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Quantos anos você vai viver?

Novo exame de sangue desenvolvido por cientistas da Universidade Yale determina a expectativa de vida com base no funcionamento do organismo

09.01.2019 - Por Bayer Jovens

Todos queremos viver mais, por isso ficamos sempre atentos ao crescimento das médias de expectativa no Brasil e em outros países, calculadas com base em indicadores como saúde, educação, condições de saneamento, segurança e poluição. A principal referência é sempre a idade cronológica, mas agora um grupo de cientistas da Universidade Yale, nos Estados Unidos, incorporou uma nova e importante variável: a idade real do organismo de cada indivíduo, identificada por – acredite – um simples exame de sangue, que também indica o risco de doenças futuras.

“Dois indivíduos podem ter 50 anos em termos cronológicos, mas um deles pode ter o mesmo risco de morrer de alguém de 55 anos, enquanto o outro tem a mesma expectativa de vida de alguém de 45 anos”, explicaram os pesquisadores Zuyun Liu, Pei-lun Kuo, Steve Horvath, Eileen Crimmins, Luigi Ferruci e Morgan Levine, no estudo publicado na revista científica Biorxiv e divulgado no site da BBC News Brasil.

Para estimar a idade fisiológica do organismo, os pesquisadores utilizaram nove marcadores biológicos, ou biomarcadores, entre os quais o estado dos órgãos, os genes e os níveis de proteínas. Também analisaram 42 aspectos de uma amostra de sangue, como o número de células brancas e o nível de glicose e de albumina, proteína responsável, entre outras funções, pela manutenção dos fluidos corporais. A pesquisa envolveu 11.432 pessoas durante pouco mais de 12 anos e nesse período foram registrados 871 óbitos.

“A idade fisiológica alcançou quase 90% de precisão ao estimar se uma pessoa viveria mais 10 anos ou não. Mas é importante destacar que esse cálculo é relacionado apenas a causas de morte relativas ao envelhecimento. Obviamente, não consideramos mortes acidentais, suicídios e homicídios”, afirmou Morgan Levine, professora de patologia em Yale e coautora do estudo.

Quando considerados todos os grupos de idade, a pesquisa mostrou que o acréscimo de um ano na idade fisiológica, em relação à idade cronológica, é capaz de aumentar a mortalidade em cerca de 9%. Quando a análise é feita por faixa etária, os jovens adultos são as maiores vítimas de deficiências na idade fisiológica: o risco de morte aumenta para 14%. Entre os adultos de meia-idade (40-64 anos), a taxa chega a 10%; e em idosos, a 8%.

A pesquisa também avaliou a expectativa de vida de homens e mulheres de 65 anos em duas condições: quando classificados como saudáveis (por terem idade fisiológica equivalente à cronológica) e como não saudáveis (por terem idade fisiológica mais avançada). Entre os saudáveis, a expectativa de vida variou entre 87 anos para as mulheres e 84 anos, no caso dos homens – sempre lembrando que o estudo envolveu norte-americanos. Ou seja, mais 22 anos de vida para elas e 19 para eles. Já entre as pessoas com idade fisiológica bem mais avançada que a idade cronológica, a expectativa variou de 76 anos (homens) a 78 anos (mulheres) –apenas mais 13 anos para elas e 11 para eles, depois dos 65.

Mais do que tentar prever a idade exata em que a pessoa irá morrer, a metodologia criada pelos pesquisadores de Yale tem o objetivo de prevenir futuros problemas de saúde, principalmente entre as pessoas que apresentam divergência entre a idade cronológica e a idade fisiológica.

“Os tratamentos mais eficientes para doenças crônicas devem ter início o mais cedo possível, de preferência quando a pessoa ainda é um jovem adulto. Nossa pesquisa oferece um método capaz de indicar a necessidade de tratamentos e a eficácia deles até em pessoas jovens que são clinicamente saudáveis. Esse teste pode identificar pessoas em risco mesmo antes de desenvolverem doenças, o que pode facilitar a prevenção”, disse Morgan Levine à BBC News Brasil.

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