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Quem faz o agro

Os reis da produtividade de soja

Conheça os irmãos Bortoli, que venceram o Desafio CESB ao conseguirem a incrível marca de 123,88 sacas por hectare

29.08.2019 - Por Bayer Jovens

No mundo, a maior média de produtividade de soja é obtida pelos produtores norte-americanos, com 58,33 sacas de 60 kg por hectare na safra 2018-19, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O Brasil ocupa um honroso segundo lugar, com média de 56,17 sacas por hectare, seguindo-se a Argentina (50 sacas), a União Europeia (48,33) e o Canadá (47,67). São resultados espetaculares e, por isso mesmo, soa como quase inacreditável a proeza conseguida por dois irmãos de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, que colheram nada menos do que 123,88 sacas por hectare, o que significa 11,54 sacas a mais do que o dobro da média dos Estados Unidos.

Grãos de Soja

Os autores da façanha são Maurício e Eduardo de Bortoli, os grandes campeões na categoria irrigada nacional da 11ª edição do Desafio CESB de Máxima Produtividade de Soja, uma competição nacional promovida pelo Comitê Estratégico Soja Brasil, com o apoio da Bayer. A cada ano o desafio recebe mais de 5 mil inscrições de sojicultores que disputam o título palmo a palmo, em busca desse reconhecimento. O resultado é obtido pela medição de uma área controlada de 5 a 10 hectares, dentro de um mesmo talhão (a unidade mínima de cultivo), com a mesma variedade e o mesmo sistema de produção, com plantio e colheita mecanizados e boas práticas agrícolas, ambientais, sociais e trabalhistas.

Maurício e Eduardo compõem a terceira geração de uma tradicional família de agricultores de origem italiana e cultivam 7.340 hectares de soja, 1.020 de milho e 1.200 de trigo, em uma propriedade com 10.020 hectares, que destina também 1.010 hectares à pecuária. Na área total, a produtividade média de soja da fazenda dos Bortoli atinge 72,6 sacas por hectares, o que significa uma evolução constante, já que há apenas quatro anos a média era de 52,5 sacas por hectare.

Maurício e Eduardo

E nada disso aconteceu por acaso. Os irmãos Bortoli são altamente técnicos e organizados. Mantêm um relacionamento crescente com a Bayer, não tiram os olhos da plataforma Climate FieldView da empresa, aderiram de corpo e alma à biotecnologia e às ferramentas digitais e sempre adotaram práticas conservacionistas como plantio direto, rotação de culturas, ausência de revolvimento do solo e diversidade de culturas.

“É um prêmio importante que enaltece o nosso trabalho, uma honra para a família, pois reconhece as boas práticas agrícolas que a gente vem aplicando na propriedade há vários anos. Isso prova que fazer o básico bem feito dá resultado sim, e consegue elevar os níveis de produtividade, superando até mesmo as adversidades do clima, em uma região muito desprovida de chuvas frequentes”, diz Maurício de Bortoli. Ele afirma que a produtividade “é uma construção”, baseada em três pilares: uma boa genética, o domínio e o conhecimento do ambiente de cultivo e a aplicação de boas práticas de manejo.

Para Maurício, o que mais tira o sono do agricultor é o clima, que ninguém consegue dominar: “Porém, realizando ações de preservação do solo, de cobertura, de manutenção de um solo mais homogêneo fisicamente e caprichando mais na parte de fertilidade, você consegue superar essas adversidades climáticas e, mesmo em um ambiente não tão favorável ao cultivo, atingir produtividades acima da média”.

No dia a dia da fazenda, Maurício também adotou como regra de outro a ideia de “trocar a opinião pela informação”, ou seja, recorrer cada vez mais à tecnologia e às plataformas digitais para tomar decisões estratégicas. Afirma que na atual safra quebrou “pelo menos dez paradigmas”, como o conceito de plantio alternado: “Muitos produtores tentaram conquistar o título do CESB aumentando o número de plantas no campo. E a gente percebeu que isso não é uma prática replicável nem traz aumento de produtividade. O que traz é o plantio preciso, em linha, arranjando melhor as plantas no ambiente, para que elas por si só produzam sem precisar adensar”.

Da mesma forma, ele não acha que o exagero na adubação resulta em produtividade. “Se você fornecer os nutrientes de forma correta e na dose de que a planta precisa para se transformar em grão, não é preciso adubar demais o solo, e sim buscar o equilíbrio. Acho que uma das coisas mais importantes para obter a alta produtividade é deixar o ambiente em equilíbrio”, ele diz.

O irmão, Eduardo, destaca o uso de ferramentas digitais na busca pela alta produtividade e cita recursos como o NDVI, sigla em inglês para Normalized Difference Vegetation Index, ou índice de vegetação da diferença normalizada, um tipo de mapeamento de áreas agrícolas que utiliza sensores remotos para monitorar as condições de campo. “As tecnologias digitais têm nos ajudado bastante nas tomadas de decisão. Utilizamos ferramentas como NDVI e cruzamento dos mapas de satélite com os nossos mapas de fertilidade para encontrar as zonas de alta produtividade e ser mais assertivos”, afirma Eduardo.

Maurício concorda e diz ser entusiasta do agronegócio 4.0, que ele resume em uma frase: dados orientando decisões e decisões gerando resultados. “Acho que o principal benefício das plataformas digitais é conseguir trazer para um ambiente mais analítico o que antigamente era feito na forma de observação. Então a gente consegue cruzar um mapa de fertilidade com um mapa de NDVI, mais um mapa de produtividade. Ou seja, com três camadas de mapas você se torna mais assertivo porque passa a dominar mais o ambiente produtivo, e dali você tira a receita do sucesso para tentar replicar para outros talhões”, ele explica.

Com esse gosto pela tecnologia aplicada, os irmãos Bortoli são fãs incondicionais da plataforma Climate FieldView da Bayer, a ponto de Maurício arriscar um trocadilho: “Se você não viu, o FieldView”. Brincadeiras à parte, ele conta que aplica a plataforma para monitorar 100% da propriedade: “Vou fazer uma analogia em relação à ferramenta. Se eu entrasse na minha casa hoje de olhos abertos seria igual entrar com o FieldView ligado. Se eu entrar na minha casa hoje com os olhos vendados, eu chegaria a todos os lugares que quero, porém teria extrema dificuldade em acessá-los porque eu não estaria enxergando. Então eu acho que o FieldView aumenta mais o meu campo de visão e de ação sobre minha propriedade e me deixa mais assertivo e mais racional”.

Aos agricultores brasileiros em geral, o campeão da produtividade de soja tem uma receita a recomendar: “O produtor deve se convencer de que existem duas maneiras para seguir no agro: fazer o fácil, ou fazer o certo. Obviamente, fazer o fácil é muito mais confortável, você gasta menos energia, e fazer o certo é um pouco mais desconfortável, porque você tem que pensar um pouco diferente e sair desse mundo trivial e ir para um mundo mais desafiador. Quem consegue se desafiar e sair da zona de conforto alcança um resultado melhor. Então o recado que deixo aos produtores é fazer o certo, é buscar se desafiar e implantar novas tecnologias, porque o benefício vem sim, no curto, no médio ou no longo prazo”.

Maurício acrescenta: “Hoje o produtor pode sim ter muito mais informação do que opinião, porque cada um de nós deve ser um pesquisador nato, deve ser muito curioso, buscar as tecnologias e adquirir mais informação para conseguir ser mais assertivo no campo. E dessa forma, combinando o feeling profissional com mais informação digital, a gente vai conseguir produzir mais, com toda certeza”.

Bayer Jovens