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Inovação

Os espiões de celulares

Conhecidos como stingrays, dispositivos invasores funcionam como se fossem uma torre falsa de telefonia para interceptar ligações e mensagens

05.06.2018 - Por Bayer Jovens

Mais do que um meio de fazer ligações, gerenciar e-mails, entrar ns redes sociais e passar o tempo com joguinhos e aplicativos, o seu smartphone também pode espionar você - se alguém ou alguma autoridade quiser. Com o uso de dispositivos conhecidos como stingrays, que simulam o funcionamento de torres de telefonia, os invasores podem rastrear seu celular e capturar ligações e mensagens.

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É sério, mas acontece, pode acreditar, e nem sempre de maneira ilegal. Nos Estados Unidos, por exemplo, os órgãos de segurança têm autorização para utilizá-lo. Do tamanho de uma pasta, o stingray pode ser instalado em diferentes lugares: na parte de baixo de um carro, perto de prédios do governo ou até em aeronaves de pequeno porte.

Stingray, no início, era a marca de um tipo de interceptor IMSI (sigla em inglês para “identidade internacional do assinante de um celular”), mas acabou se tornando o nome genérico de dispositivos de vigilância que se passam por uma torre falsa de telefonia para capturar a localização e outros dados de telefones móveis. Versões mais sofisticadas fazem com que o celular se conecte à internet por meio de uma conexão 2G e, com isso, se tornam capazes até de ouvir e gravar as ligações.

De acordo com Jane Wakefield, especialista em tecnologia da rede britânica BBC, os stingrays são usados há vários anos e fazem parte do arsenal do FBI, a polícia federal norte-americana. Mesmo assim, seu uso preocupa a opinião pública e o governo dos Estados Unidos há algum tempo, embora as agências de inteligência não se pronunciem a respeito. Pelo menos até março passado, quando o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS na sigla em inglês) respondeu a uma carta do senador Ron Wyden - que pedia explicações às autoridades sobre esse tipo de dispositivo - em que afirma ter identificado o uso desses aparelhos em Washington, em 2017.

Mais especificamente, o DHS reconheceu que foram “observadas algumas atividades fora do comum na região da capital do país que pareciam estar relacionadas com interceptores IMSI”, como mostrou reportagem da BBC Brasil. No entanto, o departamento alegou que não conseguiu “confirmar ou atribuir essa atividade a entidades ou a dispositivos específicos”.

O problema com essa tecnologia é ela pode ser usada tanto por órgãos de segurança para coletar dados de suspeitos - e mesmo assim afetar cidadãos comuns - quanto por invasores não autorizados, como governos estrangeiros, espiões e criminosos. Nathan Wessler, advogado da União Americana para Liberdades Civis (ACLU, em inglês) - a organização que monitora o uso dos stingrays por parte de forças policiais dos EUA -, alerta que “essa tecnologia levanta sérias questões no âmbito da Quarta Emenda (os regulamentos que protegem o direito à privacidade e o direito de não sofrer uma invasão arbitrária)”.

Uma forma de se proteger dos stingrays é codificar ao máximo as formas de comunicação do celular por meio de sistemas avançados de autenticação (pela íris ou pelas digitais) e de serviços de mensagem ultrasseguros, como o Signal, usado e recomendado por Edward Snowden, o ex-analista da CIA que denunciou o sistema de vigilância e os atos de invasão da NSA, a Agência de Segurança Nacional norte-americana, e provocou um escândalo mundial.