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Quem faz o agro

O principal é o amor pelo campo

Conheça a história inspiradora de Carla Rossato, que assumiu os negócios da família em um momento crítico e venceu o Prêmio Mulheres do Agro em 2019

31.10.2019 - Por Bayer Jovens

Em 1997, a família Rossato sofreu um choque quando o Incra escolheu a fazenda que possuía em São Jerônimo da Serra, no Paraná, para um projeto de reforma agrária. Embora produtiva e localizada a 6 quilômetros da cidade, a propriedade foi invadida e iniciou-se uma longa sequência de questões judiciais, o que tirou o ânimo de José Roberto Rossato, o patriarca da família. Foi então que sua filha Carla, com apenas 20 anos, sentiu-se obrigada a apoiar o pai e, aos poucos, assumiu a direção dos negócios.

Hoje, 22 anos depois, Carla Sanches Rossato dirige quatro propriedades, tornou-se referência entre as produtoras rurais de sua região e ficou em primeiro lugar no Prêmio Mulheres do Agro 2019, na categoria Grandes Propriedades. Porém, até que chegasse a esse sucesso, ela teve de superar muitos desafios, a começar pelo trauma da perda da fazenda, adquirida a muito custo, e para isso precisou de muita fibra e vontade de aprender e inovar.

O principal é o amor pelo campo

O sobrenome italiano de Carla vem do avô, que deixou seu país natal para se instalar no interior do Paraná na primeira metade do século passado. O pai, antes de se tornar fazendeiro, trabalhou em banco, foi dono de bar e padaria e fez corretagem de imóveis rurais, em Sertanópolis. Em 1977, simbolicamente no ano em que Carla nasceu, ele comprou um pequeno pedaço de terra em Sertaneja, que foi aumentando aos poucos até se tornar a Fazenda São José. “Sempre tive verdadeira paixão pela vida de fazenda e nunca me vi fazendo outra coisa. Minha mãe dizia que eu não fui criada na barra da saia da mãe, e sim na barra da calça do pai”, lembra Carla.

Tudo corria bem para os Rossato, até que aconteceu o trauma da invasão da fazenda, que até hoje não foi recuperada integralmente: “Meu pai queria tirar os invasores de todo jeito, mas eles não saíram. Aí nós falamos ao meu pai que era o caso de partir para outra. Então vendemos o gado e, em 1999, meu pai e eu fomos para o Mato Grosso e arrendamos quatro propriedades, em Itiquira, Chapada dos Guimarães, Nova Mutum e Primavera do Leste, com um total de 2 mil hectares, onde engordávamos gado para abate”.

O principal é o amor pelo campo

Assim, movida pelas circunstâncias e pela vontade de ajudar o pai, Carla acabou assumindo inteiramente a administração dos negócios, que hoje envolvem quatro fazendas que somam 1.217 hectares com milho, soja e gado, sendo 266 hectares de reserva legal. “Meu pai continua ligado à fazenda, mas antes eu o acompanhava e hoje é ele que me acompanha”, resume Carla, que ainda encontrou tempo para se formar em veterinária na Universidade de Marília, no interior de São Paulo.

Em 2000, quando a família adquiriu outra fazenda em Icaraíma, no Paraná, ela teve a oportunidade de pôr em prática um modelo de gestão mais inovador. Carla conta: “A propriedade era agrícola e a transformei em pecuária, mas uma pecuária moderna, tudo com piquete, rotacionado, análise de terra, adubação. Os pastos eram divididos no formato de pizza, com praça de alimentação central, e fazíamos correção do solo. Todo o gado era rastreado e certificado pelo Ministério da Agricultura. Também fazíamos dias de campo para disseminar conhecimentos e boas práticas de manejo, uma coisa bem técnica mesmo, e conseguimos um grande resultado. Sempre tive aquela sede de aprender. Acho que a gente nunca sabe tudo e sempre dá para melhorar”.

O principal é o amor pelo campo

Ao mesmo tempo, ela participava das reuniões de entidades de classe, cooperativas e cerealistas. “Todo mundo foi se acostumando com a minha presença”, lembra. Com esse comportamento, começou a se destacar entre as produtoras rurais paranaenses e, quase sem perceber, tornou-se uma referência: “Gosto muito de aprender e passar esse conhecimento, de ajudar e compartilhar. Agora mesmo vou levar cerca de 30 produtoras para conhecer um sistema de produção de sementes de soja e, em novembro, acompanharei um grupo de 38 produtoras a uma fábrica. Sempre faço dias de campo nas minhas propriedades, para mostrar a elas o que dá certo e o que não dá. Gosto de incentivar e encorajar essas mulheres, para mostrar que elas são capazes, que elas podem e que a situação mudou muito”.

Em relação ao histórico preconceito de gênero no agronegócio, Carla reconhece que ainda persiste, mas afirma que, pessoalmente, nunca teve esse tipo de problema: “Eu cresci no meio, e é uma questão de conquistar o respeito. Preconceito tem em todas as áreas e de todas as formas, e aí vai de você ganhar o seu espaço, fazer o seu nome. A pessoa tem que ser reconhecida e manter esse reconhecimento. É isso o que eu tento mostrar às produtoras”.

O principal é o amor pelo campo

Carla também adora tecnologia e afirma, sem vacilar, que pratica agricultura de precisão: “Faço análise de solo e correção com taxa variável, de acordo com a necessidade específica de cada área, e todas as minhas colheitadeiras têm mapa de produção que informa o que o lote está produzindo, a umidade e tudo o mais. Quando acaba a colheita eu vou conferir se o mapa de produção realmente está batendo com o mapa de análise de solo, para ver onde se produziu menos e se houve algum erro de manejo”, explica.

Ela não abre mão da plataforma Climate FieldView, da Bayer: “É uma ferramenta muito boa tanto para fazer as análises via satélite da parte vegetativa como para apoiar o profissional que visita a propriedade. Por exemplo, ele pode marcar o ponto em que achou uma extensão maior de uma praga, como uma cigarrinha ou um percevejo, ou qualquer deficiência de vitamina. Ele marca o ponto, manda para você por fotografia pelo FieldView e você vai direto ao local, para ver se realmente aquilo aumentou ou diminuiu, se vai precisar fazer aplicação. Eu gosto muito dessas inovações, porque facilitam muito, dão resultado prático e rápido. Estamos sempre em contato com o pessoal da Bayer, fazemos dias de campo com eles. É informação que vale muito, e é preciso usar tudo o que nos dá facilidade. Tem que modernizar”, afirma.

Para Carla, a vitória no Prêmio Mulheres do Agro, idealizado pela Bayer, foi muito gratificante: “O mais bonito foi ver o apoio das minhas amigas que foram comigo à entrega do prêmio. Elas diziam que eu ia ganhar, mas eu dizia que só ter uma história para inscrever num prêmio desses já era uma vitória. Mas ganhar é muito bom”.

O principal é o amor pelo campo

Ela diz que o agronegócio é uma atividade exigente, difícil, às vezes imprevisível: “É difícil sim, mas o principal é o amor pelo campo. Eu amo o que eu faço. Não vejo como obrigação e faço por prazer, porque gosto do que faço. E a partir do momento em que você vê as coisas assim tudo fica prazeroso e nada é desgastante”.