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Saúde e bem-estar

Gordura trans é alvo da OMS

Organização lança plano para erradicar em cinco anos a substância que deixa os alimentos mais saborosos, mas faz mal à saúde

08.06.2018 - Por Bayer Jovens

A batata frita do fast food fica mais crocante por causa dela. O sorvete ganha cremosidade. E a bolacha recheada, além de mais gostosa, dura meses na prateleira. Usada em larga escala pela indústria alimentícia de várias partes do mundo, a gordura trans aumenta o prazo de validade dos produtos, acentua o sabor e melhora a textura e a crocância dos alimentos industrializados. Mas, por outro lado, a substância - conhecida também como gordura vegetal parcialmente hidrogenada - é altamente prejudicial ao nosso organismo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a gordura trans é responsável por cerca de 500 mil mortes por ano, como causa de doenças relacionadas, principalmente, ao coração.

Gordura

Uma infinidade de artigos científicos indica que a gordura trans está associada ao aumento do colesterol ruim (o LDL, que entope as artérias) e à diminuição do colesterol bom (o HDL, que as protege). Seu consumo também está vinculado à inflamação do revestimento das artérias, fator de risco para doenças cardiovasculares, e ao risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Na gestação, de acordo com a professora Suelen Ruiz, da Universidade Estadual de Maringá (PR), em entrevista ao site Zero Hora, a gordura trans pode ser transportada pela placenta e comprometer o desenvolvimento do bebê.

Por causa de todos esses fatores, a OMS lançou em maio uma campanha mundial para eliminar a gordura trans da composição dos produtos industrializados até 2023 e, com isso, salvar 10 milhões de vidas. Em comunicado, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu que os governos usem o pacote de ações chamado Replace para eliminar dos alimentos os ácidos graxos trans produzidos industrialmente. “A aplicação das seis ações estratégicas do pacote Replace ajudará a eliminar a gordura trans e representará uma importante vitória na luta global contra as doenças cardiovasculares”, afirmou.

O guia Replace é constituído pelas seguintes ações:

  • Revisar fontes alimentares com gordura trans produzidas industrialmente e o panorama para as mudanças políticas necessárias;

  • promover a substituição de gorduras trans produzidas industrialmente por gorduras e óleos mais saudáveis;

  • legislar ou promulgar ações regulatórias para eliminar gorduras trans produzidas industrialmente;

  • avaliar e monitorar o teor de gorduras trans no suprimento de alimentos e as mudanças no consumo de gordura trans entre as populações;

  • conscientizar a respeito do impacto negativo na saúde das gorduras trans entre formuladores de políticas, produtores, fornecedores e o público;

  • estimular a conformidade de políticas e regulamentos.

Alguns países já restringem ou proíbem a gordura trans, como Dinamarca, Suíça, Canadá e Reino Unido. A partir de junho, a substância fica proibida nos Estados Unidos e, em algumas semanas, na Tailândia.

“Se o mundo substituir a gordura trans, as pessoas não sentirão diferença no sabor, mas a sentirão no coração”, disse Thomas Frieden, em matéria publicada no The New York Times. Frieden é médico e presidente da Resolve to Save Lives e participou do governo de Michael Bloomberg, prefeito de Nova York em 2006, que, na época adotou a primeira proibição municipal à gordura trans.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenta fechar o cerco contra a substância. A agência abriu processo para aumentar a restrição ao uso de gordura trans em alimentos industrializados e avalia até proibi-la. Para isso, estudará modelos para diminuir sua presença nesse tipo de produto.

Enquanto a gordura trans não é eliminada da margarina, do salgadinho, da pipoca de micro-ondas, do chocolate e de muitos outros produtos, você pode se proteger: deixe de consumir alimentos cuja composição tenha gordura vegetal parcialmente hidrogenada, gordura parcialmente hidrogenada, gordura vegetal hidrogenada, gordura parcialmente interesterificada, óleo vegetal parcialmente hidrogenado, óleo vegetal hidrogenado, óleo hidrogenado e ácidos graxos insaturados.