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O interior mostra sua força

A maioria absoluta dos novos empregos com carteira assinada está sendo criada pela agropecuária, longe dos grandes centros

10.08.2017 - Por Bayer Jovens

O agronegócio continua sendo o mais resistente pilar de sustentação da economia brasileira e, mesmo em períodos difíceis, mantém o ritmo de produção, dá fôlego ao Produto Interno Bruto (PIB) e, principalmente, é o setor que mais cria empregos. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho divulgados em junho, a agricultura e a pecuária responderam por 46 mil das 50.400 vagas com carteira assinada registradas em maio – ou seja, nada menos do que 90% do total.

Juntos, os outros quatro grandes setores econômicos (indústria de transformação, comércio, serviços e administração pública) criaram apenas 4.376 vagas com carteira assinada. Não por acaso, o Brasil é atualmente o segundo maior produtor de alimentos do mundo, depois dos Estados Unidos, com a expectativa de que logo ocupará a liderança desse ranking estratégico.

Isso significa que as oportunidades de trabalho se deslocam das cidades para o campo, o que fica evidente nas estatísticas do Caged referentes a São Paulo. Em maio, o estado registrou um saldo positivo de 17.226 novos postos de trabalho, segundo melhor resultado do país, depois de Minas Gerais. No entanto, fora da capital, o saldo positivo foi de 19.267 novas vagas, o que significa que o interior compensou com folga a taxa de desemprego na maior metrópole do país.

Essa tendência se reflete nos demais estados, e os municípios que não pertencem a uma das nove principais regiões metropolitanas criaram 41,1 mil vagas com carteira assinada em maio, enquanto nos grandes centros houve perda de 18,6 mil postos de trabalho. No caso de Minas Gerais, o estado que mais criou vagas em maio (22,9 mil), a expansão se deve principalmente ao cultivo do café – no interior, evidentemente.

O campo, portanto, tem o maior peso no saldo positivo de criação de emprego em 2017. Por causa da agropecuária, até maio, em todo o país, haviam sido criadas 48,5 mil vagas com carteira assinada, o melhor resultado desde 2014. O crescimento foi de apenas 0,13% em relação a dezembro de 2016, mas de toda maneira sinaliza uma tendência positiva, o que não é pouco para um período de crise política e econômica.

Nos últimos dois anos o nível de emprego estava deficitário, com a perda de 3 milhões de postos de trabalho, e no começo de 2017 surgiram os primeiros sinais de recuperação, embora em ritmo ainda lento. Falta muito para reduzir as taxas alarmantes de desemprego, de 13,3% em maio, o que significa um total de 13,8 milhões de brasileiros desempregados, número alto demais.

E essas estatísticas seriam bem piores se a agricultura e a pecuária não mostrassem tanto vigor. A expansão do agronegócio é o que explica também o crescimento de 1% no PIB no primeiro trimestre deste ano, depois de oito quedas seguidas, o que configurava uma recessão econômica. Então, para quem está ingressando agora no mercado de trabalho, vale a dica: deixar um pouco de lado o brilho e a atração das grandes cidades e pensar no interior, onde coisas surpreendentes estão acontecendo.

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