Home > Ciência > Memória: como guardamos informações?
Ciência

Memória: como guardamos informações?

Não guardar todas as informações é importante para manter a sua mente saudável. Porém, tem algumas coisas que queremos lembrar e acabamos esquecendo, não é verdade?

10.06.2020 - Por Bayer Jovens

Do momento em que você acorda até o momento em que vai dormir, os seus olhos, ouvidos e sua pele estão percebendo as coisas que acontecem ao seu redor. Uma caneta que cai, um raio de sol que entra pela janela, o toque das pontas dos seus dedos nas teclas do seu computador, os dentes que você escovou assim que saiu da cama. Entretanto, amanhã você não irá se lembrar da caneta que caiu, já que esse não foi um fato relevante no seu dia. Por outro lado, irá se lembrar do conteúdo ao qual assistiu na videoaula do seu professor ou então os acontecimentos que marcaram você no último episódio da sua série preferida.

Não guardar todas as informações é importante para manter a sua mente saudável. E por isso, o nosso cérebro seleciona o que vamos lembrar ou não. Porém, tem algumas coisas que queremos lembrar e acabamos esquecendo, não é verdade?

Antes que você esqueça o que leu nos primeiros parágrafos, vamos entender como a memória funciona?

Evolutivamente, o aparecimento da capacidade de guardar informações foi o que nos deu "humanidade". Então, ela não serve apenas para que você se lembre de fatos e de datas. É ela que possibilita que você seja humano e também que você saiba quem você é. Por exemplo, eu sei que sou professor de química e que meu nome é Paulo Valim, porque isso está gravado na minha memória.

Quando eu estava na faculdade ou até mesmo me preparando para o vestibular, eu aprendia muito. E até hoje aprendo. O aprendizado é a aquisição de novos conhecimentos, mas para que eles permaneçam em nosso cérebro, é necessário que fiquem gravados na nossa memória explícita ou declarativa. Sempre que você se lembrar de um acontecimento ou de alguma informação que estudou ao resolver um exercício, é esta memória que entra em ação.

A memória dos hábitos, ou não declarativa, é aquela que faz você escovar os dentes sempre que acorda. É ela que nos permite andar de bicicleta mesmo que a gente passe anos sem realizar essa prática. Essa memória, por ser ativada cotidianamente, é mais estável e durável que a memória declarativa. Podemos dizer que ela está associada às atividades que realizamos no modo automático.

Como guardamos informações?

O nosso cérebro usa diversas regiões para armazenar informações, ou seja, não há um lugar específico desse órgão em que as informações são guardadas. Contudo, você que ainda é estudante ou que gosta de renovar os seus conhecimentos irá estimular principalmente o seu hipocampo. E para melhorar o processo de memorização de um conhecimento, vou falar o que sempre digo para os meus alunos: coloque-o em prática! Isso pode ser realizado ao fazer exercícios ou ao explicar o conteúdo para alguém.

Eu não esqueço os conteúdos de química não só porque sempre estou dando aulas sobre esse assunto, mas também pelo fato de que gosto muito dessa matéria. As emoções podem ajudar na memorização dos conhecimentos que aprendemos ao ativarem a nossa amígdala, estrutura responsável pela memória emocional.

O nosso cérebro é formado por neurônios, e são estas as células que permitem que o nosso corpo funcione adequadamente e que as informações sejam guardadas. Entre as células nervosas, existe um espaço chamado de fenda sináptica, local em que a sinapse nervosa acontece. Neurotransmissores são liberados e passam de um neurônio para outro. E esse processo biológico é que resulta na formação da memória, além do aumento do número de sinapses.

Porém, se temos a máquina perfeita para memorizar, por que esquecemos?

Lá no começo do texto, comentei com você que esquecemos porque o nosso cérebro apaga informações que não são tão relevantes. Se mantivéssemos tudo guardado, a nossa capacidade de processamento seria prejudicada e travaria como um computador. Essa é uma limpeza saudável de informações que fazemos.

No entanto, a falta de uso de uma informação também pode contribuir para que ela seja esquecida. E como já comentei, ao colocarmos um conhecimento em prática, evitamos esse processo.

Além disso, existem outros dois fatores que nos afetam de uma forma geral como indivíduos: o estresse e a ansiedade. Se estivermos ansiosos ou estressados, teremos muita dificuldade para focar e para ficarmos atentos. Biologicamente, isso é explicado pela produção da proteína quinase: ela prejudica a nossa memória de curto prazo, etapa necessária para a formação da memória de longo prazo.

Logo que aprendemos algo, a informação é classificada em nosso cérebro como memória de curto prazo, e então nosso sistema nervoso irá decidir que informação iremos consolidar como memória de longo prazo. Os mecanismos específicos de como a proteína quinase interfere ainda estão sendo desvendados.

Para manter a sua memória em dia, é preciso exercitá-la, e também descansar e controlar as suas emoções.

E aí, como você tem exercitado a sua memória?

Publicado em Ciência
Bayer Jovens