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Nossos superpoderes

Nem Super-Homem nem Mulher Maravilha. Nós mesmos, simples mortais, podemos desenvolver habilidades incríveis para sobreviver em condições extremas

10.08.2017 - Por Bayer Jovens

Quem nunca ouviu a mãe gritando o bordão “se agasalha direito para não pegar um resfriado”? Ou “sai da chuva, menino, para não ficar doente!”?. Nossas mães se esforçam um bocado para nos proteger das intempéries da vida – além das gripes e resfriados –, porém, talvez não precisasse tanto esforço. O ser humano é bem mais forte e resistente do que parece.

Scott Carney, jornalista investigativo e escritor norte-americano, sabe bem disso. Durante os últimos quatro anos, ele pesquisou os limites da resistência humana em ambientes hostis e relatou o resultado dessa experiência em What Doesn’t Kill Us (O que não nos mata). O escritor aproveitou a jornada também para testar os próprios limites: subiu ao topo do monte Kilimanjaro em tempo recorde e meditou nas margens dos rios nevados da Polônia, entre outras aventuras.

Confira as descobertas de Carney e veja como o que ele chama de “poderes humanos” – a habilidade para suportar o frio ou o cansaço físico extremo, por exemplo – pode ser aprimorado e desenvolvido:

 Scott Carney, Wim Hof e Dennis Bernaerts curtindo um friozinho no congelante Gilman's Point no monte Kilimanjaro

  • Baixas temperaturas – O ser humano é capaz de suportar baixíssimas temperaturas, acredita Wim Hof, o holandês famoso por colecionar recordes no Guinness Book por suas façanhas no frio extremo. Hof utiliza técnicas de respiração e a exposição a ambientes gelados para se aquecer de forma natural e se adaptar rapidamente a grandes altitudes. O holandês foi umas das pessoas analisadas por Carney, que, graças ao treinamento com Hof, escalou o monte Kilimanjaro em apenas 28 horas (a maioria das pessoas leva uma semana). E, no final do percurso, ainda tirou a camisa para “curtir o frio”.
  • Grandes altitudes – Outro superpoder do ser humano analisado por Carney é a capacidade que temos de nos adaptar a grandes altitudes, como em La Paz, na Bolívia. Quem passa rapidamente na cidade, só de visita, sente os efeitos da altitude, um cansaço físico mesmo sem fazer nada. Já quem mora lá não sente essa fadiga, uma vez que o corpo se adaptou ao lugar e produz mais glóbulos vermelhos para compensar a diminuição do oxigênio.
  • Mergulhos profundos – Quando Raimondo Bucher, um capitão da força aérea italiana, resolver mergulhar a 30 metros de profundidade por causa de uma aposta, todos acharam que ele morreria por conta da pressão esmagadora em seu organismo. Mas Bucher voltou bem à tona o e ainda faturou 50 mil libras. Pesquisas recentes indicam que, quando estamos submersos, nossa frequência cardíaca e o consumo de oxigênio caem. Ainda não se sabe qual é o limite do ser humano, mas já tem gente que suportou a pressão de mais de 200 metros de profundidade e ficou mais de 22 minutos sem respirar debaixo d’água.
  • Longas distâncias – Se tem uma coisa que fazemos melhor do que outras espécies é correr por longas distâncias. Não somos tão rápidos quanto um guepardo, mas conseguimos suportar quilômetros e quilômetros de corrida sem perder o ritmo. Prova disso é o ultramaratonista Dean Karnazes, que já correu 50 maratonas em 50 dias.
  • Sonar humano – Não são apenas morcegos e golfinhos que se locomovem orientados por uma espécie de sonar: eles emitem um som e, por meio do eco e da reverberação das ondas sonoras, conseguem saber onde estão os obstáculos ao redor. Daniel Kish, um norte-americano cego, usa ecolocalização humana para se deslocar. Ele utiliza um aparelho de cliques para andar de bicicleta e se locomover em regiões selvagens. E o mais legal: pesquisadores descobriram que o método é fácil de ser aprendido.
  • Bússola humana – O Waze e outros aplicativos de geolocalização são uma mão na roda, mas o uso intenso acaba com nosso senso de direção natural, uma vez que paramos de usar nosso mapa mental. Essa habilidade pode ser desenvolvida e melhorada a cada passeio de carro: basta desligar o GPS. Em seu livro, Carney usa o exemplo do taitiano Tupaia, grande conhecedor da geografia do Pacífico, que ajudou o explorador britânico James Cook a chegar à Nova Zelândia, mesmo durante à noite e com o mar agitado.

Muito bom saber que somos tão fortes e adaptáveis, mas difícil não ligar o GPS na correria do dia a dia. Ou ainda abrir mão do aquecedor quentinho nos dias frios e de um ar-condicionado no talo quando o termômetro passa dos 30ºC, não é mesmo?

E se você quer saber mais a respeito do que pensa Scott Carney, veja a palestra (em inglês) do escritor no TED:

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