Home > Ciência > Onde as árvores crescem mais
Ciência

Onde as árvores crescem mais

Um surpreendente estudo de uma universidade alemã indica que é nas cidades, e não no campo, mas o envelhecimento também é mais rápido

19.12.2017 - Por Bayer Jovens

Ruas e mais ruas asfaltadas, prédios enfileirados a perder de vista, veículos que se movem em todas as direções deixando um rastro de poluição e um calor de rachar. O pior cenário, imagina-se, para uma árvore se desenvolver. Mas, por incrível que pareça, não é bem assim.

De acordo com um estudo recente da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, as árvores crescem mais rapidamente nas cidades do que em bosques e zonas rurais. O motivo desse crescimento acelerado são os efeitos das “ilhas de calor”, um fenômeno climático em que a temperatura aumenta nas cidades com suas ruas impermeabilizadas e alto grau de urbanização. A variação pode ser de 3 a 10 graus Celsius.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores compararam as informações de 1.400 árvores de cidades espalhadas por todos os continentes com exemplares da mesma espécie em áreas de natureza selvagem. Serviram de base para o estudo as árvores mais maduras e predominantes em cada cidade e em seus arredores. O estudo constatou uma diferença de tamanho em árvores de 50 e 100 anos. Nas mais novas, com meio século de vida, a diferença de crescimento em um e outro ambiente foi de aproximadamente 25%; nas mais velhas, em torno de 20%.

O aumento da temperatura acelera o crescimento das árvores de duas maneiras: por meio da fotossíntese e pelo prolongamento do período de vegetação, ou seja, pelo tempo maior que têm para se desenvolver. Se por um lado é bom ver as árvores crescerem mais depressa, por outro é triste constatação da pesquisa de que também envelhecem mais cedo.

Em entrevista ao site Science Alert, Hans Pretzsch, cientista e coautor do estudo, fala da importância da pesquisa: “Embora os efeitos das mudanças climáticas no crescimento das árvores das florestas tenham sido amplamente estudados, há pouca informação disponível até agora sobre a flora urbanas”, diz.

Os pesquisadores coletaram dados de árvores em Berlim e Munique (Alemanha), Brisbane (Austrália), Cidade do Cabo (África do Sul), Hanói (Vietnã), Houston (Estados Unidos), Paris (França), Prince George (Canadá), Santiago (Chile) e Sapporo (Japão). Também levaram em consideração os diferentes tipos de climas desses lugares – boreal, temperado, mediterrâneo e subtropical.

A espécie escolhida da América Latina, na capital do Chile, foi a Robinia pseudoacacia, conhecida como falsa acácia. Originária do sudeste dos Estados Unidos, onde o clima é temperado e úmido, é considerada uma espécie invasora que se adapta bem a regiões mais secas.

Quer saber mais? Acesse a pesquisa no site da Scientific Reports.

Publicado em Ciência