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Quem faz o agro

Quem faz o agro: história de sucesso da Agrícola Famosa

Conheça um pouco mais sobre o início de uma das maiores produtoras de melão e melancia do mundo.

15.04.2019 - Por Bayer Jovens

Quando Luiz Roberto Maldonado Barcelos e Carlo Porro batizaram a fazenda que haviam adquirido meio por acaso, em 1995, nem de longe imaginavam que estavam prevendo o futuro. Pouco mais de 20 anos depois, a Agrícola Famosa deixou ser uma pequena propriedade com apenas 20 hectares preparados para o cultivo para multiplicar essa área por mais de mil e se tornar a maior produtora de melão e melancia do Brasil e uma das maiores do mundo, que responde por quase 9 mil empregos diretos no período da safra e exporta para inúmeros países. E aconteceu: a empresa realmente se tornou famosa, um verdadeiro caso de sucesso.

Tudo começou em fevereiro de 1994, quando Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, lançou o Plano Real, que, entre outras medidas, equiparou a nova moeda brasileira ao dólar – 1 real passou a valer 1 dólar. Para os exportadores que recebiam em dólar, foi um desafio e tanto. Barcelos e Porro trabalhavam na Alba, uma empresa israelense que exportava frutas e acabou falindo. Sem saída, eles decidiram voltar os olhos para uma fazenda de produção de melão na divisa do Ceará com o Rio Grande do Norte, recebida em troca de uma dívida.

Ironicamente, a escolha da fruta que faria a fama da fazenda ocorreu também por causa de um problema financeiro. Sem dinheiro para grandes investimentos, os sócios optaram pelo melão por causa de seu ciclo de produção muito curto – em 60 dias a semente vira fruta –, o que dispensava muito capital de giro. Barcelos conta que foi morar em Mossoró (RN) e comprava sementes com 60 dias para pagar, plantava 3 hectares a cada dez dias e mandava as frutas para São Paulo, onde Porro cuidava da venda à Ceagesp.

A partir daí, porém, o acaso e a sorte saíram de cena e deram lugar ao talento para empreender e à crença no potencial do semiárido nordestino, uma região que, à primeira vista, não parece ser propícia para o cultivo de frutas, com seu clima quente e predomínio da caatinga e de chuvas irregulares. Mas Barcelos e Porro acreditaram em seu projeto e, pouco a pouco, ampliaram a área de cultivo, até que, em 2000, com o dólar novamente em alta, decidiram partir para a exportação.

Hoje, com sede em Icapuí, no Ceará, a Agrícola Famosa é uma holding que tem participação em empresas de produção de mudas, clones e comercialização de verduras e legumes e planta diferentes tipos de frutas em 30 mil hectares. Conta com uma frota de quase 500 veículos leves e pesados, 350 tratores e quase 2 mil carroções e, na safra de 2016-2017, exportou 152 mil toneladas para países como Inglaterra, Holanda, Itália, Alemanha, Espanha e Portugal e comercializou mais de 135 mil toneladas no mercado brasileiro. Na safra seguinte, ampliou as exportações para Estados Unidos, Canadá, Dubai, Cingapura, Rússia e Lituânia.

Além de vários tipos de melão e melancia, cultiva maracujá, banana, mamão, abacaxi, laranja, limão, pera, maçã, caqui e legumes e mantém criações de gado e peixes. Com ênfase na incorporação de novas tecnologias e na sustentabilidade, a empresa obteve importantes certificações de qualidade e conformidade

Em um vídeo da série Ser agro é bom, da Bayer, Luiz Roberto Barcelos, que se formou em direito, conta parte de sua história e fala do orgulho que sente em ser agricultor e de realizar “o sonho de produzir frutas para uma vida melhor”. No meio de sua plantação, Barcelos diz: “Hoje a gente planta em torno de 300 hectares por semana, o que dá 6 milhões de frutas por semana, 1 milhão de melões por dia. Também geramos muitos empregos, porque é uma atividade muito geradora de emprego, com um benefício socioeconômico gigantesco. Chegamos nesse ano a 8.700 empregos diretos e estamos em quatro estados da região Nordeste, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Então, a gente tem também essa satisfação de estar contribuindo para o desenvolvimento da região Nordeste”.

Ele explica que, em relação à sustentabiliade, tudo é aproveitado na fazenda, a fim de se produzir o mínimo possível de resíduos, com o máximo de eficiência. “Por exemplo, quando a gente termina de colher o melão, fica a rama da fruta, que tem dois destinos: vai para a compostagem, que volta na forma de adubo novamente para o melão, ou vai alimentar o gado, que por sua vez fornece o esterco que depois da compostagem também volta para o melão”.

Outro aspecto curioso destacado por Barcelos é a maneira como são utilizadas as colmeias para polinizar as lavouras: “A abelha é nossa grande aliada. A gente tem uma criação própria e aí vem toda uma convivência, de tirar o mel na época da chuva, porque na época da seca não tem mel, não se produz néctar, então a gente tem que devolver o mel para as abelhas. A gente não vende o mel para que elas continuem a manter o processo de polinização”.

O produtor também explica que a fazenda vem agregando novas tecnologias e novos processos produtivos, que resultam na melhoria da qualidade das frutas, da produtividade e do sabor. “Além disso, mantemos parcerias com empresas que desenvolvem tecnologias para controle de pragas, com defensivos mais seletivos”, afirma.

Assim como Luiz Roberto Barcelos e Carlo Porro, uma infinidade de agricultores está promovendo uma verdadeira revolução no campo, responsável por fazer do Brasil o segundo maior produtor mundial de alimentos. São histórias que merecem ser conhecidas, exemplos de quem faz o agro.