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Sustentabilidade
17.07.2017 por Bayer Jovens

Quem luta pelo nosso futuro

O Dia do Protetor das Florestas, 17 de julho, é também o Dia do Curupira, ser encantado que inspira gente real a dedicar a vida à defesa da natureza

No mundo inteiro existem seres encantados que fazem de tudo para proteger as árvores, as florestas e os animais selvagens. São mitos e lendas que os povos criam para expressar uma crença, um desejo, um temor ou uma identidade cultural, como um conjunto de valores. No Brasil existem vários dele, entre os quais a Caipora, inimiga de quem mata os bichos por prazer e destrói as árvores, e o Anhangá, terrível no combate a caçadores e lenhadores.

Em outras regiões do planeta também é extensa a relação de seres mitológicos que protegem a natureza, entre os quais os elfos, as fadas, ninfas, duendes, gnomos, goblins, o Leprechaun, o Leshi e vários outros.

E há algo que explica com perfeição por que povos tão diferentes criaram tantos entes fantásticos como esses: as florestas, os rios e os animais são frágeis e indefesos quando atacados pelo homem, o grande predador. Por isso vale a pena dar valor ao Dia do Protetor das Florestas, em 17 de julho.

A data é também o Dia do Curupira, um pequeno índio de cabelos vermelhos e pés voltados para trás, para confundir os perseguidores, cuja diversão é assustar caçadores, lenhadores e quem mais causar danos às matas e aos seus habitantes. Mas a comemoração de 17 de julho não trata de folclore nem de crenças populares.

O Dia do Protetor das Florestas foi criado tanto para destacar a necessidade de defesa da natureza como para lembrar que existe um verdadeiro exército de pessoas que dedicam a vida à luta contra o desmatamento, o garimpo ilegal, as queimadas desnecessárias, o lixo mal destinado, a poluição dos mares, dos rios e das cidades, os problemas impostos às populações das áreas degradadas e contra todas as demais agressões ao meio ambiente. São biólogos, ecólogos, engenheiros ambientais, guardas florestais, oceanógrafos, ambientalistas ligados a ONGs, pesquisadores e cidadãos de todas as categorias, movidos pelo idealismo e pelo desejo de proteger o meio ambiente.

Em geral essas pessoas trabalham em condições difíceis, permanecem anônimas e são pouco valorizadas, pois, infelizmente, só se tornam conhecidas quando dão à vida pela causa que defendem. É, por exemplo, o caso do seringueiro Chico Mendes e da missionária Dorothy Stang, ambos mortos na Amazônia, em emboscadas.

Os dois são os mais conhecidos, mas não estão sozinhos. Somente em 2015, nada menos do que 50 ativistas ambientais foram assassinados no Brasil, de acordo com o levantamento Em Terreno Perigoso, da organização britânica Global Witness. Nosso país lidera esse ranking macabro, como relata reportagem da Agência Brasil. As principais causas dessas mortes foram, pela ordem, o envolvimento das vítimas em conflitos contra atividades de mineração, agronegócio, exploração de madeira e projetos de energia hidrelétrica.

Em 22 de junho, durante visita à Noruega, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, disse que “só Deus” pode garantir o recuo no desmatamento na Amazônia – o que, evidentemente, não é verdade, já que o país tem leis capazes de assegurar esse controle, desde que sejam cumpridas. Também em junho, Gisele Bündchen pediu publicamente a Michel Temer que vetasse as medidas provisórias 756 e 758, que reduziriam em quase 600 mil hectares as áreas protegidas na Amazônia – sim, nossa modelo ativista tem seu lado Curupira.

Mas nada disso impediu que não só a Amazônia, mas também biomas como a mata atlântica, o cerrado e o Pantanal e continuem sendo desmatados. Um levantamento divulgado em abril revelou que, em apenas 16 anos, o Brasil perdeu pelo menos 190 mil km2 de florestas, o equivalente a mais do que quatro vezes a área do estado do Rio de Janeiro.

Agora, depois de saber tudo isso e de olho no que será o futuro, reflita: é ou não é válido que exista um Dia do Protetor das Florestas?