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Os riscos da maternidade precoce na vida dos jovens

Pela primeira vez no Brasil, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência promove ações educativas sobre saúde reprodutiva

01.02.2019 - Por Bayer Jovens

Ter um filho é um dos acontecimentos mais importantes da vida, que pode se transformar em um pesadelo quando a gravidez não é planejada. No Brasil, isso acontece com uma frequência alarmante e, por isso, o governo federal aprovou pela primeira vez no país a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, com o objetivo de conscientizar os jovens. Os dados mais atualizados do Ministério da Saúde mostram que em apenas um ano, em 2015, foram registrados no país nada menos do que 546 mil partos em mães com idade entre 10 e 19 anos, principalmente nos estados do Nordeste (180 mil) e do Sudeste (179 mil), que responderam por 65% do total de nascimentos nessa faixa etária.

Esses números explicam em parte os resultados de uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde segundo a qual a América Latina e o Caribe têm a segunda maior taxa mundial de gravidez entre adolescentes, depois apenas da África Subsaariana. O mais grave é que, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, a probabilidade de uma garota com menos de 15 anos morrer em decorrência da gestação é de 1 em 180 nos países em desenvolvimento (o nosso caso) e de 1 em 4.900 nos países desenvolvidos.

O Ministério da Saúde também alerta que a gravidez é mais perigosa quando a gestante tem menos de 15 anos e, de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas*, 1 a cada 5 meninas brasileiras engravida antes dos 20 anos. “O corpo de uma mulher está preparado para a gravidez dois anos após a primeira menstruação, e essa gravidez deve ser acompanhada mensalmente no pré-natal”, afirma a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério, que também traz outras informações importantes para as adolescentes.

Segundo os especialistas, a gravidez não planejada de adolescentes já é classificada como uma questão de saúde pública e se deve, principalmente, à falta de informações a respeito dos métodos contraceptivos. No Brasil, esse desconhecimento atinge quase 70% das pessoas das classes C, D e E. Para estimular a discussão do tema, o governo federal sancionou no início de janeiro a Lei 13.798, que criou a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, celebrada “na semana que incluir o dia 1º de fevereiro”. O objetivo é “disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência”.

Quando se fala em métodos contraceptivos logo são lembradas a camisinha e a pílula anticoncepcional, realmente práticas e eficazes, mas existem outras maneiras de evitar a gravidez, como os métodos de longa duração, comprovadamente mais efetivos. Estes são chamados de LARCs, sigla de long-acting reversible contraceptives, ou anticoncepcionais reversíveis de ação prolongada, que incluem, entre outros procedimentos, o implante subcutâneo, o DIU de cobre e o DIU hormonal.

Uma das vantagens dos LARCs, segundo os médicos que os recomendam, é o fato de não dependerem de uma iniciativa dos parceiros no momento da relação sexual. O mais importante, contudo, é a necessidade de assegurar às adolescentes a capacidade de escolha, entre alternativas de resultado comprovado. Thais Ushikusa, ginecologista e obstetra da Bayer, afirma: “É preciso apresentar todos os métodos disponíveis de contracepção quando se orienta uma adolescente, incluindo nessa lista os DIUs de cobre e hormonal e os implantes”.

Segundo a médica, atualmente “os LARCs são considerados a primeira linha de escolha contraceptiva, inclusive para adolescentes, por terem as maiores taxas de continuidade e satisfação entre todos os métodos contraceptivos reversíveis, sendo mais eficazes e seguros para uso nesse grupo. Infelizmente, ainda não é comum que os médicos recomendem esses métodos para suas pacientes, o que faz com que as jovens prefiram a pílula e a camisinha”.

A inclusão dos implantes e DIUs como opções contraceptivas para adolescentes é recomendada também pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), que cita uma pesquisa de 2014, com 24 mil mulheres no período pós-parto, para alertar: “O número total de gravidezes não planejadas no Brasil atinge 55,4% das parturientes. Entre adolescentes os números são mais alarmantes: de 60% a 83,7% das primeiras gestações não foram planejadas”.

Segundo a Febrasgo, essas estatísticas mudariam se os LARcs fossem mais conhecidos e recomendados, e isso depende em grande parte da divulgação em maior escala dessas informações e do próprio sistema público de saúde. Por exemplo, o DIU de cobre está disponível no SUS, mas raramente é oferecido.

Um estudo feito na Washington University, nos Estados Unidos, comprovou que, depois de receberem informações médicas a respeito de todos os métodos de contracepção existentes, 69% das adolescentes escolheram os LARCs. Essa possibilidade de escolha é uma questão de vital importância e deveria ter destaque na pauta da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que acontece pela primeira vez no país neste início de fevereiro.

* Fecundidade e maternidade adolescente no cone sul: anotações para a construção de uma Agenda Comum. UNPFA, 2016