um sistema de reconhecimento automático de espécies em busca de mais produtividade

09.01.2019 - Por Bayer Jovens

No meio da lavoura, um robô equipado com câmeras de última geração e um scanner a laser faz a varredura da área de cultivo, registra a estrutura tridimensional de cada planta e envia informações de geolocalização por meio da tecnologia Lidar, a mesma utilizada nos novos carros autônomos. A tarefa não é simples, pois a coleta de dados está sujeita a inúmeras variáveis, desde os desníveis do terreno até os fatores climáticos. Porém, na conclusão da tarefa, o produtor rural terá um modelo digital da plantação em 3D que permitirá, entre outras coisas, obter o cálculo da produção, a identificação de pragas e doenças e a introdução de melhoramentos genéticos capazes de aumentar o resultado da colheita.

Visão computacional identificará cada uma das estruturas da planta/Divulgação Embrapa Visão computacional identificará cada uma das estruturas da planta/Divulgação Embrapa

É um cenário futurista e, por enquanto, esse recurso avançado de agricultura de precisão ainda está na fase de desenvolvimento, mas a intenção do grupo de pesquisa liderado pela Embrapa Informática Agropecuária é apresentá-lo rapidamente ao mercado. Também participam do projeto pesquisadores da Embrapa Instrumentação e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Já estão programados testes com robôs e drones em uma vinícola do estado de São Paulo, que participa da Rede de Agricultura de Precisão, e em uma plantação de milho em Campinas (SP). Ao mesmo tempo, a equipe desenvolve técnicas de aprendizado de hardwares e redes neurais que decifram padrões complexos a partir das informações recolhidas pelos robôs. O programa contou com recursos de aproximadamente R$ 200 mil.

Divulgado no meio deste ano pela Embrapa, o projeto foi denominado Agricultura ciente de ambiente: raciocínio sobre a estrutura tridimensional no campo de cultivo.

“Isso pode abrir caminho para uma série de automações na agricultura”, prevê Thiago Teixeira Santos, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária e líder da pesquisa. “A próxima geração de equipamentos agrícolas incluirá máquinas dotadas da capacidade de ‘raciocinar’ com base no que é observado no campo”, acrescenta.

De acordo com os pesquisadores, com acesso a grandes bases de dados e softwares de processamento de imagens digitais, será possível construir máquinas capazes de mapear as lavouras e identificar cada uma das estruturas das plantas por meio de técnicas de computação, como robótica aplicada à agricultura e inteligência artificial.

“A utilização dessas ferramentas permitirá a obtenção de forma automatizada de informações a respeito da estimativa de produção, das partes da área que podem ser mais ou menos produtivas e do nível de incidência de pragas e doenças nas plantas, entre outras. Isso poderá trazer rapidez na coleta e na análise de dados, para a apoiar a tomada de decisão do produtor”, afirma Luis Henrique Bassoi, pesquisador da Embrapa Instrumentação.