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Previna-se!

Apesar de estabilizada no país nos últimos dez anos, a epidemia avançou entre os jovens

30.11.2018 - Por Bayer Jovens

Nas décadas de 1980 e 1990, muitas pessoas famosas morreram vítimas da Aids: Cazuza, Renato Russo, Anthony Perkins (o Norman Bates de Psicose), Rock Hudson (um dos grandes galãs de Hollywood entre os anos 1950 e 1960), Rudolf Nureyev (um dos maiores bailarinos de todos os tempos), o sociólogo Betinho e seu irmão Henfil (cartunista genial e escritor) e o rapper Eazy-E, entre tantos outros. Recentemente, o tema voltou a ser discutido com mais intensidade após o sucesso de Bohemian Rhapsody, filme que conta a história de Freddie Mercury, o lendário vocalista do Queen, também contaminado pelo vírus HIV.

Previna-se!

Nos últimos anos muito se descobriu sobre a doença e surgiram novos medicamentos que garantem vida melhor aos pacientes, mas um detalhe - talvez o mais importante - ainda é uma incógnita para cientistas do mundo todo: a cura total. Porém, uma questão ainda mais intrigante é a razão pela qual um número imenso de pessoas, jovens na maioria, recusa-se a usar um dos métodos mais simples de evitar a contaminação: a camisinha.

Apesar da gravidade da Aids e das incontáveis pesquisas em busca de uma vacina definitiva, o grau de descuido ainda é alto. Até agora, a epidemia já provocou a morte de 35 milhões de pessoas no mundo. Em 2016, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 1,8 milhão de pessoas foram infectadas, o que significa, em média, uma contaminação a cada 17 segundos. No mesmo ano, as mortes causadas pelo HIV chegaram a 1 milhão. A boa notícia é que, apesar do número ainda muito alto, houve uma redução de quase metade em relação ao 1,9 milhão registrado em 2005.

De qualquer forma, 1 milhão de mortes para uma doença que pode ser evitada é muito coisa. Há várias formas de se proteger do contágio, como usar seringas e agulhas descartáveis e, no caso de profissionais de saúde, utilizar luvas ao manipular feridas e líquidos corporais e testar previamente sangue e hemoderivados para transfusão. Gestantes soropositivas devem usar antirretrovirais durante a gravidez, para prevenir a transmissão vertical, e evitar amamentar seus filhos. No entanto, usar camisinha em todas as relações sexuais é a principal forma de se proteger, e a mais simples.

No Brasil, estima-se que 830 mil pessoas vivam com HIV e uma pessoa é contaminada pelo vírus a cada 15 minutos. A média de casos é de 20,7 ocorrências por 100 mil habitantes, de acordo com o Ministério da Saúde, que ainda informa que a taxa de detecção da doença no país tem se estabilizado nos últimos dez anos. Ponto para nós? Não há muito a comemorar, pois, em contrapartida, a epidemia avançou entre alguns grupos etários. No caso dos adolescentes, apesar de nove em cada dez com idade entre 15 e 19 anos saberem que a camisinha é o melhor jeito de evitar o HIV, seis em cada dez admitiram não ter usado preservativo em alguma relação sexual no último ano, de acordo com pesquisa do Ministério da Saúde divulgada em 2017.

Outro estudo, este do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, publicado no UOL, mostrou que entre 2006 e 2015 a taxa de infectados explodiu nas faixas de 15 e 19 anos, passando de 2,4 para 6,9 a cada 100 mil habitantes - uma variação preocupante de 187,5%. Entre 20 e 24 anos, a alta foi de 108%, de 15,9 para 33,1 infectados. E entre 25 e 29 anos a taxa subiu de 40,9 para 49,5 a cada 100 mil habitantes, com elevação de 21%. Entre os idosos, o número de casos aumentou 29,4%, entre 2014 e 2015, de 771 para 998 novos casos.

Os especialistas apontam vários motivos para o aumento de casos nos jovens, entre os quais estão: a falta de informação e de educação sexual, ausência de campanhas mais criativas e modernas em outros canais que não a TV, além de certa banalização quanto ao tratamento da doença. Para Adele Benzaken, diretora do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, a culpa é também dos profissionais de saúde. “Ficamos animados com o tratamento fantástico e os benefícios dos novos remédios apareceram mais do que a preocupação com a transmissão”, afirmou em matéria do UOL.

Um desses medicamentos é a PrEP, sigla de profilaxia pré-exposição, uma terapia disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde dezembro de 2017. A PrEP não barra a entrada do vírus no organismo, mas impede sua multiplicação nas células de defesa, caso haja a contaminação.

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