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Quando imagem é tudo - literalmente

Um simples raio X pode diagnosticar precocemente uma série de doenças e, com isso, salvar vidas: aproveite o Dia Mundial da Radiologia para saber mais sobre o assunto

08.11.2019 - Por Bayer Jovens

Dias antes de começar a Copa do Mundo Feminina da França, em junho deste ano, a craque brasileira Marta sofria com a incerteza de estrear na competição mais importante do futebol feminino internacional devido a uma lesão na parte posterior da coxa esquerda. Para saber em que condições estava o músculo da perna da camisa 10 e qual tratamento recomendar, Nemi Sabeh Junior, médico seleção, fez a jogadora passar por uma avaliação radiológica e encontrou sinais de cicatrização. Para sanar o processo inflamatório do músculo, submeteu Marta a fisioterapia intensa, com quatro sessões diárias.

O resultado: Marta se recuperou a tempo de se tornar a maior artilheira da história dos mundiais da Fifa, entre homens e mulheres, feito conseguido no jogo em que o Brasil bateu a Itália por 1 a 0, em 18 de junho, e se classificou para as oitavas de final. Talvez isso não tivesse acontecido sem a ajuda da radiologia.

Os exames de raio X foram essenciais no processo de reabilitação da melhor jogadora que o mundo já viu, mas não é só no esporte que esse tipo de exame é importante. Longe disso. As várias técnicas de diagnóstico por imagem oferecidas por essa especialidade médica são cada vez mais imprescindíveis para a rápida e certeira identificação de uma série de doenças.

Tumores em seus estágios iniciais, problemas ósseos, esclerose múltipla, vasos sanguíneos obstruídos, lesões musculares, doenças respiratórias e cardiovasculares, fraturas e uma série de outras enfermidades tão diversas entre si têm algo em comum: todas podem ser identificadas de forma precoce e segura com o uso da radiologia. E não é só isso: a radiologia também é crucial para acompanhar a evolução de doenças e para planejar intervenções cirúrgicas ou determinar tratamentos com mais precisão.

Tudo isso se tornou possível graças a vários cientistas que se dedicaram à tarefa - até então inimaginável - de enxergar o interior de um corpo humano vivo, com destaque para Wilhelm Conrad Roentgen, um físico alemão que, em 1895, revolucionou a medicina ao descobrir o raio X. Por esse feito, Roentgen foi o primeiro a receber o Prêmio Nobel de Física, em 1901. A data em que sua descoberta foi anunciada, 8 de novembro, foi escolhida para celebrar o Dia Mundial da Radiologia, que se destina também a conscientizar as pessoas a respeito da importância do diagnóstico precoce.

Os anos passaram, a tecnologia avançou, os equipamentos evoluíram e atualmente há uma série de modalidades de diagnóstico por imagem além da radiografia convencional, o conhecido raio X. Entres essas técnicas estão a radiologia musculoesquelética (especializada no diagnóstico de lesões do aparelho locomotor), a mamografia (que analisa a anatomia do tecido mamário), a densitometria óssea (que avalia se há perda de massa óssea), a tomografia computadorizada (uma espécie de raio X que enxerga em 360 graus), a ressonância magnética (que produz imagens de cortes finos de tecidos para uma avaliação mais precisa), a ultrassonografia (em que é possível visualizar órgãos internos como a bexiga e o trato gastrintestinal sem o uso de radiação), a medicina nuclear (especialidade médica que utiliza materiais radioativos com finalidade diagnóstica e terapêutica, com exames como o PET Scan e a cintilografia) e a angiografia (utilizada muito em cateterismos, arteriografias e cirurgias endovasculares graças a possibilidade de ver o traçado dos vasos sanguíneos).

Há ainda outro recurso usado pelos radiologistas para tornar o exame de diagnóstico por imagem ainda mais preciso. Trata-se do uso de meios de contrastes, que ajudam o médico a obter maior precisão no diagnóstico, pois eles podem mostrar lesões não visualizadas sem o uso deles. Quando absorvidos pelas células hepáticas, intensificam a diferença entre os tecidos saudáveis e os anormais.

Graças à descoberta de Roentgen e, posteriormente, ao avanço dos equipamentos e das técnicas na área da radiologia, um número incontável de doenças e mortes pôde ser evitado, e mais qualidade de vida foi conquistada, seja pelo diagnóstico precoce e preciso da enfermidade, seja pelo acompanhamento rigoroso de sua evolução, ou ainda pelo planejamento minucioso de seu tratamento.

O brasileiro da abreugrafia
Já ouviu falar em Manuel Dias de Abreu? Provavelmente não, mas saiba que esse médico paulista nascido em 1891 tem muito a ver com o avanço da radiologia. Depois de estudar e trabalhar nessa especialidade na França, ele voltou ao Brasil e começou a pesquisar técnicas de radiografia de tórax e acabou por inventar um método simples e barato de fazer pequenas chapas para o diagnóstico de tuberculose e câncer de pulmão.

A técnica foi reconhecida em 1936 pela Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e adotada mundialmente com o nome de abreugrafia, em homenagem ao seu criador. Abreu chegou a ser indicado para o Nobel em 1950 e teve sua trajetória contada pelo jornalista Oldair de Oliveira na biografia O mestre das sombras – Um raio X histórico de Manoel de Abreu, editado em 2012 pela Sociedade Paulista de Radiologia. Ironicamente, ele morreu de câncer do pulmão, em 1962.