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El Niño volta a preocupar

Cresce para 75% a possibilidade de formação do fenômeno climático que, em anos anteriores, afetou a agricultura brasileira

29.01.2019 - Por Bayer Jovens

O verão no Hemisfério Sul se aproxima e, com ele, chega uma nova preocupação para a agricultura brasileira: a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento das águas de superfície do oceano Pacífico, com correntes quentes que atingem a costa sul-americana. Essa anomalia ciclíca gera um efeito em cadeia que influencia o clima em vários pontos do mundo, inclusive no Brasil, na medida em que provoca a elevação no nível do mar e o aumento da umidade na atmosfera, com consequências diretas na produção agrícola.

O alerta foi feito pela Organização Meteorológica Mundial, vinculada à ONU, que estimou em 70% a possibilidade de que o El Niño reapareça no fim deste ano, com permanência até o primeiro trimestre de 2019. A previsão da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), do governo dos Estados Unidos, por sua vez, foi elevada em outubro para 75% de chances de que ocorra o fenômeno durante o verão.

A divulgação desses comunicados ligou o sinal de alerta dos agricultores brasileiros, que ainda se lembram bem dos efeitos provocados pelo El Niño entre 2015 e 2016. O aquecimento das águas do Pacífico intensificou a seca no Nordeste e provocou estiagem prolongada no Norte e em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste e inundações no Sul, com prejuízos irrecuperáveis para a agricultura.

Agora, o receio maior é o comprometimento da safra de grãos como soja, milho, arroz e feijão, além da cana-de-açúcar e do café no Centro-Sul. A expectativa dos meteorologistas é de mais chuva no Sul e no Sudeste e seca no Norte e Nordeste. Em reportagem publicada no site Notícias Agrícolas, a agência de notícias norte-americana Reuters International fez uma análise das possíveis consequências no Brasil e lembrou que os estados de Goiás e Mato Grosso, que produzem quase 40% da safra de soja, não registraram alta produtividade em anos de El Niño, embora ressalte que “não é claro que esses pontos estejam relacionados”.

A Reuters também disse que a produtividade da soja no Paraná tem sido “mediana” nos anos de El Niño e observou que as chuvas no Centro-Oeste tendem a ficar abaixo da média. E acrescentou: “Os padrões climáticos podem variar se o El Niño persistir até o começo do próximo ano. Fato é que os efeitos desse fenômeno no Brasil têm sido frequentemente desfavoráveis”.

O comportamento do El Niño vem sendo exaustivamente estudado pelos institutos especializados de todo o mundo, nos últimos anos, mas ainda não há respostas claras para explicar suas causas. Sabe-se que o aquecimento do Pacífico tropical ocorre com alguma regularidade e que também acontece o oposto, ou seja, o resfriamento do oceano, que é chamado de La Niña, mas não há consenso a respeito do que provoca essa anomalia climática.

A questão é que a agricultura precisa da maior regularidade e previsibilidade possível para que todo o ciclo produtivo ocorra sem surpresas e El Niño é justamente o contrário disso. Portanto, compromete o planejamento.

Neste ano, contudo, não se espera uma situação tão complicada quanto a que houve em 2015-2016 e, principalmente, em 1997-1998, quando o fenômeno chegou com mais força e provocou um grande estrago mundo afora. De acordo com a NOAA, a previsão é de um El Niño “fraco e consistente”, mas o que acontecerá de fato dependerá da real intensidade das alterações climáticas que surgirão nos próximos meses.

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