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Mundo Agro: mulheres buscam romper barreiras

Pesquisa feita em 17 países mostra que a maioria das mulheres que atua na agricultura ainda sofre com o preconceito de gênero

08.03.2019 - Por Bayer Jovens

Como você viu aqui mesmo em Bayer Jovens, as mulheres brasileiras ainda são minoria no comando de negócios na agricultura e na pecuária, embora tenham ocorrido importantes avanços nos últimos anos. Segundo relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a participação feminina na administração de propriedades rurais no país era de apenas 3% em 2003, índice que subiu para 7% em 2008 e para 13% em 2018.

Isso significa que, nos postos de direção no agronegócio, as mulheres ainda têm de batalhar muito para conseguir seu espaço, além de batalhar para superar um problema histórico: a discriminação de gênero. Um estudo mais recente, divulgado em outubro do ano passado, mostrou que 78% das produtoras agrícolas brasileiras se sentem vítimas de preconceito, um percentual maior do que a média global, de 66%, e o mais alto do mundo. E 49% das entrevistadas disseram que ganham menos do que os homens em cargos equivalentes.

A pesquisa foi encomendada pela Corteva Agriscience e, entre agosto e setembro de 2018, entrevistou 4.157 produtoras de 17 países da Europa, América do Sul, América do Norte, Ásia e África. No Brasil, foram consultadas 433 mulheres que são donas ou sócias de negócios rurais (44%), gerentes (18%), supervisoras (12%) e funcionárias (24%), a maioria com idade entre 20 e 39 anos. Entre as que são proprietárias, 55% possuem empresas de pequeno porte, com até 19 empregados.

“As mulheres entrevistadas, nitidamente, têm orgulho do que fazem, mas isso não se traduz necessariamente em felicidade ou satisfação”, disse Ana Claudia Cerasoli, diretora de Marketing da Corteva Agriscience na América Latina, em matéria publicada na revista Dinheiro Rural. Essa insatisfação se explica, principalmente, pela sensação de que não há oportunidades iguais, e apenas metade das entrevistadas se considera tão bem-sucedida quantos os homens. Quase 40% das mulheres também disseram que têm menos acesso a financiamento, o que prejudica o negócio.

A pesquisa procurou saber o que as mulheres julgam necessário para reduzir o preconceito de gênero, e as sugestões foram resumidas em cinco pontos principais: treinamento profissional da mesma maneira como os homens recebem (indicado por 80% das entrevistadas), mais educação acadêmica (79%), mais apoio para ajudar as mulheres discriminadas (76%), divulgação da atuação positiva das mulheres que atuam no campo (75%) e, finalmente, conscientizar o público em geral da discriminação de gênero que ainda existe no setor (74%).

Quanto à divulgação mais ampla da situação vivida pelas mulheres no campo, o próprio estudo representa um passo importante, e não devferá parar por aí. Krysta Harden, vice-presidente de Assuntos Externos e Sustentabilidade da Corteva Agriscience, afirmou: “Entrevistamos produtoras de grandes fazendas em economias mais avançadas e também agricultoras de propriedades de subsistência no mundo em desenvolvimento. Tomando por base os resultados dessa pesquisa, conseguiremos acompanhar e medir os avanços de inclusão da mulher no agronegócio daqui para a frente”.

O dado mais positivo do estudo é mesmo a impressão de que o preconceito de gênero está se reduzindo gradualmente no agronegócio brasileiro: das mulheres entrevistadas, 63% disseram que hoje a discriminação é menor do que há dez anos. Mesmo assim, quase metade delas (44%) acredita que ainda demorará de uma a três décadas para que a verdadeira equidade seja alcançada no país. Também chama atenção o fato de que 90% das brasileiras afirmaram que têm muito orgulho de sua atividade profissional, bem mais do que média mundial, de 70%.