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Lego de cana? Pode acreditar

Em nome da sustentabilidade, a gigante dinamarquesa começa a utilizar o “plástico verde” produzido no Brasil

04.04.2018 - Por Bayer Jovens

O Brasil acaba de entrar na Legoland. A icônica marca dinamarquesa de brinquedos de montar, que tem seis parques temáticos nos moldes da Disney, aceitou o desafio da sustentabilidade e lançou as primeiras peças feitas com “plástico verde” produzido a partir da cana-de-açúcar pela Braskem, uma empresa brasileira controlada pela Petrobras e pela Odebrecht. Chamado de I’m greenT, o material ecológico substituirá parte do plástico ABS (acrilonitrila butadieno estireno) que a Lego utiliza hoje, derivado do petróleo, com impacto negativo no meio ambiente.

 Na primeira etapa serão fabricadas peças com “elementos botânicos” como árvores, folhas e arbustos/Divulgação Lego

A substituição ocorrerá aos poucos e, por enquanto, o novo plástico deverá ser a matéria-prima de peças como árvores, folhas e arbustos, equivalentes a 2% da produção total. De acordo com a companhia, as peças serão idênticas à fabricadas com ABS: “Ninguém notará diferença na qualidade ou na aparência dos novos elementos, porque o polietileno vegetal tem as mesmas propriedades do plástico convencional”, disse Tim Brooks, vice-presidente de Responsabilidade Ambiental do grupo dinamarquês, ao anunciar a novidade.

No comunicado que divulgou em 7 de março, a Braskem informou que o plástico I’m greenT já está presente em mais de 150 marcas na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia, na África e na América do Sul, como matéria-prima de embalagens de alimentos, produtos de higiene pessoal, bens duráveis como cadeiras e vasos e vários outros itens. “Além de ser 100% reciclável, o plástico de cana-de-açúcar contribui para redução dos gases causadores do efeito estufa. Primeiro polietileno de origem renovável produzido em escala industrial no mundo, o plástico verde é fabricado desde 2010 no Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul”, acrescentou a empresa.

Para a Lego, a utilização do plástico verde brasileiro representa um passo importante em seu programa de sustentabilidade, que envolve também a redução das emissões de CO2 e outros projetos em parceria com o World Wildlife Fund (WWF). No vídeo em que anuncia a utilização do plástico I’m greenT, a Lego assume o compromisso de substituir o ABS até 2030 e cria uma historinha para falar do projeto.

Logo no início da animação aparece uma planta de cana-de-açúcar “que balança devagar em uma zona tropical no Brasil enquanto espera por uma grande aventura”. Transformada em um boneco Lego, a cana sai pelo mundo, espalhando por outros lugares a matéria-prima ecológica – e brasileira.

A decisão da Lego revela também a incrível versatilidade da cana, que além de servir de base para a produção de açúcar é utilizada de diversas outras maneiras. Tem, por exemplo, um papel importante na área de combustíveis, com o etanol que abastece grande parte da frota de veículos no Brasil e é misturado à gasolina, com redução do impacto ambiental, e na geração de energia, por meio da queima do bagaço. O álcool da cana é igualmente importante na indústria, usado para a fabricação de perfumes e medicamentos, entre outros produtos.

A cana é também a matéria-prima da cachaça, a bebida símbolo do Brasil, e de muito mais: ração animal, fertilizantes, proteínas unicelulares, biogás, celulose e lignina (utilizadas na fabricação de papel) e até em projetos artísticos, como o da britânica Ella Bulley, que a transforma em um material sólido com o qual faz pratos, tigelas, vasos e outros objetos. Ainda mais surpreendente é a utilização do plástico feito de cana-de-açúcar para a fabricação em 3D de ferramentas no espaço, pela NASA. Só faltava mesmo virar peça de Lego.