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Lugar de mulher é na ciência

Histórias de luta e reconhecimento de cientistas talentosas criam representatividade e transformam o papel feminino na pesquisa.

17.12.2019 - Por Bayer Jovens

Ao longo da história, cientistas brilhantes não tiveram o merecido reconhecimento por seus trabalhos. Essa situação de invisibilidade foi destacada, por exemplo, no filme “Estrelas Além do Tempo”, que conta a trajetória de um trio de mulheres negras matemáticas que contribuíram para o sucesso do programa espacial da NASA, na década de 1960, em meio à guerra fria e à corrida espacial dos Estados Unidos contra a União Soviética.

Muitas outras mulheres, tais como as personagens retratadas no filme, realizaram pesquisas essenciais para alargar os horizontes da ciência, mas foram esquecidas pelos historiadores. Felizmente, é chegada a hora de relembrar e valorizar essas pessoas que fizeram a diferença para a humanidade. É possível descontruir o viés de gênero na área, estimular o interesse das meninas pela ciência, favorecer o ingresso das mulheres e a permanência delas na carreira científica.

Na área da saúde, um grande avanço não teria sido possível sem a atuação da biofísica britânica Rosalind Franklin. Ela se destacou ao conduzir experimentos em cristalografia por raio X como pesquisadora no laboratório do físico John Randall no King’s College de Londres. A técnica da cristalografia é utilizada para observar a estrutura de átomos e moléculas de um cristal, por meio de cálculos de difração dos feixes de raio X. Rosalind foi pioneira na tarefa de decifrar o DNA, o ácido desoxirribonucleico, estrutura molecular que carrega o código genético de todo ser vivo.

A descoberta de que o DNA se apresentava como duas hélices em formato helicoidal iniciou uma nova era para as ciências biológicas. Porém, os registros de Rosalind foram compartilhados, sem que ela soubesse, com os cientistas Francis Crick e James Watson, que foram agraciados pela descoberta com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, em 1962, omitindo o trabalho de Rosalind. A cientista injustiçada havia falecido quatro anos antes, vítima de câncer de ovário, aos 37 anos. Leia mais sobre a trajetória dessa pesquisadora na série especial desenvolvida pela Bayer sobre cientistas que fizeram história: Rosalind Franklin: a heroína desconhecida da dupla hélice do DNA.

Para se ter uma ideia da magnitude da contribuição dos estudos de Rosalind, a descoberta sobre a estrutura do DNA pavimentou o caminho para pesquisas que criaram tecnologias como os testes de paternidade e as sementes transgênicas, por exemplo. Compreender a estrutura do DNA foi a base para desenvolver todas as tecnologias genéticas atuais. A comunidade científica reviu os trabalhos de Rosalind e, com o reconhecimento póstumo, ela passou a ser considerada a “mãe do DNA”.

Até hoje, a ciência ainda não trata as mulheres de forma amistosa. As mulheres participam de menos de 13% dos pedidos de patente no mundo, de acordo com um levantamento do Instituto de Propriedade Intelectual do Reino Unido (IPO). Esse percentual representa apenas uma mulher inventora para cada sete homens. Uma forma de mudar esse cenário é valorizar as cientistas e inspirar meninas a apostar na ciência, criando representatividade. Uma pesquisadora inspiradora é Lucy Wills, que descobriu a relação entre o ácido fólico e a nutrição de gestantes para prevenir casos de más-formações congênitas nos bebês.

Há também as cientistas que, além de lutarem pela própria carreira, investem nas próximas gerações. É o caso de Christiane Nüsslein-Volhard, que desvendou o desenvolvimento embrionário, ganhou um Nobel pela descoberta e oferece bolsas para cientistas talentosas, por meio da sua Fundação CNV. “Quando comecei a trabalhar como cientista no fim dos anos 1970 e no início dos anos 1980, a vida era diferente para as mulheres. Éramos uma exceção. As pessoas não sabiam lidar conosco. Isso complicava a vida, porque o fato de eu ser mulher era algo incomum”, contou a pesquisadora ao site Podemos viver melhor?, da Bayer.

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