Home > Inovação no campo > Novas tecnologias defendem a agricultura das intempéries
Inovação no campo

Novas tecnologias defendem a agricultura das intempéries

Monitoramento da plantação com ferramentas digitais e avanços da agrometeorologia podem mitigar os riscos climáticos.

25.03.2020 - Por Bayer Jovens

Os agricultores gaúchos estão passando por uma fase difícil na safra 2019/20. Primeiro, em outubro de 2019, chuvas excessivas surpreenderam os produtores. Depois, houve uma reviravolta nas condições climáticas, e a água sumiu. A estiagem está prejudicando as plantações e pode causar perdas de até 50%.

De acordo com Luiz Fernando Rodriguez, secretário em exercício da Agricultura, essa é pior crise hídrica registrada no Rio Grande do Sul nos últimos sete anos. “Diversas culturas na metade sul do estado e na Campanha estão sofrendo com a falta de chuva. Estimamos uma redução hídrica de 70%, mas não em toda a extensão do estado”, afirmou Rodriguez em entrevista ao Canal Rural. A situação é tão dramática que a secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul vai encaminhar medidas emergenciais ao Ministério da Agricultura para auxiliar os produtores. Enquanto isso, na região Centro-Oeste, as condições são favoráveis e se espera um aumento na produção de grãos em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Clima adverso

A cada safra, notícias positivas e notícias negativas que correlacionam clima e agricultura se alternam, a depender da região de cultivo. Nos anos em que ocorre o fenômeno El Niño, o Sul do Brasil recebe muitas chuvas, e o Nordeste costuma sofrer com secas. Mas depois disso é comum ocorrer o La Niña, o fenômeno oposto, que geralmente provoca estiagem no Rio Grande do Sul e chuvas abundantes no Nordeste. Em anos considerados neutros, sem a incidência desses fenômenos, as chuvas e as temperaturas podem ficar acima ou abaixo da média, a depender de fatores pontuais em cada região.

Os produtores rurais enfrentam grandes riscos por causa do clima. Chuvas excessivas, geadas, vendavais, granizo e secas são fortes ameaças para as lavouras. O problema é que o clima está mudando, e as condições estão se tornando cada vez mais desafiadoras. Em se tratando de clima, tudo pode acontecer. E o produtor rural, que mantém uma indústria a céu aberto, sempre se preocupa com as previsões meteorológicas.

A boa notícia é que a agrometeorologia, um ramo da meteorologia focado no agronegócio, está evoluindo rapidamente. A cada safra, o produtor tem a difícil tarefa de decidir o que plantar, quando plantar, onde plantar e como plantar, para reduzir o risco de quebra de safra. A compreensão sobre a relação entre clima e agricultura, por meio da adoção de novas ferramentas e modelos climáticos mais precisos, facilitam essas decisões e o dia a dia do agricultor.

“Na década de 1950, você só tinha o resultado do que ia ocorrer depois que acontecia, porque os cálculos demoravam muito. Agora, com mais tecnologia e rapidez na resolução das equações, dá para saber o que vai acontecer em minutos, amanhã, em uma semana ou em 15 dias, com bastante precisão”, afirmou Patricia Diehl Madeira, meteorologista da Climatempo, em reportagem da Globo Rural.

As informações meteorológicas estão mais acessíveis, e existem, inclusive, serviços gratuitos para orientar os agricultores. O Instituto Nacional de Meteorologia, por exemplo, investe em monitoramento do clima voltado para o agronegócio e disponibiliza aos produtores rurais o Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (Sisdagro), com consulta gratuita de previsões para até cinco dias. A Embrapa também está colaborando para os avanços da agrometeorologia. No sistema Agritempo, a instituição fornece boletins online e mapas de monitoramento meteorológico que informam o volume acumulado de chuvas, entre outros dados que orientam o manejo das lavouras.

Previsão mais assertiva

Esses sistemas dão uma visão sobre o que esperar para uma determinada região. Mas é possível conseguir um prognóstico mais estratégico, focado na própria fazenda. O agricultor pode instalar estações meteorológicas na sua propriedade rural, para coletar dados climáticos muito mais precisos e analisar as previsões de acordo com a cultura trabalhada, levando em consideração as condições da lavoura, como a evapotranspiração, entre outras informações. Também é possível contar com o suporte de consultores especializados e obter uma previsão climática personalizada para a fazenda. Ambas as possibilidades estão disponíveis para os clientes Bayer, por meio do resgate de pontos na plataforma Orbia, acesse aqui.

Existem diferentes maneiras de defender as lavouras contra os efeitos nocivos das intempéries. Além de apostar na previsão climática e em um bom planejamento de safra, existem técnicas de manejo capazes de mitigar os riscos climáticos. Entre as boas práticas agrícolas, a rotação de culturas é uma recomendação importante.

Ao diversificar os cultivos e investir em culturas de cobertura como, por exemplo, a braquiária, o produtor consegue construir um bom perfil de solo que gera condições favoráveis para o desenvolvimento radicular da planta. O solo se torna menos compactado, mais fértil e capaz de reservar um maior volume de água para suprir a plantação. Outra alternativa para melhorar o manejo é investir em tecnologias como o Climate FieldView, uma plataforma completa para monitorar todas as operações agrícolas.

Nas regiões em que a área agricultável é limitada ou até mesmo em locais onde o clima inviabiliza o cultivo, o agronegócio consegue se reinventar e prosperar. Quem diria que seria possível cultivar plantas até mesmo sem sol? Tecnologias inovadoras já tornam isso possível. O Japão, por exemplo, busca driblar as condições climáticas com soluções de alta tecnologia. O país asiático está se tornando referência no desenvolvimento da “fábricas de vegetais com luz artificial”. Grandes empresas como Panasonic, Fujitsu e Toshiba investiram em estufas para cultivar plantas em ambiente controlado, com sensores e luz artificial.

A empresa japonesa Spread desenvolveu uma fábrica automatizada e está conseguindo produzir alface em edifícios, segundo uma notícia do site Olhar Digital. Além da possibilidade de produzir alimentos sem a interferência do clima, essas “fábricas de alimentos” podem ser instaladas em qualquer ambiente e substituir os campos atingidos por catástrofes naturais, como os terremotos que ocorrem no Japão. Com tanta tecnologia, a agricultura consegue prosperar, independentemente das ameaças climáticas.

Bayer Jovens