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Para não perder o foco

Especialista em mindfulness destaca a importância do “aqui e agora” e ensina dois exercícios simples para melhorar a concentração

13.04.2018 - Por Bayer Jovens

Está cada vez mais difícil se concentrar em uma única coisa, tantas são as distrações e as tarefas “para ontem”. E, de acordo com alguns estudos, essa dificuldade tende a piorar à medida que o profissional evolui na carreira e assume responsabilidades maiores, sem contar os constantes apelos da internet e das redes sociais.

Foco

Por isso concentração e foco se tornam atributos cada vez mais valorizados, assim como técnicas como as de mindfulness, que significa atenção plena, ou consciência plena - um conceito que, por ser muito amplo, ainda costuma ser mal entendido. Mindfulness é tanto um elemento essencial na meditação budista como uma técnica utilizada em psicologia comportamental e no mundo corporativo. Trata-se, basicamente de se concentrar no “aqui e agora”, no que acontece no presente, sem deixar a mente divagar e se distrair.

Nas grandes empresas, a prática de mindfulness tem sido amplamente estimulada para melhorar a atenção, o bem-estar e a saúde de seus profissionais, por atuar também como um inibidor do estresse, da ansiedade e da depressão. E há motivos para esse estímulo. De acordo com o instituto de análise de pesquisas Statistic Brain, dos Estados Unidos, a média de atenção total de uma pessoa caiu de 12 segundos em 2000 para 8,25 segundos em 2015. O mesmo estudo revela que, por hora, um profissional no escritório verifica 30 vezes sua caixa de entrada de e-mails, o que resulta em perda de produtividade.

No Brasil já existem especialistas em mindfulness, como o médico Marcelo Demarzo, coordenador de um curso de pós-graduação no tema na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e fundador do Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde. Ele diz que a necessidade de ser um profissional multitarefas requer mudanças rápidas no foco da atenção, o que é cansativo e estressante e compromete a eficiência, pois a mente precisa de um tempo de latência para se concentrar totalmente.

“Quando a atenção é interrompida, demoramos até dez vezes mais para nos concentrarmos novamente”, disse Demarzo em entrevista à Exame. Para manter o foco, o especialista propõe dois exercícios simples, a serem feitos regularmente, em ambiente tranquilo.

O primeiro se desenvolve em três etapas: de olhos fechados, a pessoa deve conduzir a atenção para o corpo - braços, pés, pernas, rosto, cabeça e assim por diante. O segundo passo é concentrar-se na respiração e nas sensações e nos movimentos envolvidos. Por último, a atenção deve se voltar de novo para o corpo e para a percepção de cada uma de suas partes.

O segundo exercício consiste em transformar o corpo no ponto de atenção, ou em uma âncora, na definição de Marcelo Demarzo, como meio de redirecionar a atenção. Porém, nesse caso, é preciso deixar a mente divagar livremente e, quando se percebe uma distração, trazê-la de volta ao corpo, quantas vezes forem necessárias.

Mindfulness, em outras palavras, significa atenção absoluta ao que acontece no momento exato, sem ficar apegado ao passado nem se projetar no futuro. É, na verdade, a única oportunidade de vida tão destacada pelos filósofos e poetas - o instante atual é só o que existe. Gilberto Gil disse que “o melhor lugar do mundo é aqui e agora”, querendo dizer que é o único em que podemos agir de fato. Caetano Veloso, mais concreto, propôs: “Esteja cá já”. Isso é mindfulness.