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Moscas: é pior do que imaginávamos

Estudo revela que esses insetos tão comuns podem ser portadores de mais de 300 bactérias capazes de causar doenças graves

08.12.2017 - Por Bayer Jovens

Uma mosca voando por aí nem sempre chama atenção. “Ah, é só um inseto bobo”, as pessoas pensam, e com um tapa a espantam para longe. O problema é que esse bichinho tão pequeno, não muito maior do que um grão de feijão, pode trazer consigo um número absurdo de bactérias: 351 na mosca doméstica e 316 na varejeira, de acordo com um estudo feito por pesquisadores da Penn State University (Universidade Estadual da Pensilvânia), nos Estados Unidos.

Os microrganismos que se concentram nas asas e nas pernas dos insetos e se espalham sempre que eles se movimentam e pousam – na comida, em você, na mesa do restaurante, no bolo do piquenique – podem transmitir doenças que afetam animais, plantas e nós, seres humanos. Pode ser uma infecção no estômago, uma intoxicação e até uma pneumonia.

Donald Bryant, professor de bioquímica e biologia molecular da Penn State e um dos autores da pesquisa, afirma em matéria publicada pelo jornal britânico The Telegraph que “as pessoas tinham alguma noção de que as moscas transportavam agentes patogênicos, mas não faziam ideia da dimensão do problema e da escala em que essas bactérias podem ser transportadas”. Bryant e sua equipe destacam que as autoridades de saúde pública podem estar subestimando esses insetos como fonte de surtos de uma série de doenças.

O estudo, publicado originalmente no periódico Scientific Reports, analisou 116 tipos de moscas em habitats diferentes de três continentes e utilizou técnicas de sequenciamento de DNA para identificar as bactérias que estavam sobre o corpo dos insetos. O que eles descobriram foi aterrador: moscas domésticas comuns carregam salmonelas, a bactéria Escherichia coli (que podem causar infecção intestinal e urinária) e até mesmo microrganismos que provocam úlceras estomacais e, pasmem, infecção generalizada, ou septicemia. Nas moscas brasileiras foi encontrada a bactéria Helicobacter pylori, que, ao se alojar no estômago ou no intestino, pode causar inflamação e sintomas como dor e queimação abdominal e aumentar o risco de desenvolvimento de úlcera e câncer.

Ana Carolina Junqueira, professora de genética e genômica da Universidade Federal do Rio de Janeiro e entomologista molecular que coliderou a pesquisa da Penn State em Cingapura, explicou que os novos métodos genômicos e computacionais utilizados para o estudo permitiram à equipe um olhar sem precedentes a respeito da comunidade microbiana transportada por moscas.

Em matéria publicada no site da universidade norte-americana, Ana Carolina explicou: “Esse é o primeiro estudo que descreve o conteúdo de DNA microbiano de vetores de insetos. Varejeiras e moscas domésticas são os principais vetores mecânicos em todo o mundo, mas seu potencial total para a transmissão microbiana nunca foi analisado de forma tão abrangente, por meio de técnicas moleculares modernas e sequenciação profunda de DNA”.

Em áreas urbanas a situação tende a piorar. De acordo com os pesquisadores, as moscas das cidades carregam mais bactérias do que as que vivem no campo. Mas de onde vem tanta bactéria? A mosca doméstica adora perambular por aterros sanitários e se alimenta de todo tipo de comida em decomposição, lixo e matéria fecal. Tanto a doméstica quanto a varejeira (essa mais comum em climas quentes) adoram animais mortos.

Se por um lado esses insetos carregam uma quantidade quase mortal de bactérias, por outro ajudam a limpar o meio ambiente, ao se alimentarem de restos de comida e bichos mortos. Ruim com elas, pior sem elas.