Home > Saúde e bem-estar > Exercícios antidepressão
Saúde e bem-estar

Exercícios antidepressão

Estudo indica que treinos de resistência reduzem significativamente os sintomas da doença que afeta 12 milhões de pessoas no Brasil

21.06.2018 - Por Bayer Jovens

O suicídio do apresentador de TV norte-americano Anthony Bourdain no início de junho chamou atenção, mais uma vez, para a gravidade da depressão e, principalmente, para as consequências da doença quando os sintomas não são controlados. A imagem de Bourdain era a de um profissional bem-sucedido, com um estilo de vida de causar inveja. O que o público não sabia é que ele enfrentava o mal que se tornou um problema de saúde pública e afeta mais de 320 milhões de pessoas no mundo e aproximadamente 12 milhões no Brasil, de acordo com dados de 2017 da Organização Mundial de Saúde.

Exercícios antidepressão

Na maioria dos casos a depressão é tratada por meio de medicamentos, em conjunto com sessões de terapia com psicólogo ou psiquiatra. Como prevenção, existem várias alternativas para gerenciar o estresse, o pessimismo e a sensação de infelicidade que o transtorno provoca, entre as quais a prática de ioga e meditação, uma dieta equilibrada, o aprendizado de coisas novas, hobbies e assim por diante. Nos últimos anos, os médicos vêm recomendando também as atividades fisicas regulares, que liberam hormônios e outras substâncias importantes para a manutenção do humor.

Em junho, houve mais um avanço nesse sentido, com a divulgação de um estudo feito por uma equipe de especialistas irlandeses liderada por Brett Gordon, Cillian McDowell e Mats Hallgren. Publicada na revista Jama Psychiatry, da Associação Médica Americana, a pesquisa analisou 33 ensaios clínicos, com 1.877 participantes, e concluiu que “a prática de treinos de resistência está associada a uma redução significativa nos sintomas da depressão”.

Os resultados mais positivos foram obtidos pelas pessoas que faziam exercícios que envolvem esforço e força física, como levantamento de peso, musculação e artes marciais. De acordo com os cientistas, além de aliviar os transtornos provocados pela depressão, essas atividades também proporcionam benefícios como o fortalecimento de ossos e músculos e a prevenção de algumas doenças crônicas.

Os efeitos mais evidentes ocorrem quando essas práticas se tornam rotina, e nesse caso os sintomas da doença se reduem em pessoas de qualquer idade e sexo, independentemente do estado de saúde. Brett Gordon, pesquisador da Universidade de Limerick e autor principal do estudo, é cauteloso e não afirma que esses exercícios curam totalmente a depressão, mas disse que os treinos de força se mostraram tão eficientes quanto os tratamentos com medicamentos e terapias comportamentais.

O cientista explicou que os treinos devem ser feitos pelo menos duas vezes por semana, com entre oito e dez tipos de movimentos de fortalecimento muscular e até 12 repetições de cada um. Lembrou também que os treinos podem ser feitos em casa, sem dificuldades nem contato com outras pessoas, o que é importantes para alguns tipos de pessoas depressivas.

Outros estudos científicos chegaram a resultados semelhantes, como o que foi realizado em 2013 por pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e publicado no Journal of Psychiatric Practice, assinado por Chad Rethorst e Madhukar Trivedi. Além de enfatizar a importância dos treinos de resistência como terapia antidepressão, essa pesquisa também destaca os efeitos benéficos dos exercícios aeróbicos, praticados de três a cinco vezes por semana, em sessões de 45 a 60 minutos. “Os médicos devem encorajar os pacientes a praticar algum tipo de atividade física para aliviar os sintomas da depressão, mesmo que não seja na intensidade que recomendamos”, afirmaram os autores do estudo.