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Na elite da matemática

O Brasil atinge o mais alto patamar da União Matemática Internacional, ao lado de potências como Alemanha, França e Estados Unidos

09.03.2018 - Por Bayer Jovens

Demorou, mas o Brasil chegou lá. No começo deste ano o país foi aprovado no Grupo 5 da União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês), que reúne as nações mais desenvolvidas em pesquisa mundiais nessa área. Além de nós, somente Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia fazem parte desse seleto time.

Matemática

“O fato de o Brasil estar agora ao lado dos países de maior expressão e relevância na matemática global representa o reconhecimento da qualidade da pesquisa matemática feita no país. Mostra que, na matemática, é possível alcançar o sucesso em seu mais alto nível mesmo estudando em nosso país”, disse Marcelo Viana, presidente do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), em entrevista ao jornal O Globo.

A trajetória brasileira começou há 64 anos, em 1954, quando o Brasil ingressou na IMU - uma instituição criada em 1920 para fomentar a cooperação internacional em matemática, que hoje conta com 76 nações entre seus membros -, no Grupo 1, a categoria mais baixa entre as cinco existentes. Desde então, só subiu de patamar. Em 1978, chegou ao Grupo 2; em 1981, ao 3; e em 2005, ao 4. O Grupo 5, conquistado agora, é o mais cobiçado por todos os países do mundo, evidentemente.

Contribuiu para o reconhecimento mundial o nível das pesquisas feitas no Brasil, especialmente no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), do Rio de Janeiro, as publicações científicas divulgadas em meios relevantes - somos responsáveis por 2,35% da produção matemática mundial -, a qualidade das pós-graduações brasileiras, nossa capacidade de colaboração internacional e os nomes que se destacam na área.

O mérito, porém, não veio de uma hora para outra. Em dez anos, a produção matemática brasileira saltou de 1.043 trabalhos publicados (1,53% do total no mundo) em 2006 para 2.076 (2,35%) em 2016. Em 2014, o matemático carioca Artur Avila recebeu a Medalha Fields, o Nobel da ciência exata, por sua capacidade de resolver operações matemáticas de grande complexidade.

“O fato de eu ter tido uma formação brasileira, inclusive ter feito doutorado aqui, indica que o Brasil pode formar um matemático no nível máximo profissional. É como se fosse um selo de qualidade. Mas é claro que a matemática não se faz só com uma pessoa, meu trabalho também é impactado pelo trabalho dos meus colegas”, disse Avila, em entrevista à revista Galileu.

E o Brasil tem outras ideias. Quer, por exemplo, incentivar o ensino da disciplina no país para aumentar o número de pessoas interessadas na matéria. Em julho do ano passado, o país sediou, pela primeira vez, a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), a 58ª edição do evento. Em agosto próximo receberá o Congresso Internacional de Matemáticos, o mais importante encontro mundial da área. Os eventos fazem parte do Biênio da Matemática 2017-2018, uma série de iniciativas nacionais e internacionais planejadas para estimular, popularizar e fomentar melhorias no ensino da disciplina no país e, quem sabe, abrir espaço para que surjam outros fenômenos como Artur Avila.

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