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Inovação

O elevador do futuro

Empresa alemã testa um equipamento totalmente inovador, sem cabos e capaz de se mover também no sentido horizontal

09.02.2018 - Por Bayer Jovens

Sabe o elevador que conhecemos, que só se move na vertical e é sustentado por cabos presos no topo do último andar? Pois é provável que em alguns anos ele seja substituído por um equipamento muito diferente, capaz de se movimentar também no sentido horizontal e sem nenhum tipo de cabo, dotado de levitação magnética, mais silencioso e seguro. É isso o que anuncia o grupo industrial alemão ThyssenKrupp, com sede em Essen e atuação em cerca de 80 países.

Elevador do FuturoA parte em amarelo e marrom indica o trajeto que pode ser percorrido pelo novo elevador da ThyssenKrupp.
Crédito: Divulgação/ ThyssenKrupp

É claro que a novidade chegará aos poucos, pois o revolucionário elevador só será instalado em prédios especialmente construídos para recebê-lo, e o modelo usado hoje e desenvolvido ao longo do século 19 ainda terá uma longa sobrevida. Mas é impossível não se surpreender com as inovações incorporadas pela ThyssenKrupp, que já estão sendo reconhecidas pelos especialistas.

Batizado de Multi, o novo elevador está em fase de testes, mas acaba de ganhar o German Design Award 2018, um dos mais importantes prêmios do mundo para projetos de design inovadores. O conceito foi desenvolvido pelas agências de design Junior Professorship in Industrial Design Engineering da Technische Universität, de Dresden, e pela Neongrau, enquanto a Composyst GmbH construiu a cabine , que é leve e transparente. Se tudo der certo, o elevador futurista chegará ao mercado em 2020, provavelmente em um prédio em Berlim.

O que mais chama atenção no Multi é mesmo a forma como se move e a força magnética que o sustenta. De acordo com o comunicado da ThyssenKrupp, o objetivo é tornar mais prático e eficiente o transporte de pessoas dentro dos prédios com cada vez mais andares que se constroem em vários países. O mesmo poço poderá ser usado por mais de uma cabine, graças à capacidade de movimentação para os lados, o que permitirá, por exemplo, a ligação entre o estacionamento e a recepção do prédio ou entre blocos diferentes. Os arquitetos também ganharão liberdade extra ao projetarem os prédios, que não precisarão ter como centro o poço do elevador, como costuma acontecer hoje.

Em entrevista ao site da Câmara Brasil-Alemanha, Stefan Utecht, diretor-gerente da Composyst GmbH, destacou os materiais utilizados na construção do elevador, em especial as fibras de carbono e os fios de náilon carbonizados e oxidados: “Esses materiais inovadores são tão fortes como o aço, mas pesam um terço a menos, não corroem mesmo em clima úmido, podem ser facilmente moldados e requerem muito menos manutenção do que as matérias-primas tradicionais”.

A gente quase não pensa em elevadores, mas esse é um meio de transporte utilizado por mais de 1 bilhão de pessoas por dia, segundo dados da ThyssenKrupp. Com uma “frota” mundial em torno de 12 milhões de unidades, o elevador é o sistema de transporte mais seguro de todos, à frente do avião e muito à frente de motos e carros. O primeiro elevador elétrico começou a funcionar na década de 1880, nos Estados Unidos, e desde então houve poucas mudanças significativas em relação à fonte de energia e à maneira de se movimentar. Talvez, agora, o projeto alemão seja de fato a primeira grande inovação em quase um século e meio.