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Inovação

O peso do quilo vai mudar. E agora?

Esta e outras unidades de medidas básicas como o ampere, o kelvin e o mol serão redefinidas em maio

01.03.2019 - Por Bayer Jovens

A partir de maio deste ano, um quilo deixará de pesar mil gramas, mas, calma: a não ser que você seja um pesquisador que faça cálculos científicos que exigem um alto nível de precisão, a redefinição dessa e de outras unidades de medidas básicas como o ampere (unidade de corrente elétrica), o kelvin (de temperatura) e o mol (de quantidade de substância) não afetará o seu dia a dia.

O objetivo da mudança é basear as unidades-padrão de medida em referências mais confiáveis do que um peso de metal, como é o caso do quilograma, por exemplo. Essa unidade ainda é definida a partir de um objeto físico – um cilindro de quatro centímetros composto de uma liga de platina e irídio, fabricado em Londres em 1879 e guardado, desde 1889, no Escritório Internacional de Pesos e Medidas, em Paris.

As balanças do mundo todo foram calibradas a partir de cópias desse cilindro, utilizadas para padronizar a versão oficial do quilo. O problema, nesse caso, é que objetos físicos podem, com o tempo, ganhar ou perder pequenas quantidades de massa (moléculas do ar ou átomos). Foi o que aconteceu com o quilo original, que, em 100 anos, perdeu 50 microgramas de seu peso original.

Essa diferença de 50 microgramas é irrelevante para o dia a dia de quem vai ao mercado comprar um quilo de arroz, despachar a mala no aeroporto ou se pesar, por exemplo. Mas pode alterar resultados de pesquisas baseadas em cálculos científicos que exigem extrema precisão. Daí a necessidade do Comitê Internacional de Pesos e Medidas rever a forma de medir essa e outras unidades. A ação representa a maior revisão do Sistema Internacional de Unidades desde a sua criação, em 1960.

O novo quilo será medido com uma balança de Kibble (ou de Watt), que funciona equilibrando duas forças por meio de uma relação direta entre eletricidade e peso. Criada pelo cientista Bryan Kibble, a balança tem um eletroímã que pende para baixo (de um lado) e um peso – que pode ser um quilograma – do outro. Uma corrente elétrica progressiva passa pelo eletroímã até que os dois lados estejam perfeitamente equilibrados.

Cientistas do mundo todo comemoram a revisão da unidade de medida. O físico Humberto Brandi, ex-professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor de metrologia científica e tecnologia do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), disse, em entrevista ao site da Revista da Fapesp, que “essa mudança beneficiará o comércio internacional de produtos manufaturados de alta tecnologia e das áreas da saúde”.

O pesquisador Perdi Williams, do Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, por sua vez, confessa sentir um apego estranho ao quilograma, mas apoia a revisão: “Estou um pouco triste com a mudança, mas é um passo importante e o novo sistema vai funcionar muito melhor. É um momento muito emocionante, e mal posso esperar para que aconteça”, disse em entrevista à BBC News.