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Os homens mentem mais

Pesquisa descobre que, em busca de “likes” nas redes sociais, eles são mais propensos a falar mal dos outros e a divulgar indiscrições

19.05.2017 - Por Bayer Jovens

Você sabe que hoje se faz pesquisa para tudo e algumas delas têm pouca valia, enquanto outras revelam dados surpreendentes que chegam até a mudar "verdades" longamente aceitas. É nessa última categoria que se coloca um curioso estudo feito pelo Kasperski Lab, um provedor de softwares de segurança para a internet com sede na Rússia, que contraria a ideia de que fofoca é coisa de mulher.

O objetivo central da pesquisa era verificar até que ponto a autoestima das pessoas depende de "likes" em seus posts nas redes sociais, mas alguns resultados surpreenderam e chamaram mais atenção. Por exemplo, 14% dos homens confessaram que já fingiram estar em algum lugar em que não estiveram ou publicaram algo que não era exatamente verdade, enquanto apenas 9% das mulheres admitiram esse comportamento. Entre os homens, 15% disseram que são capazes de postar a foto de um amigo alcoolizado fazendo algo inapropriado, ante 8% das mulheres.

Outras indiscrições também parecem ser uma prática mais masculina do que feminina: 13% dos homens são capazes de postar uma foto deles alcoolizados, para um percentual de 7% entre as mulheres, e 14% dos entrevistados do sexo masculino são capazes de revelar um segredo embaraçoso de um colega de trabalho, o que só 8% das mulheres disseram-se dispostas a fazer.

De maneira geral, a pesquisa mostrou que um em cada dez usuários de redes sociais mente para impressionar amigos, colegas e até mesmo estranhos. Em busca de popularidade, cuja medida é o número de "likes" em seus posts, as pessoas estão dispostas a deixar de lado questões éticas e até prejudicar um amigo com fofocas ou revelação de segredos, só para parecerem "engraçadinhas".

Essas práticas se mostraram tão comuns que já surgiu um neologismo, likeaholic, para designar os fanáticos por aprovação no mundo virtual - o que, diga-se de passagem, é uma classificação nada elogiável, já que está do lado oposto da segurança e da autoestima. O próprio Kasperski Lab criou um quiz para detectar o grau de dependência de "likes" de cada pessoa.

Em resumo, o que a pesquisa indicou é que os homens parecem estar dispostos a ir mais longe do que as mulheres na busca de popularidade e aprovação virtual. Eles também ficam mais chateados quando seus posts recebem poucos "likes" (24%, para 17% das mulheres).

O estudo vai mais longe para mostrar que a internet facilitou nossa vida e resolveu muitos problemas, mas, ao mesmo tempo, criou outros. Entre os fatores negativos estão os relacionamentos pessoais. Boa parte dos entrevistados revelou que a rede reduziu o contato físico com os pais (31%), com os filhos (33%), com os parceiros (23%) e, sobretudo, com os amigos (35%), substituído pelo relacionamento virtual. E pior: 21% disseram que o relacionamento com os filhos piorou quando foram expostos a situações comprometedoras nas redes sociais e 16% admitiram que o relacionamento com o parceiro foi prejudicado por um post infeliz.

A pesquisa do Kasperski Lab não abordou a questão dos haters, os propagadores do ódio contra quem não pensa como eles - tema para outras matérias, de tão extenso que é -, mas o resultado que obteve estimula um olhar diferente para as redes sociais. Entre os entrevistados 58% confessaram que se sentiram desconfortáveis e chateados quando os amigos postaram fotos indiscretas deles ou contaram coisas que eles não queriam que fossem divulgadas. A conclusão lógica: é preciso rever a importância de um "like", que em geral é insignificante, e pensar muito, mais de uma vez, na hora de publicar qualquer coisa que envolva outra pessoa.