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Escritoras feministas soltam o verbo

Elas têm muito a dizer a respeito da condição da mulher, sem medo de polêmicas. Confira lista de escritoras que você precisa conhecer

06.10.2017 - Por Bayer Jovens

A princesa não está mais a espera do príncipe encantado. Não é mais um beijo que vai acordá-la. Ela também não quer ser feliz para sempre. Agora a maioria das mulheres quer ir à luta, batalhar pela sua felicidade, pelo seu futuro, pelo seu direito de ir e vir. Com a roupa – e o salto – que quiser, com batom vermelho ou com a boca natural. A mulher de hoje não quer mais seguir estereótipos, ser simpática e bem-comportada só para agradar o chefe, o marido, o amigo. Também não quer ganhar menos do que ele. E não quer mais viver com medo de sofrer qualquer tipo de violência emocional ou sexual. “Chega!”, muitas gritam no Twitter, no Facebook, no YouTube, nas ruas.

E algumas também escrevem livros que abordam o universo feminista a partir de diferentes ângulos, com argumentações a respeito do lugar da mulher na sociedade, seus direitos e deveres, além de discutir temas como machismo, igualdade, violência e discriminação racial e sexual, entre outros. A leitura enriquece a discussão e é indicada para leitores de ambos os sexos, uma vez que essa é uma batalha do ser humano – para um mundo mais justo e feliz –, e não apenas da mulher.

Conheça a seguir algumas das escritoras brasileiras e estrangeiras que abordam com originalidade e coragem o universo feminino.

Ana Cristina César

Homenageada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2016 e um dos principais nomes da poesia brasileira do século 20, Ana C., como também é conhecida, foi um ícone da poesia marginal que marcou a geração de 1970 no Brasil. Ela fala do seu cotidiano e de sua intimidade, com textos autobiográficos e ficcionais, cartas e diários que muitas vezes contêm críticas aos padrões de comportamento impostos à mulher. São dela Cenas de abril, Correspondência completa, Luvas de pelica, A teus pés e Inéditos e dispersos, entre outros livros. Nasceu no Rio de Janeiro e morreu em 1983, aos 31 anos.

bell hooks

Feminista e ativista social, bell hooks (com a grafia em minúscula mesmo) é uma norte-americana que escreve a respeito da realidade com um olhar sagaz sobre raça, classe e gênero, sempre buscando nesses três elementos os fatores da perpetuação dos sistemas de opressão e dominação. Ainda pouco conhecida no Brasil, faz parte da lista doOur Shared Shelf, espécie de clube do livro virtual da atriz Emma Watson, a gracinha Hermione de Harry Porter e uma das embaixadoras da ONU Mulheres. Pelo clube de Emma já passaram, de bell hooks, All About Love: New Visions, Feminism is for Everybody, Feminist Theory from Margin to Center, Ain’t I a Woman: Black Women and Feminism.

Maya Angelou

Outra escritora entre as preferidas de Emma Watson, Maya Angelou era ativista dos direitos civis e trabalhou com Martin Luther King e Malcom X. Em 2010, foi condecorada por Obama com a Presidential Medal of Freedom. No ano passado, teve 100 exemplares de uma de suas obras – Mom & Me & Mom, um retrato de sua mãe – distribuídos no metrô de Londres por Emma, que ainda deixou um bilhete que pedia ao leitor para repassar o livro a outra pessoas depois da leitura, para mais gente pudesse conhecer a literatura de Angelou.

Chimamanda Ngozi Adichie

Um dos principais nomes da literatura africana, a nigeriana Chimamanda retrata em suas obras a condição e o cotidiano das mulheres negras, abordando temas como racismo, machismo e violência contra a mulher. São dela os livros Sejamos todos feministas (veja a palestra TED no vídeo acima), Para educar crianças feministas – Um manifesto, Americanah e Meio sol amarelo, entre outros.

Carolina Maria de Jesus

Uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, a mineira e catadora de lixo reciclável Carolina escreveu Quarto de despejo – Diário de uma favelada nos cadernos que encontrava no lixo. No livro, que narra o dia a dia na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, onde morava, a escritora fala da fome, da miséria e da violência sofrida por ela e seus vizinhos.

Gloria Steinem

Outra escritora da lista de Emma Watson, a feminista norte-americana é, na opinião de Lena Dunham, criadora de Girls, “uma das mais importantes vozes femininas pelos direitos humanos”. Em seu livro Minha vida na estrada (My Life on the Road), lançado recentemente no Brasil pela editora Bertrand, Gloria faz um relato emocionante de sua vida como viajante e das pessoas incríveis que conheceu durante sua jornada em busca da igualdade. Uma inspiração para jovens feministas.

Bayer Jovens