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Os criadores de idiomas

Tolkien e Martin são os mais conhecidos, mas há outras pessoas geniais que inventaram línguas perfeitamene plausíveis

14.05.2018 - Por Bayer Jovens

A língua é, provavelmente, o principal traço de identificação de um povo e de uma cultura. “Minha pátria é minha língua”, disse Caetano Veloso em sua música chamada justamente Língua, referindo-se à frase “minha pátria é a língua portuguesa”, do português Fernando Pessoa. E é preciso muito tempo, centenas de anos ou mais, para seja criado e consolidado um idioma ou um dialeto natural.

Linguagem

Na ficção, no entanto, existe um punhado de escritores e linguistas geniais que, aparentemente do nada, conseguem criar um vocabulário quase completo para enriquecer livros, filmes e séries que, por sua vez, conquistam milhões de pessoas e influenciam a cultura contemporânea. Mesmo fora do universo nerd, há muita gente que não se surpreende ao encontrar uma frase em quenya, sindarin, dothraki, klingon, ofidioglossia ou na’vi. Todos esses idiomas são inventados e ninguém os fala na vida real, mas possuem substantivos, adjetivos, verbos, pronomes e, às vezes, até caracteres próprios.

Linguagem

Alguns de seus criadores são bem conhecidos, como John Ronald Reuel Tolkien, ou simplesmente J. R. R. Tolkien, um britânico nascido na África do Sul, que morreu aos 81 anos em 1973 e escreveu clássicos de fantasia como O senhor dos anéis e O hobbit. Para tornar esses livros ainda mais interessantes e dar densidade a seus personagens mágicos, Tolkien criou o quenya e o sindarin, idiomas falados na Terra Média que, hoje, têm alfabeto, dicionários e até cursos para quem é fã de verdade e está disposto a aprender as “línguas élficas”.

Com o mesmo espírito, às vezes inspirados pela espantosa criatividade de Tolkien, outros autores e linguistas aceitaram o desafio de inventar idiomas e tornar mais divertidas e interessantes algumas das obras de ficção de que mais gostamos. A seguir, conheça alguns deles.

  • George R. R. Martin e David J. Peterson
    Batizado como George Raymond Richard Martin, esse escritor norte-americano de 69 anos lançou em 1996 o primeiro livro da série As crônicas de gelo e fogo, uma fantasia épica que conquistou o mundo. Os livros logo chegaram ao topo das listas dos mais vendidos, e o sucesso se tornou ainda maior quando a HBO estreou, em 2011, a primeira temporada de Game of Thrones, ou, simplesmente, GoT. Martin criou a base do dothraki, o idioma fictício de GoT, e depois, para aperfeiçoar o idioma, pediu a ajuda do linguista David Joshua Peterson.

    Aos 37 anos, pouco mais da metade da idade de Martin, o californiano Peterson é um autêntico criador de línguas artificiais, um talento raro que chegou a construir um sistema numérico completo para a série Defiance, do canal SyFy, que lançou os idiomas castithan e irathient, inventados por ele. Além disso, David Peterson criou o vocabulário próprio do filme Thor: o mundo sombrio, e mantém o site Dothraki.com, em que dá dicas de como aprender a língua de GoT.

  • Marc Okrand e James Doohan
    Essa é a dupla que inventou o klingon, um dos idiomas mais populares no mundo nerd, adorado por Sheldon, Leonard e o resto da turma de The big bang theory. Consta que foi o ator James Doohan, que interpretava o personagem Scotty em Jornada nas estrelas, quem inventou as primeiras palavras em klingon, de improviso, na base da brincadeira.

    A partir daí, Marc Okrand desenvolveu todo o restante do idioma que, hoje, conta até mesmo com um curso no Duolingo, como você viu aqui em Bayer Jovens. Okrand é um linguista nascido nos Estados Unidos há 69 anos, especialista em línguas nativas do seu país e responsável também pela criação do idioma atlante para o filme Atlantis: o reino perdido, da Disney.

  • James Cameron e Paul Frommer O primeiro é um diretor e roteirista canadense de 63 anos que idealizou a trama de Avatar, lançado em 2009, e percebeu a necessidade de um idioma próprio para o filme. Cameron criou algumas palavras do que seria a língua na´vi, falada pelos alienígenas humanoides, mas decidiu contratar um especialista para completar o trabalho.

O escolhido foi o linguista Paul Frommer, de 73 anos, professor de comunicação na Universidade do Sul da Califórnia, que se baseou nos termos inventados por Cameron para desenvolver o vocabulário baseado em sons. Ele disse que demorou seis meses para “criar o básico”. Depois, estimulado pela entusiasmo dos fãs de Avatar, Frommer aperfeiçoou o idioma artificial e criou outros termos divulgados por vários sites pelo mundo. Assumiu também a responsabilidade de criar uma “língua marciana” para o filme John Carter: entre dois mundos, da Disney.

E, como despedida, athchomar chomakea - ou saudações a todos, em dothraki.