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Por que o tempo parece voar

As 24 horas do dia são iguais para todo mundo, mas fatores como idade, tecnologia e diversão dão a impressão de que o tempo passa cada vez mais rápido

12.01.2018 - Por Bayer Jovens

Um dia tem 24 horas, 1.440 minutos e 86.400 segundos. Em 2018, em 1918 ou em 1818. Mesmo na época em que ele não era medido com a exatidão de hoje, o tempo é sempre o mesmo. Porém, nossa percepção em relação a isso, de uns tempos para cá, mudou drasticamente. Hoje – diferentemente dos nossos avós ou bisavós, que faziam tudo com mais calma, ou pelo menos assim parece –, temos a impressão de que faltam horas no dia para realizar todas as tarefas a que nos propomos, porque o tempo parece passar rápido demais.

Essa impressão de que o tempo voa vem intrigando também os cientistas, que buscam explicações para o fenômeno. No ano passado, o Nobel de Medicina foi para três pesquisadores norte-americanos que desvendaram os mecanismos do ritmo circadiano, ou, em português claro, o relógio biológico interno dos seres vivos. Ainda em 2017, a França sediou a primeira conferência do Timing Research Forum, uma sociedade acadêmica que faz pesquisas a respeito do tempo e de sua percepção. No Brasil, a Universidade Federal do ABC (UFABC) possui um laboratório dedicado a essa mesma área de estudo.

Já que o tempo é o mesmo hoje e ontem, por que em alguns momentos achamos que ele se arrasta tão vagarosamente, geralmente quando estamos entediados, e em outros voa de um jeito que temos certeza de que “alguém” roubou alguns minutos do nosso dia? Veja a seguir algumas explicações.

  • O paradoxo das férias

    É a variação da percepção que temos do tempo em diferentes momentos: quando vivemos uma experiência e quando lembramos dela. Isso costuma acontecer durante as férias ou naqueles fins de semana agitados. Fazemos tantas coisas diferentes e agradáveis que o tempo parece voar. Mas ao olhar no relógio vemos que ainda há muito dia para curtir. Da mesma maneira que o dia passa rápido quando fazemos coisas, ele passa devagar quando lembramos o que foi feito.

    Complexo, não? O contrário também acontece: naquele domingo que bate o maior tédio e você não tem vontade de fazer nada, o dia parece não acabar nunca. Mas, de repente, ele termina e a sensação que fica é de que o dia voou e você não fez nada. “Quando falamos de tempo, esbarramos em muitos processos cognitivos. De qualquer forma, o que quer que o cérebro esteja fazendo, não há nada parecido com um relógio nessa atividade”, afirma André Cravo, coordenador do Laboratório de Cognição Humana da UFABC, em entrevista ao site da BBC Brasil.

  • Quanto mais velho, mais rápido o relógio anda?

    Há quem acredite que a proporção entre a idade e o tempo que teoricamente temos pela frente pode explicar a diferença na percepção do tempo. Por exemplo, quando criança temos pouca experiência do passado e muitos anos pela frente e o tempo e os dias parecem ser infinitos. Aos 50, a sensação de finitude é mais presente e a sensação de que o tempo está acabando se acentua. E o tempo voa, pois ainda há muito a ser feito em pouco tempo. Porém não é todo mundo que concorda com essa teoria. Claudia Hammond, psicóloga e autora do livro Time Warped: Unlocking the Mysteries of Time Perception (Tempo distorcido: decodificando os mistérios da percepção do tempo, em tradução livre), sem versão em português, argumenta que “a idade é muito importante, mas a proporcionalidade não é a explicação para o que de fato está ocorrendo. O que acontece é que nos lembramos melhor de coisas que vivemos entre os 15 e 25 anos. É nessa fase que construímos nossas identidades e experimentamos várias coisas pela primeira vez. Essas experiências nos marcam e fazem com que esses períodos pareçam mais longos”.

  • Sugadores do tempo

    De acordo com os especialistas, a tecnologia adora “roubar” o nosso tempo. Do mesmo modo que nos dá ferramentas para acelerar e facilitar processos, deixa tudo numa velocidade exagerada e angustiante. E nós ficamos com a sensação de que o problema é nosso, por não conseguir acompanhar tudo que surge de novidade. Outro ladrão de tempo é o hábito de navegar na internet e de acessar as redes sociais. Tudo o que nos distrai altera a percepção do tempo. Quem nunca acessou o Facebook – para ficar 5 minutinhos – e se assustou ao notar que perambulou pela rede por quase uma hora inteira?

    O certo é que a correria e a velocidade dos dias atuais geram angústia e desconforto em relação ao tempo, e isso leva muita gente a ter nostalgia da suposta calmaria do passado, mesmo que não seja bem assim. Um jeito de desacelerar um pouco é incluir na rotina diária momentos para se desligar de toda a agitação. Meditação, longas caminhadas, ioga, uma refeição tranquila com amigos ou familiares e, talvez o mais difícil, a decisão de dar uma pausa na televisão, no celular e na internet são algumas maneiras de relaxar – nem que seja só por alguns minutos, mas para que você possa desfrutar um tempo valioso consigo mesmo.