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Plantio direto: pioneirismo e importância dessa boa prática agrícola

Os produtores rurais que dedicaram esforço e talento para implantar no Brasil uma técnica revolucionária de conservação do solo

15.04.2019 - Por Bayer Jovens

No início do século 20 predominava a ideia de que o solo é indestrutível, “o único bem natural que não pode ser exaurido”, como afirmavam alguns ditos especialistas. Por isso, quando o jovem agrimensor Hugh Hammond Bennet passou a contrariar essa crença, não foi levado a sério. Recém-formado, em 1905, Bennet havia sido contratado pelo Departamento de Agricultura do governo dos Estados Unidos para participar de uma pesquisa de campo, e logo percebeu a relação direta entre a erosão e a qualidade do solo. Então, apesar do descrédito geral, dedicou-se ao tema de corpo e alma, escreveu livros, liderou estudos importantes, foi indicado para cargos oficiais e, no fim da vida, era chamado com justiça de “pai da conservação do solo”.

Bennet nasceu em 15 de abril e, em homenagem a seu trabalho, desde 1989 essa data é, no Brasil, o Dia Nacional da Conservação do Solo, criado para destacar a necessidade se proteger esse bem indispensável à vida. Com o mesmo objetivo, também são celebrados o Dia Mundial do Solo, em 5 de dezembro, e o Dia Internacional da Mãe Terra, em 22 de abril, mas o 15 de abril é especial, por tratar especificamente da conservação do chão do qual tiramos todo o nosso alimento.

Assim como ocorreu com Hugh Bennet em seu país, por aqui alguns pioneiros também fizeram história ao adotarem práticas agrícolas de controle da erosão que tiveram um enorme impacto na agricultura. É o caso do plantio direto, em que são dispensadas as etapas de aração e gradagem (quando são desfeitos os torrões que ficam depois da passagem do arado) e o solo fica protegido por uma cobertura de palha e outros restos vegetais da colheita anterior.

Parece simples demais, mas, de acordo com um estudo de técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), essa cobertura protege o solo do impacto direto das gotas de chuva, do escorrimento superficial e das erosões hídrica e eólica. Segundo a Embrapa, “devido à drástica redução da erosão, o plantio direto reduz o potencial de contaminação do meio ambiente e oferece ao agricultor maior garantia de renda, pois a estabilidade da produção é ampliada na comparação com os métodos tradicionais de manejo de solo”. O estudo afirma ainda que o preparo do solo se limita ao sulco de semeadura, “procedendo-se à semeadura, à adubação e, eventualmente, à aplicação de herbicidas em uma única operação”.

Essa série de benefícios resulta em redução de custos e aumento da produtividade, mas, sobretudo, representa uma das técnicas mais eficazes de proteção do solo. É uma tecnologia conservacionista, que chegou ao Brasil na década de 1970 e, 20 anos depois, começou a ser adotada em larga escala. Entre os precursores do plantio direto se destacam três agricultores paranaenses: Herbert Bartz, Franke Dijkstra e Manoel Henrique Pereira, que em 2015 se tornaram os personagens principais de um livro editado pela Itaipu Binacional.

Com texto de Dimitri Valle e coordenação editorial de Paulino Motter e Herlon Goelzer de Almeida, Plantio direto: a tecnologia que revolucionou a agricultura brasileira conta a história desses três pioneiros e da obstinação deles em adotar o sistema no Paraná e divulgar suas vantagens Brasil afora, apesar da desconfiança da maioria dos produtores. Com imaginação e criatividade, eles fundaram o Clube da Minhoca, que depois se transformaria na Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha.

O que se costumava fazer na época era queimar a palha da cultura de inverno e revolver o solo para a cultura de verão, e o que os três propunham era exatamente o contrário: cultivo sem revolvimento do solo, rotação de culturas e cobertura vegetal permanente. O trabalho foi iniciado por Bartz, que conheceu a técnica em viagens aos Estados Unidos e à Europa, em 1972, e foi o primeiro a implantá-la no Brasil, em sua fazenda em Rolândia (PR). Em 1979, Dijkstra e Pereira também adotaram o sistema e, em pouco tempo, conseguiram reduzir em até 95% as perdas provocadas pela erosão do solo.

Bartz recorda que a decisão de buscar uma solução para os prejuízos causados pela erosão surgiu durante uma tempestade forte, quando vistoriava sua plantação à noite, de lanterna e botas de borracha: “Naquele momento, quando vi pedaços de terra e planta rodando com a erosão, achei que estava testemunhando o dilúvio. Voltei para casa com um lema na cabeça: ou saio disso ou tenho que parar de fazer agricultura”. Para a sorte da agricultura brasileira, ele não saiu e, em sua busca, descobriu o plantio direto.

Para conhecer melhor a história de Herbert Bartz, Franke Dijkstra e Manoel Henrique Pereira e os detalhes dessa prática agrícola, baixe aqui a íntegra do livro Plantio direto: a tecnologia que revolucionou a agricultura brasileira, em PDF. Para entender melhor a importância da saúde do solo, releia a entrevista de Daniel Perez, gestor da Embrapa Solos, com mestrado em ciência do solo e doutorado em química analítica, publicada aqui mesmo em Bayer Jovens. Para completar, veja este vídeo da série “Ser agro é bom”, em que Dijkstra mostra sua fazenda Frankanna e fala de sua paixão pela agricultura sustentável. “A alegria que se sente quando achamos uma solução para uma agricultura duradoura é fantástica”, disse o agricultor.