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Dez curiosidades sobre o milho

Do México para o mundo: um dos nossos alimentos preferidos tem muitas e boas histórias para contar

11.03.2019 - Por Bayer Jovens

O milho é poderoso. Terceiro cereal mais consumido no mundo, depois do trigo e do arroz, é nutritivo, saboroso, barato e de cultivo muito simples, quatro qualidades que o tornam particularmente valioso na alimentação e na indústria e acessível a qualquer mesa. Por isso não causa surpresa a extensa relação de produtos que contêm milho e o volume que é produzido e exportado todos os anos, especialmente no Brasil. É uma das chamadas “grandes culturas”, que têm peso tanto na economia como na alimentação humana e animal e nas múltiplas aplicações na indústria.

Imagine uma festa junina sem pipoca, curau, polenta, canjica, pamonha e milho doce assado ou cozido. É difícil, assim como imaginar que o milho também está presente na fabricação de produtos como linguiça, baby food, macarrão instantâneo, medicamentos, gesso e até minérios e químicos. Por tudo isso e muito mais, a “planta humilde dos quintais pequenos” que inspirou a poetisa Cora Coralina merece ser melhor conhecida – como você verá a seguir.

  1. Teosinto: a “mãe” do milho
    A origem biológica do milho se manteve misteriosa por milhares de anos, até que na década de 1930 o norte-americano George Beadle, ainda estudante de pós-graduação, descobriu que o cereal tinha cromossomos similares ao do teosinto, uma planta geralmente usada como pasto animal, com pequenas espigas e sementes em forma de grão. Nem todo mundo acreditou nessa teoria, mas pesquisas posteriores confirmaram o parentesco entre as duas espécies e indicaram o vale de Balsas, no sul do México, como o berço da transformação do teosinto em milho, entre 7 mil e 9 mil anos atrás.
  2. Dos índios aos escravos
    Pesquisas indicam que o primeiro país sul-americano que cultivou milho foi o Peru, onde foram encontrados grãos com 4 mil anos de idade. A Europa só conheceu o cereal a partir do século 16, levado pelas grandes navegações, mas quando as caravelas de Cabral chegaram a Porto Seguro os habitantes originais do Brasil já conheciam o milho há muito tempo. Quase todos os grupos indígenas brasileiros plantavam milho, que, depois da colonização do país pelos portugueses, tornou-se também um dos principais alimentos consumidos pelos escravos trazidos da África.
  3. Preferência mundial
    O milho é oitavo alimento mais consumido no mundo, perdendo apenas para leite e derivados, trigo, arroz, batata, cerveja, açúcar e tomate. O Brasil está na quarta posição no ranking de consumo, depois dos Estados Unidos, da China e da União Europeia. A cada ano, o Brasil consome em torno de 66 milhões de toneladas de milho, o que dá, mais ou menos, 180 milhões de quilos por dia, ou 7,5 milhões de quilos por hora! É ou não é gostar muito de milho?
  4. Onde se produz
    De acordo com as estimativas mais recentes, o Brasil deverá produzir 94 milhões de toneladas de milho na safra 2018-2019, o que classifica o país como o terceiro maior produtor mundial de milho, depois dos Estados Unidos e da China. Todo esse milho é plantado, principalmente, em Mato Grosso, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, em cerca de 3,6 milhões de propriedades rurais, metade de pequeno porte.
  5. Uma parte vira ração e o restante?
    Embora seja tão popular no preparo de mil pratos gostosos, em torno de 80% do milho que o Brasil produz e não exporta é destinado à fabricação de ração animal. Os 20% que sobram são processados e se transformam em produtos como óleo, fubá, farinha e amido e parte das receitas de macarrão instantâneo, papinhas para bebês, salsichas, linguiças, salgadinhos, temperos, pães e mais um sem número de aplicações, algumas surpreendentes. Por exemplo, é usado com agente filtrante pela indústria farmacêutica, na flotação de minérios, na fundição do ferro, na produção de gesso, como emulsificante na indústria química, na fabricação de papelão, em fertilizantes, e por aí afora.
  6. Cinema sem pipoca?
    Nem todo milho estoura e vira pipoca. A variedade que faz a nossa alegria ao assistir a um filme ou numa noite tranquila em casa é a Zea mays everta, cujas espigas são menores do que as do milho comum. O “segredo” é a capacidade do grão de armazenar água na parte interna, que estoura quando submetida ao calor, rompe a casca e se transforma em uma massa de amido e fibras – a pipoca, descoberta pelos primeiros índios que cultivaram o milho, que devem ter se divertido um bocado com a novidade, em torno das fogueiras.
  7. Cascas para fora
    O milho é tão rico em nutrientes que já foi chamado de fonte da juventude, graças às suas propriedades antioxidantes e aos teores de vitaminas e sais minerais importantes para o organismo. Algumas pesquisas afirmam que o consumo de milho ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e câncer, melhora a pele e fortalece dentes e ossos, reduz o estresse e retarda o envelhecimento. Mas todos esses benefícios estão contidos no interior do grão, porque a casca é eliminada praticamente intacta, por ser de difícil digestão.
  8. Cabelo que não é enfeite
    O simpático cabelinho amarelo do milho tem uma função importante. É o lado feminino da planta, responsável pela sua reprodução, ao transportar o pólen que fecunda os óvulos da espiga para que nasçam os grãos.
  9. Na mesa do bar
    Quem olha com atenção o rótulo da maioria das cervejas brasileiras encontra entre os ingredientes da fórmula “cereais não maltados”, que em geral é simplesmente milho. Desde que a sua cerveja preferida não seja do tipo “puro malte”, é quase certo que você esteja consumindo milho a cada vez que encontra os amigos no bar. O milho também é um componente importante na fabricação do uísque feito nos Estados Unidos, o whiskey. O tipo bourbon, por exemplo, por lei, é aquele produzido a partir de uma mistura de grãos de pelo menos 51% de milho, “mas não mais de 79%”.
  10. Cantado em verso e prosa
    A goiana Cora Colarina, uma das poetisas mais querida do Brasil, era fã do milho, e não apenas na mesa. Ela via o cereal como uma inspiração, uma metáfora e o melhor exemplo de alimento simples, rústico, “do povo”, que nasce em qualquer lugar e serve para tanta coisa. “Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres”, escreveu. Ela gostava tanto que dedicou ao grão pelo menos dois trabalhos: o Poema do milho e a Oração do milho.