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Sustentabilidade

Quase 3 trilhões de toneladas

Esse é o total aproximado do gelo que a Antártida perdeu desde 1992, e o resultado é a elevação progressiva do nível dos oceanos

12.07.2018 - Por Bayer Jovens

As mudanças climáticas e o aquecimento da temperatura dos oceanos estão provocando o derretimento gradual da camada de gelo da Antártida em um ritmo acima da média de períodos anteriores. De acordo com um estudo recente, em apenas 25 anos, de 1992 a 2017, a região pode ter perdido quase 3 trilhões de toneladas do manto de gelo que a recobre, o que ocasionou uma elevação de até 7,6 milímetros no nível do mar. O mais grave é que, de acordo com os cientistas, tudo indica que o ritmo da perda de gelo esteja se acelerando.

Polos - Antártida perdeu quase 3 trilhões de toneladas de gelo desde 1992

O estudo foi publicado em junho na revista científica Nature. Para dimensionar o fenômeno com uma exatidão até então inédita, os pesquisadores combinaram observações de satélite do volume variável de gelo antártico e até a atração gravitacional para mostrar que a perda ficou entre 1,39 bilhão e 2,72 bilhões de toneladas, o que corresponde a um aumento no nível médio do mar de 3,9 a 7,6 milímetros, considerando a margem de desvio padrão.

“Durante esse período, o derretimento causado pelo oceano fez com que as taxas de perda de gelo da Antártida Ocidental aumentassem de uma faixa entre 29 bilhões e 53 bilhões de toneladas para uma faixa até 159 bilhões de toneladas por ano”, afirma o estudo. Os números parecem alarmantes, principalmente para os habitantes de cidades litorâneas, e os cientistas afirmam que existem, sim, motivos para preocupação, mas também lembram que ainda há tempo para agir.

A solução óbvia para brecar o ritmo do aquecimento dos oceanos é a redução das emissões de gases do efeito estufa, conforme estabeleceu o Acordo do Clima de Paris. Se os países signatários se mantiverem firmes e cumprirem as metas previstas, é possível reduzir grande parte dos danos.

A pesquisa faz parte de uma coleção de cinco estudos que acompanham as mudanças ambientais na Antártida e no oceano Antártico, ou Austral, em um esforço coletivo de mais de 84 cientistas de 44 instituições de todo o mundo. A região é vista pelos especialistas como uma espécie de marcador ambiental do clima do planeta, pois permite uma verificação especialmente confiável da taxa de mudança climática global e do ritmo de elevação do nível do mar.

O estudo alerta, principalmente, para os efeitos do colapso de grandes plataformas de gelo na calota polar nos últimos cinco anos. Em 2017, por exemplo, a plataforma Larsen C, a maior das três que se localizavam no litoral leste da península antártica, desprendeu um iceberg gigante que continua à deriva no mar, derretendo-se aos poucos. Outras duas plataformas já haviam se desprendido, uma em 1995 e outra em 2002.

“De acordo com as nossas análises, houve um forte aumento na perda de gelo na Antártida na última década, e isso está fazendo o mar subir mais rapidamente do que em qualquer período dos últimos 25 anos”, alertou Andrew Shepherd, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e um dos principais autores do estudo. “Isso deve ser motivo de preocupação para os governos aos quais confiamos a proteção de nossos países e de nossas cidades costeiras”, acrescentou o pesquisador.