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Sustentabilidade

Origamis para sem-teto

Parece brincadeira, mas não é: arquiteta norte-americana cria abrigos de papelão inspirados na técnica japonesa

15.05.2018 - Por Bayer Jovens

O ano era 2007 quando Tina Hovsepian, uma estudante de arquitetura na Universidade do Sul da Califórnia, incomodada com a quantidade de moradores de rua espalhados por Los Angeles, teve a ideia de criar abrigos temporários portáteis, inspirados na técnica do origami, para tentar ajudar a resolver o problema de moradia. Passados alguns anos, o projeto de faculdade saiu do papel e virou realidade. Em 2010, Tina criou a Cardborigami, uma ONG que pretende, mais do que providenciar moradia rápida e descomplicada para desabrigados, mudar a vida das pessoas.

OrigamiTina Hovsepian, da ONG Cardborigami, e seu abrigo de papelão para moradores de rua: compactos e portáteis, são fáceis de montar, desmontar e carregar/Divulgação

Os abrigos, totalmente dobráveis e bem estruturados, são feitos de papelão, um material que “resiste a cargas de vento e de impacto melhor do que uma tenda”, explicou a empreendedora social em entrevista ao site Huffpost. As casas de papel possuem a dobra tradicional plissada e uma dobra especial, desenvolvida para o piso. Compactos e portáteis, podem ser montadas em 30 minutos. Também são fáceis de desmontar e carregar. A impermeabilização, feita com produtos atóxicos, permite que os abrigos sejam reciclados. Podem ser utilizados por moradores de rua ou, em situações de emergência, por vítimas de desastres naturais, por exemplo.

A solução temporária de abrigo, porém, é só uma parte nos planos de Tina. “O motivo principal pelo qual projetei a Cardborigami - embora forneça abrigo e espaço instantâneos, privacidade e proteção - foi o de criar uma plataforma de lançamento para levar as pessoas a moradias permanentes. Queremos capacitar indivíduos para fazerem mais por si mesmos”, disse Tina, em matéria do site Women in the world.

Segundo a empreendedora, o projeto se baseia fortemente na parceria e na colaboração com organizações de ajuda aos sem-teto. É composto de quatro etapas: a primeira é priorizar o fornecimento de abrigo imediato para aqueles que precisam, sejam pessoas sem moradia, sejam vítimas de intempéries.

OrigamiMontagem dos abrigos em formato de origami: de acordo com a idealizadora do projeto, as casinhas resistem mais do que uma tenda a impactos e à ventania/Divulgação

Na etapa seguinte se realiza o trabalho com organizações parceiras que possam fornecer ferramentas e serviços para reintegrar os participantes do projeto à sociedade. O terceiro passo é garantir a moradia permanente, para então, na quarta etapa, ajudar essas pessoas a se sustentar por meio de um trabalho remunerado ou oportunidades empreendedoras.

De acordo com o Cardborigami, o prazo determinado para levar os participantes do programa a moradias permanentes é de 10 a 12 meses. E, no fim do programa, espera-se que cada um deles seja totalmente capaz de viver novamente em sociedade.

Quer conhecer melhor o projeto? Assista a uma entrevista feita com Tina Hovsepian no evento “Women in the world”, promovido pelo jornal New York Times.

Veja também outras ideias curiosas para acolher moradores de rua em Nova York na matéria Moradia diferente para os sem-teto, publicada aqui em Bayer Jovens.