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O amor dita o ritmo

Estudo indica que 71% das 1.250 canções que atingiram o topo da revista Billboard entre 1960 e 2008 falam de amor

19.07.2017 - Por Bayer Jovens

Não tem como fugir do amor. Você liga a TV e é bombardeado por filmes, séries, programas e novelas que têm o romance como foco principal. Decide sair com os amigos e, na mesa de bar, uma hora ou outra o tema aparece. Se alguém estiver na fossa, então, o assunto rende a noite inteira. Quando você liga o rádio, não é diferente. O amor está presente na maioria das músicas que você curte e cantarola. E naquelas que, sem medo de ser feliz e de assustar o vizinho, você canta a plenos pulmões embaixo do chuveiro.

Andrew Smiler e Jennifer W. Shewmaker, psicólogos e autores de livros sobre sexo e cultura, decidiram tirar a prova e medir a quantidade de amor presente nas músicas lançadas entre 1960 e 2008. Para isso, analisaram as 1.250 canções daquele período que atingiram o topo das paradas da Billboard, revista norte-americana que registra as canções mais tocadas no rádio desde 1936.

E não deu outra: o amor lá marcou presença em nada menos do que 71% do total de mil títulos analisados no estudo. Em 57% deles, a dupla de pesquisadores encontrou a palavra “amor” em algum lugar da letra. Porém, nos anos 2000 o romantismo perdeu um pouco de espaço: apenas 49% das canções contêm o termo.

Quando o assunto é sexo, somente 22% das letras trazem alguma referência. Metade delas, por meio de metáforas, como em You can leave your hat on, de Joe Cocker, e a outra metade de forma mais explícita. Em 1960, a proporção de canções referentes ao sexo nos álbuns das cantoras mulheres foi de apenas 6%, mas os números cresceram entre 1970 e 2000 e ficaram entre 16% e 21%. Já entre os artistas do sexo masculino, o crescimento foi maior: de 7% (na década de 1960) para entre 20% e 29% entre os anos 1970 e 1990, e de 40% na década de 2000.

Homens gravaram mais da metade das canções de amor: 827 para 328 das gravadas pelas mulheres e 95 por grupos formados por ambos os sexos. Se os homens foram os que mais cantaram o amor, também surgem como os que mais banalizaram a imagem da mulher em suas músicas: em 14% delas – a maioria do gênero rap –, o corpo feminino foi tratado como objeto, ante 3% das canções gravadas por mulheres.

Na década de 1960, sete em cada dez músicas de artistas masculinos falavam de amor. Os Beatles e suas lindíssimas Something, And I love her e Girls, entre muitas outras, ajudaram o time dos meninos a sobressair, atingindo o ápice com as baladas dos anos 1980 – românticas ao extremo para uns e cafonas para outros. Porém, nos anos 2000 muitos cantores desistiram do amor, e a porcentagem de canções masculinas apaixonadas caiu para 59%.

Confira agora algumas das canções de amor mais tocadas de todos os tempos da lista Top 50 Love Song off All Time, da Billboard, no período em que a pesquisa foi realizada.

Endless love – Diana Ross & Lionel Richie (1981)


I'll make love to you – Boyz II Men (1994)


How deep is your love - Bee Gees (1977)


Silly love songs – Wings (1976)


I will always love you – Whitney Houston (1992)


Let me love you – Mario (2005)


Because I love you – Stevie B (1990)


The best of my love – The Emotions (1977)


I can't stop loving you – Ray Charles (1962)


Bleeding love – Leona Lewis (2007)