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O estranho mundo das formigas

Elas vivem em uma sociedade complexa, desempenham um papel importante na natureza e são uma praga urbana. Conheça mais sobre o complexo mundo das formigas.

05.11.2019 - Por Bayer Jovens

Como todos os seres vivos, as formigas têm um papel no equilíbrio da natureza e, ao fazer seus ninhos e buscar alimento, desempenham várias funções. Esses insetos numerosos, fortes, resistentes e presentes em todas as partes do mundo, exceto nos polos, polinizam as plantas, incorporam material orgânico e oxigenam o solo e interagem com outros organismos de forma benéfica para os ecossistemas.

O estranho mundo das formigas

E existe o lado negativo. As formigas são uma praga nos ambientes urbanos e, principalmente, no agronegócio, pela capacidade que têm de atacar animais de criação e destruir lavouras na busca de folhas ou da matéria que serve para o cultivo dos fungos que nutrem algumas espécies. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), “as formigas atacam quase todas as espécies de plantas cultivadas, cortando folhas e ramos, que são carregados para o interior de seus ninhos sob o solo, o que torna mais difícil o controle”. Em plantios de eucalipto, por exemplo, “o ataque das formigas pode causar a mortalidade de até 70% das plantas nos primeiros 30 dias de idade”.

Nas cidades, elas se instalam nos mais diferentes lugares e podem infestar casas e apartamentos. Além de provocar danos às estruturas dos prédios, atacam os alimentos e podem espalhar bactérias e outros microrganismos transmissores de doenças em residências, restaurantes, hotéis e até em hospitais e clínicas.

A bióloga Maria Fernanda Zarzuela, coordenadora técnica da Bayer, explicou que os insetos só entram na casa das pessoas quando encontram um ambiente propício, em que haja os chamados “3As”: água, alimento e abrigo. “Para evitar que isso ocorra, às vezes é preciso mudar alguns hábitos. Por exemplo, lavar sempre a louça, não deixar água à vista, guardar os alimentos na geladeira ou em recipientes fechados e nunca acumular lixo”, disse, em entrevista a Bayer Jovens.

A bióloga lembrou que podem existir até 12 espécies diferentes de formigas em um prédio residencial: “Você pode eliminar uma espécie, mas logo vem outra. E as formigas podem transportar patógenos como bactérias e fungos, tanto na parte externa do corpo como internamente, no aparelho digestório. Elas passam por ambientes contaminados e pelo lixo, e quando chegam em casa vão comer o bolo que está na mesa da cozinha”, alerta Maria Fernanda.

Se os cuidados com a limpeza não forem suficientes, a saída é providenciar uma desisetização que pode ser feita por uma empresa especializada ou por conta própria, com o uso de um produto específico de combate a formigas,com eficácia comprovada . De qualquer maneira, é preciso ser persistente, pois esse inseto está muito bem adaptado ao ambiente urbano, aproveitando as falhas em nossas estruturas para construir seus ninhos e alimentando-se dos nossos alimentos.. Elas estão sempre alertas, em qualquer sinal de perigo se comunicam, multiplicam e dividem seus ninhos para terem maiores chances de sobrevivência.

Por exemplo, no curioso mundo das formigas, os machos não trabalham e têm a única função de fecundar as rainhas.. As rainhas, por sua vez, são as únicas responsáveis pela reprodução. O trabalho pesado no formigueiro é feito pelas operárias, todas fêmeas, que vivem alguns meses. Realizam a limpeza dos ninhos, buscam comida e água e cuidam da rainha, dos ovos e da segurança do formigueiro. Ao ingerirem algum produto específico para seu controle, o carregam para o interior da colônia, infectando todos os indivíduos ,inclusive as rainhas.

As formigas estão presentes no Planela há aproximadamente 130 milhões de anos, segundo estudo da Universidade Harvard citado em matéria do portal Hipercultura. Atualmente existem mais de 10 mil espécies diferentes e, de acordo com os pesquisadores Bert Hölldobler e Edward Wilson, autores do livro The Ants, também citados no Hipercultura, a população de formigas chega a nada menos do que 10 trilhões de indivíduos, o que equivale a mais de mil vezes o total de humanos no planeta – ou seja, mais de mil formigas para cada pessoa.

E dá mesmo para acreditar nesse número, quando se considera que uma equipe de cientistas franceses, suíços e dinamarqueses encontrou em 2002 uma supercolônia com bilhões de formigas e milhões de ninho, que ocupavam uma área de 6 mil km e se estendia por partes da Espanha, Portugal, Itália e França. Divulgado pela BBC[], o formigueiro foi classificado como “o maior do mundo”, habitado pela espécie Linepithema humile, originária da Argentina.

Na mesma reportagem, o biólogo Nícolas Lavor de Albuquerque disse que no Brasil também já foram encontradas supercolônias de formigas, principalmente na região do cerrado, onde desenterraram um ninho com 1 km de extensão e cerca de 5 metros de profundidade, habitado pelas formigas cortadeiras conhecidas como saúvas. A seguir, veja mais algumas curiosidades a respeito desses incríveis insetos.

  • As formigas não têm pulmões nem ouvido, mas respiram por meio de uma série de orifícios existentes ao lado do corpo e possuem sensores nas pernas para se orientarem pelas vibrações do solo.
  • Em compensação, têm dois estômagos, um para processar o alimento para seu próprio consumo e o outro para manter o alimento que será compartilhado com as outras formigas do formigueiro.
  • A superforça atribuída à formiga é verdadeira, e algumas espécies conseguem transportar mais de 50 vezes seu peso corporal.
  • A formiga mais perigosa do mundo é a Myrmecia nigrocincta, conhecida como Jack Jumper, que vive na Austrália, consegue dar saltos e tem uma picada extremamente dolorosa e, às vezes, fatal. Também é bom evitar a Paraponera clavata, ou formiga-cabo-verde, que pode atingir 25 mm e provoca muita dor quando crava seu ferrão em uma pessoa.
  • No cinema, as formigas foram personagens principais nas animações FormiguinhaZ e Vida de inseto e inspiraram o filme do super-herói Homem-Formiga, da Marvel, e a sequência O Homem-Formiga e a Vespa, ambos dirigidos por Peyton Reed.

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